CLÃ DOS VAMPIROS, O
Vampire Clan

ANO:   2002
PAÍS:   EUA
DURAÇÃO:     90 minutos
DISTRIBUIDORA:     Universal Studios
DIREÇÃO:   John Webb
ELENCO:     Mimi Craven, John Berczeller, Mariana Black
CARACTERÍSTICAS:    Colorido; Legendado


SINOPSE:     Na cidade de Eustis, no estado da flórida, os pais de uma garota são assassinados . A polícia persegue um grupo em fuga de cinco adolescentes que integram uma seita de vampiros. eles são capturados em Nova Orlens e então explicam como tudo aconteceu.


CRÍTICAS:     Todos os dias a nossa TV serve de palco para a exibição de crimes bizarros, envolvendo jovens, loucos, pais de família, crianças etc. O sangue que transborda na tela já não surpreende mais, apenas causa repugnância, gera protestos, comoção popular e indignação nas pessoas de bem. Apesar dos esforços e passeatas, a violência continua a atrapalhar nossos sonhos, destruir famílias, gerar pânico e medo no cidadão brasileiro em proporções inimagináveis. Quantos crimes reais não poderiam servir de roteiro para bons filmes de terror? Talvez muitos. Mas eu, particularmente, prefiro me assustar com a ficção do que com a nossa realidade já tão doente. Da série "baseado em fatos reais" envolvendo crimes violentos, há vários exemplares para todos os gostos: Ed Gein, Ted Bundy, entre outros, como o recém-chegado O Clâ dos Vampiros (Vampire Clan, 2002).
Em 25 de novembro de 1996, em Eustis, Florida, um grupo que se autodenominava Clâ dos Vampiros, formado por jovens de classe média que acreditavam ser criaturas das trevas, cometeu um violento crime que chocou os Estados Unidos. Rod Ferrell, o líder do grupo, aos seus dezessete anos, invadiu a casa da família Wendorf em companhia de Howard Scott Anderson para roubar um carro e acabou assassinando de forma brutal Richard e Naoma Wendorf.
Isso tudo é fato. Você encontra essas informações em diversos sites americanos, inclusive com explicações cheias de detalhes e chocantes. Mas, se você não mora na América e espera que a produção apresente material suficiente para a compreensão dos fatos, desista, pois O Clã dos Vampiros é feito especialmente para quem já viu a tragédia nos telejornais da época. O enredo é cheio de buracos em sua narrativa extremamente lenta, não permitindo que saibamos mais sobre a natureza dos crimes, a origem do grupo e até mesmo o passado dos criminosos, fatos que seriam importantes para entendermos a razão de tanta violência.
Começa com Jeni Wendorf se despedindo de seu namorado depois de alguns amassos dentro de seu carro e indo para casa apressada para que seus pais não percebam o atraso naquela noite. Chegando em casa, uma verdadeira mansão, ela nota um silêncio sobrenatural na residência e caminha para seu quarto, onde trocará de roupa e depois telefonará. Assim que percebe que o fio de telefone está cortado, a jovem acredita se tratar de algum problema entre sua irmã e seus pais, então desce para a cozinha para comer alguma coisa na geladeira. O que ela encontra é o ponto alto do filme: sua mãe morta, completamente desfigurada, na cozinha, com sangue para todo lado. Ela corre em direção a seu pai, sentado no sofá da sala, e o encontra também no mesmo estado, todo ensangüentado e quase aos pedaços.
"Quem fez isso gosta de sangue!" - diz um dos policiais quando encontra os corpos e questiona a ausência de pistas dos assassinos. Para piorar a investigação e aumentar o mistério, Heather, irmã de Jeni, está desaparecida, sob suspeita de seqüestro. Segundos depois, a tensão se extingue quando uma amiga de Heather informa que ela não foi seqüestrada pelos criminosos, a garota foi por livre e espontânea vontade. A polícia recebe uma informação do paradeiro dos jovens e rapidamente prende todo o grupo numa ação emergente e bem realizada. Então, a partir da prisão, teremos a confissão dos jovens e os relatos dos hediondos crimes nas palavras dos principais envolvidos.
Com um ritmo lento e repleto de diálogos e situações desnecessárias, O Clã dos Vampiros não causa emoção alguma no espectador. Saber que os jovens bebiam sangue e também o modo como agiram no dia de Ação de Graças não parece ser interessante, além de ser bastante óbvio no relato dos acusados. O diretor também contribui para o nosso cansaço através de longos flashbacks repetitivos, que apresentam a mesma cena que vimos no começo do filme, mas sob outro ângulo. Talvez esse recurso até poderia funcionar, se o enredo tivesse alguma reviravolta que, com a alteração do prisma, permitiria a revelação. Porém, não há final surpresa, nem nenhuma novidade será apresentada no último ato.
Tendo em vista os buracos do roteiro, vou relatar algumas informações verdadeiras, mas que não estão presentes no filme:

- Rod Ferrell, o líder dos vampiros, é filho de pais adolescentes que costumavam envolvê-lo em rituais de sacrifício, culto à magia negra e ingestão de sangue. Sua mãe, que também sempre se vestia de preto, assumiu a criação defeituosa do filho no tribunal.
- Antes de formar o grupo de vampiros, Rod enfrentou diversos problemas na escola e com a polícia local. Ele costumava dizer que tinha 500 anos e se chamava "Vesago". Era bastante comum encontrá-lo em cemitérios durante a noite.
- O Clã dos Vampiros costumava jogar um famoso jogo de RPG chamado Vampiro: A Máscara. Nos jogos, eles buscavam a perfeição, através de ferimentos no corpo, escorrimento de sangue e violência.

Assim, "O Clã dos Vampiros" é uma produção sem alma, feita com o propósito de apenas relembrar a tragédia da época, mas não funciona como filme de suspense ou qualquer outro gênero. Além de possuir uma capa exagerada e um título comercial, a sinopse tentará atraí-lo com palavras de impacto, numa espécie de sedução vampírica. Não se engane, há mais coisas entre as locadoras e os cinemas, do que esses filmes medíocres...

Marcelo Milici

COTAÇÃO:    

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