ANO DE LANÇAMENTO
2000 (Japão)
DIRETOR

Kinji Fukasaku

ELENCO
Tatsuya Fujiwara
Aki Maeda
Taro Yamamoto
Chiaki Kuriyama
Yukihiro Kotani
Eri Ishikawa
Sayaka Kamiya
Takeshi Kitano
ROTEIRO

Kenta Fukasaku
Koushun Takami (romance)

PRODUÇÃO

Kenta Fukasaku
Kinji Fukasaku
Kimio Kataoka
Chie Kobayashi
Toshio Nabeshima

FOTOGRAFIA

Katsumi Yanagishima

EDIÇÃO:

Hirohide Abe

MÚSICA:

Masamichi Amano

DISTRIBUIDORA:

Visual Filmes

LANÇAMENTO NO JAPÃO:

16 de Dezembro de 2000

COMENTÁRIOS:

BATALHA REAL
(Battle Royale)


Essa trama de ação se passa em um século 21 alternativo, quando o Japão passa por uma grave recessão, com alto grau de delinqüência juvenil e evasão escolar. Para combater isso o governo sugere uma atitude extrema: cria um programa de sobrevivência para jovens recrutados em todas as escolas do país. É quando entre em cena o professor Kitano (Takeshi Kitano de Zatoichi) e seus 42 alunos. Todos são levados para uma ilha deserta e recebem um kit de sobrevivência com alguns suprimentos e armas. Eles devem ficar no local durante três dias, mas apenas um deve sobreviver, caso contrário todos serão mortos. Dessa forma, cada um luta indivudialmente pela sobrevivência nesse cenário apocalíptico, desunamo e cruel. O filme é baseado em um romance popular no Japão e foi um grande sucesso de bilheteria no país. mais tarde, ainda surgiu uma série de manga, que foi lançado recentemente no Brasil.

CRÍTICAS

“No início do milênio a nação entra em colapso. Os adultos perderam a confiança e temem os jovens. Por isso, eles aprovaram o ato de reforma educacional do milênio.”

O cinema de horror japonês está entre os melhores do mundo, e uma prova disso é o aclamado e cultuado “Batalha Real” (Battle Royale / Batoru Rowaiaru, 2000), lançado em DVD no Brasil pela “Visual Filmes” em Fevereiro de 2007. Dirigido por Kinji Fukasaku, a partir de roteiro de Kenta Fukasaku (baseado em livro de Koushun Takami), o filme mostra a sangrenta batalha travada por quarenta e dois jovens estudantes comuns, obrigados pelo governo japonês a lutarem entre si até a morte, isolados numa ilha de dez quilômetros de extensão durante três dias, vigiados pelo exército, e com regras que possibilitassem apenas um único sobrevivente que seria o ganhador do jogo mortal.



Com um fascinante e inusitado argumento básico como esse, totalmente insano e diferenciado, fica fácil prever e imaginar o resultado final: um filme que prende a atenção durante as quase duas horas de projeção, interagindo com o espectador para acompanhar o destino dos adolescentes. “Batalha Real” tem mortes sangrentas, cenas tensas de perseguição, e o mais importante e significativo que é uma crítica social ao comportamento humano. Desde a incrível decisão do governo em eliminar a rebeldia dos jovens obrigando-os a aniquilarem violentamente uns aos outros (eles não têm escolha, uma vez que receberam um colar preso ao pescoço que pode explodir e dilacerar suas gargantas caso se neguem a participar do jogo), até a evidência de como é possível mudar rapidamente a conduta de amigos para inimigos mortais, descartando totalmente uma antiga confiança existente, em função de interesses pessoais e da defesa da própria vida a qualquer custo, mesmo se for com as mãos sujas de sangue dos colegas de classe.



Esse é o verdadeiro comportamento da raça humana, que abandona a hipocrisia e falsidade do cotidiano e resgata a mais profunda selvageria interior se for para defender seus próprios interesses. Nesse sentido, “Batalha Real” é brilhante. Mas, além disso, o filme também tem méritos e qualidades em outros quesitos muito procurados pelos apreciadores do cinema de horror, pois não faltam cenas de mortes violentas, repletas de tiroteios, facadas, ataques com todo tipo de armas (machados, foices, revólveres, metralhadoras) e muito sangue de adolescentes espalhado para todos os lados, manchando o chão da ilha de vermelho.

Duas cenas em particular valem um registro especial. (Atenção, pois dependendo do ponto de vista do leitor, o que vem a seguir poderá ser um “spoiler”). Um garoto está à procura de uma menina que sempre admirou, mas por causa da timidez nunca se declarou. Após finalmente encontrá-la para tentar protegê-la, ela sente-se ameaçada e dispara sua arma contra ele. Mas o jovem está agora feliz por se declarar (já que a morte é praticamente certa, que seja então pelas mãos da amada). Seria hilário se não fosse trágico... Em outro momento, um grupo de amigas se reúne no alto de um farol. Elas unem forças para tentar se defenderem das ameaças dos outros competidores, num inteligente exercício de cooperação. Porém, um acidente com uma delas elimina repentinamente a aparente confiança mútua, culminando numa carnificina digna da estupidez humana.



“Batalha Real” é altamente recomendável como um dos ótimos exemplos do cinema de horror japonês, e que para nossa sorte chegou ao Brasil em DVD. Teve uma continuação em 2003.

“Batalha Real” (Battle Royale / Batoru Rowaiaru, Japão, 2000) # 429 – data: 02/04/07 – avaliação: 8,5 (de 0 a 10) - blog: www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 30/10/06)

Renato Rosatti