ANO DE LANÇAMENTO
1974 (EUA)
DIRETOR

Norifumi Suzuki

ELENCO
Yumi Takigawa
Emiko Yamauchi
Yayoi Watanabe
Ryouko Ima
Harumi Tajima
Yuuko Oribe
Marie Antoinette
Emi Shiro
Rie Saotome
Sanae Obori
Kyouko Negishi
ROTEIRO

Masahiro Kakefuda
Norifumi Suzuki

MÚSICA

Masao Yagi

DESENHO DE PRODUÇÃO

Shuichiro Nakamura

LANÇAMENTO NO JAPÃO:

16 de fevereiro de 1974

DISTRIBUIDORA:

inédito no Brasil

CONVENT OF THE SACRED BEAST / SCHOLL OF THE HOLY BEAST / SEIJÚ GAKUEN
(Convent of the Sacred Beast / School of the Holy Beast / Seijû gakuen)


Repleto de violência, sexo e algumas ousadas cenas de blasfêmia, este filme é provavelmente o maior representante do nunsploitation. Quando uma jovem decide investigar a morte de sua mãe, entrando num convento, ela descobre um terrível antro de prazer e sadomasoquismo.

CRÍTICAS

Um dos subgêneros mais bizarros do Cinema Exploitation é aquele dedicado a explorar imagens extremas de sexo e violência encenadas por mulheres vestidas como Monjas/Freiras - o nosso famoso e Politicamente Incorreto Nunexploitation. Dos muitos exemplares cinematográficos desse subgênero temos clássicos absolutos como "Love Letters of a Portuguese Nun", do espanhol Jesus Franco e o mexicano "Satanicum Pandemonium", além das incursões italianas feitas por célebres diretores como o genial Joe D’Amato. A expansão desse grupo interessante de filmes singrou mares mais distantes chegando ao Japão, onde em 1974 o polêmico diretor de "Beautiful Girl Hunter", Norifumi Suzuki, lançou o clássico absoluto CONVENT OF THE SACRED BEAST.

Nesse filme testemunhamos a jornada da jovem noviça Maya, interpretada pela bela Yumi Takigawa, dentro de um sinistro convento no Japão onde sua arquitetura de corredores sombrios e de formas ogivais tipicamente góticas acabam construindo o cenário perfeito para a mescla de horror e beleza extremos que contarão a jornada de nossa heroína. Na abertura do filme ela ainda experimenta os prazeres do mundo exterior passeando com amigos e se entregando a um homem numa espécie de despedida do mundo exterior e seus prazeres carnais e mundanos. A música antológica de Mafao Yagi e a Fotografia singular de Masso Shimizu completam a construção audiovisual desse labiríntico filme de horror muito particular. A iniciação de Maya é um momento de rara beleza nos enquadramentos que constroem uma atmosfera ritualística que mistura erotismo e devoção, passeando entre o sagrado e o profano mostrando o corpo nu da jovem noviça sendo coberto com um véu branco após ela beijar um crucifixo.

Logo a tensão do corpo passa a ser uma constante quando ela testemunha o ato de auto-flagelação de uma colega, que com o torso despido, se chicoteia tentando afastar as tentações. O jogo de luzes e sombras sobre o corpo despido da Noviça mostra as marcas sangrentas do chicote e o efeito de um quase transe desta diante de tamanha dor e sacrifício.

Em uma outra seqüência duas noviças são punidas tendo de ficar nuas uma diante da outra e se agredirem também com um chicote. A mesma estilização visual reaparece mostrando os corpos nus sofrendo a violência carnal dos chicotes onde a luz e a sombra destacam novamente as feridas sangrentas. O sangue parece ser um fio condutor da trama até o final onde toda a tela recebe um banho de sangue denso a escorrer. Depois da punição mútua das duas noviças vemos uma cena típica de filmes exploitation com elenco predominantemente feminino: em meio às flores de um jardim no interior do convento duas noviças se entregam ao prazer em uma sequência quente de lesbianismo capaz de satisfazer os tarados de plantão, principalmente se estes curtirem garotas orientais. Nessa altura do filme tudo pode acontecer, e vai.

O único protagonista masculino do filme aparece na bizarra figura do Padre Kakinuma, interpretado pelo mega-canastrão Fumio Watanabe, que usa peruca e barba postiças e já na primeira cena do Confessionário acaba abusando sexualmente de uma Noviça que é colocada por ele na cama fazendo a popular posição “Frango-Assado”, simplesmente inacreditável. Sua presença de um quase Rasputin estilizado - embora apareça em poucos momentos - tem grande importância principalmente para o desfecho da história. Em uma cena onde Maya cuida de uma antiga Freira doente, esta lhe faz revelações do passado narrando um trágico incidente ocorrido num 25 de dezembro no próprio Convento onde uma Freira se enforcou. Nessa lembrança em flashback é mostrado o corpo suspenso da Freira enforcada onde um movimento de descida da câmera mostra uma poça de sangue no chão seguida da imagem de um vitral colorido e geométrico que se rompe em muitos cacos. Essa cena se assemelha muito a famosa seqüência do duplo homicídio na abertura do filme SUSPIRIA, 1977, de Dario Argento, onde uma jovem enforcada tem uma poça de sangue no chão, abaixo de seu corpo suspenso, cuja ação ocorre após o rompimento de um teto de vitrais também coloridos e geométricos. Fica clara nessa análise de Cinema Comparado, onde o Mestre Argento se inspirou para criar sua famosa seqüência em SUSPIRIA.

Juntamente com "Convento of the Sacred Beast", o filme de Brian de Palma - O Fantasma do Paraíso - também de 74, forma a dupla de filmes de vital importância para a composição de "Suspiria" de Dario Argento. O filme de Suzuki ainda reserva ao menos duas seqüências brutais, porém, belas em seus extremos estéticos. Na primeira, uma Noviça é despida diante das sádicas freiras do Convento e tem o corpo amarrado por galhos cheios de espinhos que começam a causar sangrentas feridas punitivas. Com olhares de prazer mórbido um grupo de freiras bate no rosto da noviça imobilizada com buquês de rosas vermelhas. Em slow motion o rosto da Noviça se move com a força dos golpes em meio a uma onírica chuva de pétalas vermelhas. A composição do corpo imobilizado da jovem mulher também se observa na já citada seqüência do duplo homicídio em "Suspiria". Outra cena do filme de Suzuki mostra uma Noviça que está grávida sendo torturada como se fosse uma Bruxa. Imobilizada por correntes ela é obrigada a beber água do mar agonizando horas até expelir sangue pela vagina sobre um quadro em auto-relevo de um crucifixo, criando assim uma das cenas mais perturbadoras da História do Cinema Extremo.

Blasfêmias absurdas se seguem nessa obra que merece ser descoberta. Um filme de estranhas belezas e mistérios que não deixa ninguém indiferente, nem mesmo os fãs mais tarimbados do Horror Cinematográfico.

Marcelo Carrard
mondopaura.zip.net