ANO DE LANÇAMENTO
2001 (EUA/Inglaterra)
DIRETOR

Rob Green

ELENCO
Jason Flemyng
Andrew Tiernan
Christopher Fairbank
Simon Kunz
Andrew Lee Potts
John Carlisle
Eddie Marsan
Jack Davenport
ROTEIRO

Clive Dawson

PRODUÇÃO

Daniel Figuero

EDIÇÃO

Richard Milward

LANÇAMENTO NOS EUA:

8 de Junho de 2004 (DVD)

DISTRIBUIDORA:

Daylight

BUNKER, THE - EM GUERRA CONTRA O MEDO
(The Bunker)


Essa apavorante e angustiante história começa quando um grupo de sete soldados alemães se encontram em um bunker anti-tanques, durante a II Guerra Mundial. O local está em meio a densa mata de uma floresta na Bélgica e é vigiada por um veterano combatente e seu jovem soldado. Os homens que estão lá dentro logo descobrem que nos fundos do bunker está uma cadeia de túneis usados para massacrar vítimas da peste durante o conflito. É nesse claustrofóbico túnel que passam a ocorrer os mais estranhos eventos. Logo eles se vêem rodeados pelos inimigos ao mesmo tempo em que alucinações inexplicáveis passam a assombrá-los. Com isso, eles descobrem que o medo pode ser sua pior desgraça e que a mesma coisa capaz de salvá-los, também pode ser sua derrota.

CRÍTICAS

"Quando você olha para um abismo por muito tempo, o abismo começa a olhar para você". É com esta frase do filósofo Friedrich Nieztche que inicia THE BUNKER - EM GUERRA CONTRA O MEDO, uma produção independente e conjunta entre EUA e Inglaterra lançada em 2001, que só agora chega ao mercado nacional. Trata-se de uma interessante, embora muita lenta, história de horror que tem a Segunda Guerra Mundial como pano de fundo. Lembra outras produções que mesclam terror e guerra, como o cult A FORTALEZA INFERNAL, de Michael Mann, e também tem uma enorme semelhança com outro filme inglês, GUERREIROS DO INFERNO, lançado em 2002 (eu até diria que a trama de ambos é MUITO parecida).



Antes de começar a falar sobre o filme, vou deixar apenas um aviso aos navegantes: o DVD lançado no Brasil por uma nova distribuidora, chamada Daylight, é simplesmente um lixo. Eu não havia visto nada tão porco e desrespeitoso com o consumidor desde a cópia de PRELÚDIO PARA MATAR sem metade das legendas que a Editora Works lançou há alguns anos. Mas o DVD nacional deste THE BUNKER é pavoroso de tão ruim: além da imagem ter riscos horizontais (parece ter sido capturada de videocassete, ou mesmo de um arquivo baixado da internet), na metade final do filme O ÁUDIO ATRASA EM RELAÇÃO À IMAGEM!!! Não sei se é problema apenas na cópia que eu assisti, mas se for global a distribuidora pelo menos deveria recolher o produto do mercado imediatamente. Tipo, o ator começa a mexer a boca e o som sai um segundo depois, você só consegue continuar assistindo se trocar o som original pela dublagem em português, que aí sim está no tempo correto. Um verdadeiro horror!

Com direção de Rob Green (responsável por filmar o aguardado DOG SOLDIERS 2) e roteiro de Clive Dawson, THE BUNKER não é um filme fácil e nem para todos os públicos. A história começa na Alemanha de 1944, em plena Segunda Guerra, nos escuros corredores de um bunker (abrigo subterrâneo, muito utilizado naquela época para que os homens pudessem se proteger tanto de ataques terrestres quanto das bombas lançadas por aviões). Ali, um grupo de soldados alemães tenta conter "algo" que está prestes a sair de um túnel recém-aberto. Quando eles percebem que as luzes estão começando a falhar, resolvem sair correndo do local e não se fala mais neles.



