CASA DO HORROR, A
Horror House On Highway 5

ANO:   1985
PAÍS:   EUA
DURAÇÃO:    
DISTRIBUIDORA:    Nacional Vídeo
DIREÇÃO E ROTEIRO:   Richard Casey
ELENCO:    Phil Therrien; Max Manthey
CARACTERÍSTICAS:    Legendado




SINOPSE:    Psicopata e seus dois filhos comprazem-se em aterrar grupo de estudantes.




CRÍTICAS:     Quando você acredita que já viu tudo o que de mais doentio foi feito em matéria de cinema independente, surge uma pequena pérola chamada HORROR HOUSE ON THE HIGHWAY FIVE e joga no vaso sanitário todos os seus conceitos sobre "bizarro", "maluco" e "doideira". Lançado no Brasil como A CASA DO HORROR pela Nacional Vídeo, é uma daquelas "coisas" que você não encontra nas locadoras nem com reza braba. Detalhe: mesmo lá nos States, onde o filme foi realizado, ele é tão raro que as citações sobre a produção na Internet não passam de meia dúzia de sites (o mais completo deles é o http://www.hysteria-lives.co.uk/hysterialives/Hysteria/horro_house_on_highway_5.htm).
Esquisito é elogio para descrever A CASA DO HORROR. Trata-se de um dos filmes mais loucos que eu já vi. Nem as obras de David Lynch, tipo A ESTRADA PERDIDA e CIDADE DOS SONHOS, conseguem dar tamanho nó no cérebro. E os nerds que defendem a trilogia MATRIX pela sua "complexidade" deveriam ver A CASA DO HORROR para sentir como estão tão errados. Trata-se, simplesmente, do filme mais "sem pé nem cabeça" já feito. Aparentemente, foi escrito e dirigido sob influência de drogas pesadas, que tiraram completamente o juízo dos envolvidos no projeto.
Tem um detalhe: ele está longe de ser um filme ruim, mas também está a anos-luz de ser bom. É um verdadeiro mistério: o que faz uma pessoa saudável, como eu, a escrever tanto sobre uma "coisa" tão esquisita? Bem, talvez tudo isso faça parte da estratégia do diretor/roteirista Richard Casey, que aparentemente realizou uma grande brincadeira junto com outros estudantes de cinema (alguns atores nem foram creditados com seus nomes completos, outros assinam com pseudônimos). E a mistura de referências a filmes como O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, SEXTA-FEIRA 13 e FANTASMA torna toda a "brincadeira" ainda mais maluca, com a inclusão de um suspeito humor negro.
A CASA DO HORROR começa com a dupla central da trama. o sinistro dr. Mabuse (Phil Terrien, cujo personagem tem o mesmo nome de uma imortal criação do cineasta alemão Fritz Lang) e seu "assistente", o retardado Gary (Max Manthey), brincando com um baralho de tarô. Mabuse mostra a Gary a carta da morte, com o desenho de um esqueleto e a inscrição em espanhol: "La Mort". O rapaz responde: "Essa eu conheço! É a morte!". "Não", responde Mabuse, "é a carta do amor. Leia embaixo: L´amour". Contrariado, Gary retruca: "Mas é um esqueleto!", ao que o doutor justifica: "Mas ele está sorrindo!".
Entram os créditos iniciais e somos transportados a uma casa qualquer, onde uma garota lava os pratos enquanto seu namorado aparece para assustá-la com uma máscara de látex imitando o rosto do ex-presidente americano Richard Nixon. O susto não se concretiza. A mulher passa uma carraspana no rapaz e vai tomar banho, enquanto ele vai até o carro e é morto por um misterioso assassino escondido no banco de trás do automóvel.
Passamos então à cena de banho mais broxante da história do cinema, onde a atriz (Kathleen Battersby), além de ser simplesmente horrorosa, ainda tem a bunda caída (argh!). Ela coloca uma calcinha e uma camiseta e vai até a sala, onde o assassino está usando a máscara de Richard Nixon, a persegue e a mata. Muito interessante, vale ressaltar, a caracterização do assassino. Tal qual a máscara de Michael Myers, a de Richard Nixon tem um aspecto sinistro e expressivo...
Corta para um colégio qualquer, onde um professor (certamente o pior ator da história do cinema) está passando a lição de casa mais improvável de todos os tempos: ele quer que três estudantes nerds saiam e façam um trabalho sobre o desenvolvimento do foguete alemão V-2 (!!!) durante a Segunda Guerra Mundial (!!!!) e a influência do famoso (!!!!!!) cientista alemão Frederick Bartholomew, que vive nos EUA (!!!!!!!) sob circunstâncias misteriosas (!!!!!!!!!). Para a tarefa, totalmente incompreensível (afinal, qual a lógica de fazer uma pesquisa sobre um tema tão ridículo???), ele convoca Louise Kingsley (Susan Leslie), Sally Smith (Irene F., assim mesmo, com sobrenome abreviado!) e Mike Simpson (Michael Castagnolia, cujo personagem, nos créditos finais, aparece creditado como "pothead", ou "maconheiro"!!!!!).
O professor responsável pela ridícula lição de casa ainda dá uma dica ao trio de alunos: Bartholomew passou o fim da sua vida na pequena cidade de Little Town (traduzindo, "pequena cidade"!!!!), que fica à margem da Rodovia 5 (aí o título original), e onde conduziu vários experimentos.
