ANO DE LANÇAMENTO
1987 (EUA/Itália)
DIRETOR

Ruggero Deodato

ELENCO
Bruce Penhall,
Mimsy Farmer
David Hess
Charles Napier
Luisi Maneri
Andrew Maneri
ROTEIRO

Alessandro Capone
Dardano Sacchetti
Luca D'Alisera
Sheila Goldberg

SITE OFICIAL

não divulgado

DURAÇÃO

85 minutos

ESTRÉIA NA ITÁLIA:

14 de maio de 1987

DISTRIBUIDORA:

Paris Vídeo

CONTAGEM DE CADÁVERES
(Body Count/ Camping del terrore)


Jovens passam temporada em acampamento onde há a lenda de um feiticeiro indígena que mata as pessoas que encontra na floresta. Logo as mortes começam...

CRÍTICAS

A cena mais assustadora de CONTAGEM DE CADÁVERES (ou CAMPING DEL TERRORE, no original italiano) é logo nos créditos iniciais, quando aparece "Directed by Ruggero Deodato". Porque você simplesmente não vai conseguir acreditar que o cineasta italiano responsável pelo genial CANNIBAL HOLOCAUST e pelos excelentes O ÚLTIMO MUNDO CANIBAL, CUT AND RUN e, vá lá, pelo ultra-trash OS CAÇADORES DE ATLÂNTIDA esteja assinando um filme tão ruim e "comum".

Trata-se de um filme de terror italiano filmado em 1985 e lançado apenas em 87, e que é um aproveitamento tardio do filão dos slasher movies, iniciado com HALLOWEEN, de John Carpenter, em 1978, e seguido por SEXTA-FEIRA 13, de Sean S. Cunningham, em 1980, e mais uma dezena de imitações de todos os tipos e qualidades. Ou seja, quando CONTAGEM DE CADÁVERES saiu, tudo que ele mostrava já era mais do que clichê, especialmente a trama batida (assassino misterioso persegue jovens em um acampamento de férias). Além do mais, outro cineasta italiano, Michele Soavi, já tinha feito muito melhor a "sua" homenagem aos slasher movies americanos em AQUARIUS, de 1986, lançado no Brasil como O PÁSSARO SANGRENTO - um filmão.

Mesmo assim, essa produção mesquinha de Deodato poderia ter algum diferencial se o diretor fizesse o que sabe fazer melhor: oferecer ao espectador cenas macabras e grotescas de violência. Mas nem isso acontece! CONTAGEM DE CADÁVERES realmente foi feito para parecer um slasher movie americano nos seus mínimos detalhes, inclusive as mortes editadas rapidamente, em poucos segundos. Tudo o que Deodato mostra aqui (machados enterrados na cabeça, facas enterradas no pescoço, pessoas atravessadas com facões), Jason já tinha feito antes, e melhor, na sua interminável série SEXTA-FEIRA 13. Fica, então, uma evidente sensação de tempo perdido, mesmo para fãs de slasher movies em geral, porque tudo é muito mal feito.

A história começa nos anos 70, com dois jovens indo namorar no bosque, à noite, apesar dos protestos do pai da menina, o dr. Olsen (John Steiner, de CUT AND RUN). Logo depois da transa (que não é mostrada), a mocinha vai dar a tradicional volta pelo bosque e se distancia da barraca, topando com um assassino misterioso com um rosto grotesco. Ele a persegue e a mata. Mais tarde, o namorado também vai para o saco. Aqui vem a primeira cena ridícula de CONTAGEM DE CADÁVERES: o rapaz se aproxima do corpo do que parece ser a namoradinha, com blusinha, saia e cabelos encaracolados. Mas então, ao virá-lo, descobre que é o assassino, fingindo ser a garota, já morta, para pegá-lo de surpresa! Olha a idéia de jerico: o assassino mané teve que vestir a roupa da garota, cortar seus cabelos encaracolados para usar de peruca e ficar deitado no chão se fingindo de morto por mais de meia hora até o garoto aparecer!!! Não seria mais fácil e prático ficar escondido atrás de uma árvore, se o negócio era pegá-lo de surpresa?

