ANO DE LANÇAMENTO
1959/1962 (EUA)
DIRETOR

Monte Hellman
Joseph Green

ELENCO
A BESTA...
Michael Forest
Sheila Noonan
Frank Wolff
Richard Sinatra
Wally Campo
Linné Ahlstrand
Chris Robinson

O CÉREBRO...
Jason Evers
Virginia Leith
Leslie Daniels
Adele Lamont
Bonnie Sharie
Paula Maurice
Marilyn Hanold
Bruce Brighton
Arny Freeman
Fred Martin
Lola Mason
Doris Brent
ROTEIRO

A BESTA...
Charles B. Griffith

O CÉREBRO...
Rex Carlton
Joseph Green

PRODUÇÃO

A BESTA...
Roger Corman

O CÉREBRO...
Rex Carlton

FOTOGRAFIA

A BESTA...
Andrew M. Costikyan

O CÉREBRO...
Stephen Hajnal

EDIÇÃO:

A BESTA...
Anthony Carras
Richard Krause

O CÉREBRO...
Leonard Anderson
Marc Anderson

MÚSICA:

A BESTA...
Alexander Laszlo
Fred Katz

O CÉREBRO...
Abe Baker
Tony Restaino

DISTRIBUIDORA:

Fantasy Music

LANÇAMENTO NA ALEMANHA:

1959/1962

COMENTÁRIOS:

BESTA DA CAVERNA ASSOMBRADA, A/CÉREBRO QUE NÃO QUERIA MORRER, O
(Beast from Haunted Cave / The Brain That Wouldn't Die)


Besta da Caverna Assombrada: Jovens garotas apavoradas sugadas por um labirinto de horror e sangue de uma besta faminta do inferno.
O Cérebro que Não Queria Morrer: Ela é uma cabeça viva e sua única esperança é encontrar um corpo para ser a nova morada do cérebro que não queria morrer.
Filmes realizados com o mínimo de recursos financeiros e técnicos e com o máximo de imaginação, os trash-movies (filmes do lixo) não tem este nome (só) porque são ruins, mas porque foram feitos como se tivessem sido reciclados, como todo o material humano e físico que estava disponível. O resultado é uma mistura inusitada de filmes de terror como surrealismo e uma pitada de comédia de humor negro.
Estes bravos cineastas (quase) anônimos deram um novo sentido às sessôes da meia-noite nos drive-ins e adicionaram mistério, sangue e sexo aos filmes B contribuindo com o cinema independente dos Estados Unidos e representando verdadeira revolução atravás de filmes deliciosamente limitados que deve ser vistos e revistos sem preconceito: Não se leve a sério e embarque nesta fantasia divertidíssima.

CRÍTICAS

A BESTA DA CAVERNA ASSOMBRADA

Uma quadrilha de assaltantes formada pelo líder Alex Ward (Frank Wolff), sua amante Gypsy Boulet (Sheila Carol), e dois comparsas, Marty Jones (Richard Sinatra) e Byron Smith (Wally Campo), planejam roubar ouro de um banco de uma pequena cidade no Estado americano de Dakota. Para isso, eles se hospedam numa estação de esqui no meio das montanhas geladas e carregadas de neve. O plano ainda consiste na explosão de uma mina com uma bomba para desviar a atenção das pessoas da região enquanto roubam barras de ouro do banco da cidade.



Fugindo para uma cabana isolada nas montanhas, de propriedade do instrutor de esqui Gil Jackson (Michael Forest), o grupo aguarda um resgate de avião para o Canadá, porém eles não imaginavam que a explosão na caverna despertou a ira de uma criatura monstruosa parecida com uma aranha, repleta de tentáculos peludos e que se alimenta do sangue de suas vítimas, que ficam imobilizadas e presas em teias. Agora, além de enfrentar problemas de relacionamento entre eles (a única mulher do bando está querendo abandonar a carreira de crimes e inevitavelmente se apaixona pelo “garoto natureza” Gil), e de tentar colocar em prática o plano de fuga com o ouro roubado, eles terão também que lutar por suas vidas contra a fúria da “besta da caverna assombrada”.

“A Besta da Caverna Assombrada” (Beast From the Haunted Cave, 1959) é mais uma bagaceira de orçamento paupérrimo da nostálgica década de 50 do século passado, produzido pelos irmãos Corman (Gene e Roger, este último mais conhecido como o “Rei dos Filmes B”), e com direção de Monte Hellman a partir de um roteiro de Charles B. Griffith. Com pouco mais de 70 minutos de duração, o filme tem um nome chamativo, mas na verdade a história é bem superficial e decepcionante não despertando grande interesse, servindo praticamente apenas como um pretexto para mostrar os ataques de um monstro assassino (interpretado por Christopher Robinson), que habitava a escuridão de uma caverna.



As cenas com a criatura são poucas e quando ela aparece, suas ações são muito rápidas e de visualização prejudicada pela fotografia escura demais, exceto pela seqüência final dentro de seu próprio ambiente, onde ocorre um sangrento confronto entre o monstro vampiro e os assaltantes de banco, com um desfecho tradicional e totalmente previsível.

Vale conhecer como curiosidade, por se tratar de mais uma daquelas tranqueiras produzidas em preto e branco há quase meio século atrás, com produção executiva do cultuado Roger Corman, e pela fera absurda do título.