Enquanto Louise e Mike saem em busca de maiores informações sobre o tal foguete V-2, Sally descobre que na mesma cidade onde eles moram vive um cientista que supostamente trabalhou com o dr. Batholomew, um tipo esquisito chamado dr. Mabuse (lembra do início do filme?). Ela vai até a casa de Mabuse encontrar-se com ele mas, por algum motivo, descobrimos que o cientista e seu assistente Gary são psicopatas e querem seqüestrar a garota. Gary deixa que ela vá embora e depois a segue com um lenço embebido em clorofórmio. Mas na hora de atacar, seqüestra a garota errada! Quando se dá conta do erro, resolve deixar a vítima em uma parada de ônibus!!!! (Que tipo de mente pervertida em forma de roteirista tem uma idéia dessas para um filme de "horror"???).
Mas Sally volta à casa do dr. Mabuse naquela mesma noite. Ele prepara um drink com sonífero para a garota. Ela é levada, dopada, para a tal "casa do horror", que fica, claro, na Rodovia 5. Enquanto isso, Mike pesquisa velhos jornais e encontra um artigo de fevereiro de 1956, dizendo que o nome do dr. Bartholomew estava ligado a vários assassinatos sem solução e que o cientista estava desaparecido.
Mabuse e Gary (cuja conexão com a história até então não existe, e nem fica bem clara no final) torturam Sally em um esquisito e nunca justificado ritual satânico/nazista, onde Mabuse fica cantarolando ladainhas em latim tiradas de um livro de magia negra (!!!!!), enquanto Gary queima a garota com um ferro de passar roupa ligado (!!!!!!). Mas o retardado se apaixona por Sally e revolta-se contra o "chefe", queimando sua mão com o ferro.
Paralelamente, Mike e Louise vão de van até a Rodovia 5 (sabe-se lá por quê!), onde pretendem construir e lançar uma réplica do foguete V-2 (!!!!), aparentemente parte do experimento de aula. Eles nem desconfiam que a coleguinha Sally está aprisionada ali perto.
Anoitece e o casal de estudantes faz uma constatação incrível: há um gato morto dentro da sua van e um cadáver que aparece e desaparece próximo a uma lata de lixo (!!!!!). Com a cabeça alucinada de tanto fumar maconha, Mike resolve que o melhor é eles darem o fora dali. Mas a van, obviamente, não pega. E o psicopata com máscara de Richard Nixon está rondando por ali!
Quando parece que as coisas não podem ficar mais estranhas, acredite, elas ficam. E nada, nada, nada é explicado ao espectador. Lá perto do fim ficamos sabendo que Mabuse e Gary são irmãos (!!!!!!!) e filhos do dr. Bartholomew (!!!!!!!!!), que, aparentemente, é o tal FDP assassino com máscara de Richard Nixon (!!!!!!!!). Aí você faz as contas: se ele era um adulto em 1956, e o filme se passa nos anos 70 (embora tenha sido lançado em 1985), Bartholomew deveria estar com mais de 60 anos!!! Mesmo assim, é um psicopata mascarado que corre e tem extrema força e agilidade. Vá entender???
Mas o pior ainda está por vir: Mabuse descobre que tem parasitas no cérebro (!!!!!), pequenos vermes que caem pelo seu nariz. Ele perde completamente a razão, coloca uma touca com uma enorme suástica e sai para caçar os jovens sobreviventes com uma enorme broca!!!! Enquanto isso, Gary e Sally vivem uma história de amor, embora um dos dois esteja morto - justificando a curiosa frase do cartaz: "Eles são jovens e apaixonados, ele é louco, ela está morta!".
E ainda há mais bizarrice: quando Mike entra na "casa do horror", é agredido por misteriosos mecanismos voadores e afiados (provavelmente semelhantes àquelas esferas metálicas voadoras da série FANTASMA, mas que nunca aparecem, talvez devido ao orçamento reduzido do filme). Uma destas armas letais corta seu pescoço na altura da jugular, fazendo jorrar muito sangue. Sentindo-se tonto, Mike pisa num rastelo e se desequilibra, caindo com a testa bem em cima das pontas metálicas da ferramenta (!!!!!), que fica cravada na sua cabeça! Detalhe: ele não apenas continua vivo, como sai caminhando com o rastelo enfiado na cabeça, numa daquelas cenas bizarras que dá vontade de ver de novo ao chegar no fim do filme!
A CASA DO HORROR termina tão bizarro quanto começou: Louise usa sua réplica do foguete V-2 (hehehehe) como bazuca para explodir o psicopata usando a máscara de Richard Nixon. Quando se aproxima e vai tirar a máscara, a câmera dá um close... mas é apenas um cara normal, não há surpresa nem maiores explicações (será mesmo o dr. Bartholomew???). Mas, como todo bom assassino de filme de horror, ele não morre e volta para uma pequena surpresa, em plena Rodovia 5 - num final aberto que lembra O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, e é o ponto alto do filme.
Esta "coisa" termina deixando mais dúvidas do que certezas. E a sensação que o espectador tem é que acabou de ver um filme de 20 horas de duração, e não 85 minutos, de tão enrolado e complicado que ele é.