Bem, passam-se 15 anos e o escândalo da morte dos dois adolescentes fez com que o administrador do acampamento onde eles foram mortos, Robert Ritchie (interpretado por David Hess, de LAST HOUSE ON THE LEFT), resolvesse fechar o lugar para sempre (SEXTA-FEIRA 13, alguém?). Mas dois grupos de adolescentes chegam ao local sem dar bola para a lenda, que diz que um velho shaman (feiticeiro índio) circula pela floresta fazendo vítimas, pois o acampamento teria sido construído sobre um velho cemitério indígena - que NÃO ressuscita os mortos, como em O CEMITÉRIO MALDITO. Bem feito para eles que não acreditaram: logo o shaman aparece e todos começam a ser mortos um a um de forma violenta, mas nada que o espectador realmente já não tenha visto antes. E a maioria das mortes é "off-screen", aumentando a vontade de passar todo o filme para a frente com o Fast Foward do controle remoto.

Deodato dirige todo o filme sem qualquer vontade ou empenho. Não há uma única cena que lembre o diretor dos velhos tempos de CANNIBAL HOLOCAUST. Adoraria poder entrevistar Deodato, pois tenho certeza absoluta que ele só fez o filme por grana, e isso fica evidente na ruindade do filme. Para piorar, ele desperdiça um dos melhores elencos já reunidos numa produção italiana. Tem os americanos David Hess e Charles Napier (veterano de uma centena de filmes B, que interpreta o xerife durão); tem Ivan Rassimov (O ÚLTIMO MUNDO CANIBAL), John Steiner, Mimsy Farmer (AUTOPSY), Nancy Brilli (DEMONS 2) e até Valentina Forte (namoradinha de Deodato na época, que fez CUT AND RUN). Todos desperdiçados, boa parte deles entrando mudos para sair calados. Steiner e Rassimov, coitados, nem fazem parte da trama principal, e suas cenas parecem estar ali apenas para aumentar a duração do filme!

Os jovens são tão burros e antipáticos que não existe forma do espectador simpatizar com eles. E é até um alívio quando morrem, fazendo burradas do tipo entrar em cabanas abandonadas no meio da floresta! Mas o pior é a quantidade de diálogos imbecis que eles disparam. Logo no começo, uma loirinha safada aperta a cabeça de um rapaz contra seus peitos e pergunta: "Do que você gosta?". A resposta do mané: "Além de MIAMI VICE?". hahahhaha. E quando dois rapazes observam uma mocinha de topless? "O que acha da Fulana?", pergunta um. "Ela é legal", limita-se a responder o outro. hahahahaha. Tem também o tradicional gordo burro desse tipo de filme, que protagoniza a cena mais brochante, de nudez frontal, avacalhando totalmente com o filme - slasher movies deviam ter gostosonas peladas, não gordos escrotos! Quer dizer, até tem umas gostosas peladas, mas não em quantidade suficiente para compensar a visão do inferno que é o gordão pelado!

O roteiro fraquíssimo assinado a oito (!!!!) mãos é dos mais enrolões, disparando uma centena de pistas falsas sobre a identidade do assassino - não vá me dizer que você realmente engoliu a "lenda" do shaman? Inventa até uma relação do xerife com a esposa do dono do acampamento e um ursinho de pelúcia que aparece e desaparece do local dos crimes, detalhes que só estão ali para enrolar. E termina com um "final Scooby-Doo", onde o xerife tira a "máscara de Shaman" e revela a identidade do assassino (uma bobagem que não faz o menor sentido).

O roteiro é de Alessandro Capone (que dirigiu o interessante A CASA DO DIABO), Dardano Sacchetti (envergonhado, apelou para o pseudônimo "David Parker Jr."), Luca D'Alisera e Sheila Goldberg. Eles não se preocupam nem mesmo em criar um mínimo de coerência, pois os personagens mortos ficam desaparecidos há horas e até dias sem que alguém note a falta deles ou se preocupe com o fato. E num filme que é todo ruim, das interpretações ao roteiro, até a trilha sonora do sempre competente Claudio Simonetti (aquele mesmo da banda Goblin, que sozinho tinha feito trilhas inesquecíveis como a de DEMONS e CUT AND RUN) foi afetada e ficou ruim e chata. Aliás, como toda esta produção equivocada.

Só não se pode acusar os produtores de propaganda enganosa: CONTAGEM DE CADÁVERES, realmente, é apenas isso, uma alta contagem de cadáveres. O problema é que o espectador nunca se importa com o que está acontecendo. O filme é chato, repetitivo e desnecessário, como metade dos filmes de Ruggero Deodato, que decaiu muito desde o polêmico e clássico CANNIBAL HOLOCAUST.

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Felipe M.Guerra