“A Besta da Caverna Assombrada” foi lançado em DVD no Brasil pela “Fantasy Music” em Setembro de 2006, na coleção “Sessão da Meia-Noite”, trazendo no mesmo DVD o divertido “O Cérebro Que Não Queria Morrer” (The Brain That Wouldn´t Die, 1962), dirigido por Joseph Green e com Jason Evers, Virginia Leith e Leslie Daniels.



“A Besta da Caverna Assombrada” (Beast From the Haunted Cave, Estados Unidos, 1959) # 407 – data: 29/10/06 – avaliação: 5 (de 0 a 10) - blog: www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 30/10/06)

Renato Rosatti
O CÉREBRO QUE NÃO QUERIA MORRER

“O cérebro dela foi mantido vivo por experimentos científicos! Por um homem com uma paixão anormal, inspirado em tentar o impossível!” – reprodução de trecho narrado no trailer

Com um título sonoro desses e vendo o pôster de divulgação, que traz a cabeça de uma mulher sobre uma bacia inundada com um líquido misterioso e cercada de aparelhos típicos de um laboratório de “cientista louco”, é muito difícil não despertar um interesse e principalmente curiosidade em assistir “O Cérebro Que Não Queria Morrer” (The Brain That Wouldn´t Die, 1962), bagaceira super divertida da “American International Pictures”, dirigida por Joseph Green a partir do roteiro de Rex Carlton, com fotografia em preto e branco e elenco principal formado por Jason Evers, Virginia Leith e Leslie Daniels.

Um jovem cirurgião, Dr. Bill Cortner (Jason Evers, creditado como Herb Evers), faz experiências secretas em seu laboratório numa casa de campo, com o objetivo de conseguir sucesso no transplante de membros humanos, utilizando um soro especialmente desenvolvido para evitar a rejeição. Quando ocorre um grave acidente de carro que vitimou sua noiva Jan Compton (Virginia Leith), ele consegue recuperar apenas sua cabeça dos escombros em chamas e decidiu mantê-la viva em seu laboratório, repousando-a numa bandeja com o soro. Agora, o desafio do cientista é encontrar um corpo de uma bela mulher, sem chamar a atenção da polícia, para tentar uma cirurgia de transplante na cabeça da noiva, que por sua vez não aceita a condição monstruosa em que se encontra, adquirindo poderes não previstos, distorcendo a mente, adquirindo raiva e conseguindo se comunicar e se aliar com uma aberração grotesca que está mantida presa no porão, fruto das experiências fracassadas do cirurgião.



O filme é curto, apenas 82 minutos, e apresenta uma história bastante ousada para a época de produção, há quase meio século atrás, tanto que ocorreram problemas com a censura devido às cenas fortes e bizarras de horror com direito a uma cabeça viva sem o corpo, um enorme monstro mutante formado por pedaços de cadáveres, um braço amputado de forma sangrenta e nacos de carne arrancados a violentas dentadas.

Em “O Cérebro Que Não Queria Morrer”, como já esperado nesse tipo de produção de baixo orçamento, encontramos os elementos típicos dos filmes de horror daquele período, não faltando o “cientista louco” de plantão, sendo nesse caso um jovem cirurgião que faz sucesso entre as mulheres, sempre que não está trabalhando em suas experiências com transplantes de partes danificadas do corpo humano. Nem falta também o tradicional ajudante e cúmplice de suas barbaridades científicas, sendo nesse caso o cirurgião Kurt (Leslie Daniels), que perdeu o braço direito num acidente e serviu de cobaia nas experiências do cientista, sempre apresentando rejeição com o membro transplantado, e acreditando que um dia deixaria de ser deformado. O laboratório do Dr. Cortner faz lembrar o do seu companheiro de ofício e loucuras (porém, bem mais famoso) Dr. Frankenstein, repleto de líquidos borbulhantes, aparelhos elétricos, tubos de ensaio e instrumentos de medição. Sem contar a similaridade também de sua ambição no transplante de pedaços de corpos humanos, criando um ser monstruoso.

É claro que se fizermos uma análise crítica mais apurada, encontraremos vários furos no roteiro e situações manipuladas apenas para favorecer o trabalho do roteirista, como por exemplo o simples fato de não ocorrer nenhuma investigação da polícia sobre o acidente de carro do Dr. Cortner e sua noiva, na estrada que leva ao laboratório, apesar que toda a ação ocorre rapidamente num final de semana.



Curiosamente, não posso deixar de citar uma frase da apaixonada Jan Compton para seu noivo Dr. Bill Cortner, antes de sofrer o acidente. Ela disse: “Sempre que toca em mim eu perco a cabeça”. Ela não imaginaria que pouco tempo depois perderia o corpo carbonizado e ficaria viva justamente apenas com sua cabeça. Seria irônico e hilário se não fosse trágico...

“O Cérebro Que Não Queria Morrer” foi lançado em DVD no Brasil pela “Fantasy Music” em Setembro de 2006, na coleção “Sessão da Meia-Noite”, trazendo no mesmo DVD o filme “A Besta da Caverna Assombrada” (Beast From Haunted Cave, 1959), produzido pelos irmãos Corman (Gene e Roger, esse último mais famoso e cultuado como o “Rei dos Filmes B”).

“O Cérebro Que Não Queria Morrer” (The Brain That Wouldn´t Die / The Head That Wouldn´t Die, Estados Unidos, 1962) # 405 – data: 28/10/06 – avaliação: 7,5 (de 0 a 10) - blog: www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 30/10/06)

Renato Rosatti