No final, entre muitas outras, ficam principalmente as seguinte perguntas:

1-) O trio central de psicopatas tem mesmo parentesco?
2-) Para que serve o ritual que Mabuse e Gary fazem usando Sally como vítima?
3-) Por que um professor sugere um trabalho de aula sobre um foguete alemão e sobre um cientista psicopata?
4-) Como é que Mike e Louise vão construir uma réplica do foguete bem ao lado da casa onde moram Bartholomew e seus dois filhos psicopatas?
5-) O que, afinal, Barthomolew queria matando tantas pessoas? E Mabuse e Gary?
6-) O que são as coisas voadoras que atacam Mike na casa do dr. Bartholomew?
7-) O que é e de quem é o cadáver que aparece e desaparece no local onde Mike e Louise estão construindo o foguete?
8-) Quem é o cúmplice do dr. Bartholomew que aparece no final do filme?

E por aí vai...
Se o roteiro tem mais buracos do que a Lua, pelo menos os movimentos de câmera e a qualidade da imagem dão aquela impressão de amadorismo e documentário, que funcionaram tão bem em O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, salientando que tudo não passa de uma grande brincadeira de estudantes de cinema. Para completar, o ator que interpreta o assassino vestido de Richard Nixon é creditado como "Ronald Reagan" (sim, o ex-presidente americano), e um dos estudantes da cena do colégio é creditado como "S. Eisenstein" (aparentemente, Sergei Eisenstein, diretor soviético de obras-primas do início do século, como O ENCOURAÇADO POTEMKIN).
Resumindo: A CASA DO HORROR é um filme que será simplesmente abominável para quem não entrar no clima "doideira total". Afinal, parasitas no cérebro, rituais satânicos, assassino com máscara de Richard Nixon, rastelo na cabeça e tortura com ferro de passar roupa não são elementos que combinam em um filme supostamente "normal".
É como eu disse: A CASA DO HORROR é um daqueles filmes tão ruins e esquisitos que a gente simplesmente não consegue deixar de falar (ou escrever, neste caso) sobre ele. E o fato de ser uma produção obscura aumenta o prazer de descrever a obra, ou pelo menos tentar explicar um pouco do que parece ser uma das maiores bizarrices já feitas pelo cinema de horror em todos os tempos! Um verdadeiro desafio à lógica e à paciência do espectador! Assista e crie suas próprias teorias para tentar explicar o que vai ver!


Felipe M.Guerra

COTAÇÃO:    

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