Alguns meses depois, os sobreviventes de um pelotão nazista dizimado pelos aliados americanos correm para buscar refúgio no bunker, com balas zunindo por todos os lados. Esta cena, com impressionantes efeitos sonoros, lembra os bons filmes de guerra. Os sete sobreviventes se enclausuram no abrigo, onde encontram apenas um velho tenente chamado Mirus (John Carlisle) e o jovem soldado Neumann (Andrew Lee Potts, que estará em RETURN TO HOUSE ON HAUNTED HILL). Cercados no interior do bunker, sem comunicação, comida, munição e nem a possibilidade de receberem reforços, os soldados começam a ficar paranóicos. Eles acreditam que estão cercados por soldados inimigos escondidos na floresta ao redor do abrigo, mas o espectador, ironicamente, nunca vê ninguém - nem sabe se o cerco é verdadeiro ou apenas coisa da imaginação dos nazistas.

É quando eles descobrem que há um sistema de túneis subterrâneos no abrigo, e um destes túneis poderia talvez levar a uma saída alternativa, de onde poderiam chamar reforços. Só que Mirus conta uma história horripilante, sobre contaminados com a Peste Negra que foram enterrados vivos naquele mesmo local, tentando dissuadir os soldados a descerem até os túneis. É claro que eles não vão obedecer, e logo as coisas começarão a ficar assustadoras, com pessoas desaparecendo, outras morrendo e alguma misteriosa presença ameaçando os sobreviventes. Serão os inimigos que supostamente cercam o bunker ou fantasmas despertados naqueles tétricos corredores subterrâneos?



Há detalhes bem interessantes em THE BUNKER. Um deles é que não há heróis nem um personagem principal por quem o espectador possa se identificar. Até mesmo os dois atores mais conhecidos (Jason Flemyng, de BRUISER - A MÁSCARA DO TERROR, e Andrew Tiernam, de 300) têm o mesmo tempo em cena e importância na trama que os coadjuvantes. O outro detalhe é que não há sustos falsos. Nas cenas em que os soldados caminham sozinhos nos corredores do bunker, seria muito fácil o diretor colocar algo como um amigo chegando por trás e dando um susto falso no soldado e no espectador, mas isso nunca acontece. Nem mesmo aqueles chamados "sustos de som", quando a trilha sobe até o esperado "TCHARAM"! Neste aspecto, o filme é louvável, pois consegue manter a atenção sem apelar para estes artifícios desonestos.

O grande problema da trama é a excessiva lentidão. Pouco ou nada acontece até uma hora de projeção, embora o nível de suspense e tensão mantenha-se alto nos 20 minutos finais. O espectador fica completamente perdido o tempo inteiro, sem saber o quê, afinal, está acontecendo. O bunker é assombrado pelos pesteados mortos na Idade Média? Os soldados estão sendo perseguidos pelos inimigos que mataram no campo de batalha? Os aliados estão realmente se infiltrando no bunker e fazendo tortura psicológica para matar os alemães um por um? Talvez um dos próprios soldados é um assassino que está aniquiliando os colegas? Ou todos eles enlouqueceram no conflito? A resposta só vem no final, e não é das mais fáceis de digerir...

Embora mais de uma vez eu tenha olhado para o relógio e me perguntado o que fazia assistindo o filme (justamente porque quase nada acontece durante um período muito grande de tempo), confesso que ao final gostei da idéia. É justamente um horror à antiga, lento e climático, como os ingleses, principalmente, adoravam fazer (lembra as produções da antiga Hammer). Não há violência, não há efeitos especiais computadorizados, não há monstros gosmentos, não há sustos falsos e nem nudez gratuita (aliás, o filme não tem uma única mulher em cena!). É tão difícil, hoje, ver uma boa história de horror que não apele para estes elementos que THE BUNKER definitivamente merece uma olhada.

O filme só perde pontos em matéria de diversão porque, embora bem interessante e diferente, não é para todos os públicos. O desenvolvimento lento é um convite ao sono, por isso você tem que estar condicionado ao que vai ver e no clima adequado. E nada de tentar fazer uma sessão conjunta com amigos embriagados ou piadistas. Esqueça a capinha (que mostra um esqueleto vestido de soldado e dá uma idéia errada sobre a trama) e prepare-se para um terror psicológico, sem efeitos, sem sangue jorrando e com mínimos toques sobrenaturais. Como já acontecia em GUERREIROS DO INFERNO, a mensagem final é bem clara: a própria guerra, e a forma violenta como ela transforma os soldados, é muito mais assustadora que fantasmas e demônios.

HISTÓRIA:    
GORE:    
EFEITOS:    
DIVERSÃO:    

Felipe M.Guerra