CEMITÉRIO MALDITO 2, O
Pet Sematary 2

ANO:   1992
PAÍS:   EUA
DURAÇÃO:    100 minutos
DISTRIBUIDORA:    CIC
DIREÇÃO:  Mary Lambert
ELENCO:    Edward Furlong; Anthony Edwards; Clancy Brown; Jared Rushton; Darlanne Fluegel; Lisa Waltz; Sarah Trigger; David Ratajczak; Reid Binion; Jim Peck
CARACTERÍSTICAS:    Colorido; Legendado


SINOPSE:    Após à morte da esposa, homem se muda com o filho para cidade do interior. Solitário a princípio, o menino faz amizade com Drew, enteado do rude xerife local. Quando o violento policial mata o cachorro do garoto, os dois decidem enterrá-lo em antigo cemitério indígena, dando início a um ciclo de terror.


CRÍTICAS:     Não havia qualquer razão ou justificativa para fazer um CEMITÉRIO MALDITO 2. Afinal, a história do primeiro já se concluía de forma satisfatória, e simplesmente não tinha porque gerar um segundo filme onde mudam apenas os personagens, mas a idéia básica continua a mesma. Tinha como um filme assim sair bom? Não tinha!

O mais impressionante, contudo, é que a mesma diretora do primeiro filme, Mary Lambert, assumiu o comando desta bomba em forma de continuação, três anos depois de fazer o original.

Confesso que CEMITÉRIO MALDITO é o livro de Stephen King que eu mais gosto. E o filme é fidelíssimo à obra o que ajuda o fato do próprio King

ter escrito o roteiro. Um motivo a mais para odiar esta continuação picareta e sem vergonha.

CEMITÉRIO MALDITO 2 começa com um acidente durante as filmagens de uma produção de horror, onde a atriz principal, Renee Hallow, morre eletrocutada. A tragédia é testemunhada pelo filho de Renee, Jeff Matthews (o insuportável e chato Edward Furlong, de "O Exterminador do Futuro 2", que afunda o filme com seu olhar de peixe morto).

Tentando animar o garoto, seu pai veterinário, Chase Matthews (Anthony Edwards, da série "Plantão Médico") resolveu mudar-se para a pequena cidadezinha de Ludlow, onde passou a juventude. E onde o dr. Creed passou maus bocados no CEMITÉRIO MALDITO original.

Logo Jeff conhece Drew, um gordinho que é mal-tratado pelo padrasto Gus, um xerife sádico (!) interpretado pelo excelente Clancy Brown. Clyde tem um cão que é baleado pelo padrasto, morrendo. É então que os dois têm a péssima idéia de verificar se é verdadeira a história de um velho cemitério índio com poderes de trazer os mortos de volta à vida.

Logo o filme todo vira uma bobagem: não demora para o personagem malvadão, o xerife, morrer e ser enterrado no cemitério. A diferença é que, ao contrário de Gage em CEMITÉRIO MALDITO, Gus volta à vida "normal", que fica pelo menos uma semana mantendo os velhos hábitos de quando era vivo, até ficar louco de vez e começar a ressuscitar cadáveres para criar um exército de zumbis, num dos finais mais patéticos e ridículos da história do cinema de horror, onde até a mãe de Jeff, morta no início da história, volta do túmulo.

É óbvia a intenção do roteirista Richard Outten em fazer um filme de zumbis na linha de "A Volta dos Mortos-vivos", trocando o suspense do primeiro filme pela sangreira desatada e algumas cenas mais fortes na tentativa (fracassada) de assustar o espectador.

Tem uma cena grotesca onde Gus, já transformado em zumbi, provoca uma chacina na sua criação de coelhos, arrancando a pele e eviscerando os pobres bichos. A única cena realmente forte é quando ele enfia uma broca no ombro de Chase, o resto já foi mostrado (e de forma mais criativa) em outros filmes.

Há ainda uma sucessão insuportável de furos no roteiro e personagens sem motivo de existir, como Clyde, um jovem arruaceiro que se dedica a maltratar Jeff desde a primeira vez em que entra em cena (e invariavelmente vai acabar transformado em zumbi no final).

O roteirista colocou várias citações ao filme original, que até provocam certa curiosidade. No início, por exemplo, os garotos passam por uma velha casa abandonada com o nome "Creed" apagado da caixa postal. Em outra cena, Chase envia sangue do cachorro morto e reanimado para um colega veterinário. Este lhe explica que o sangue é de um animal morto, e que anos antes um outro veterinário também tinha lhe enviado sangue de um gato morto - Church, o gato da família em CEMITÉRIO MALDITO.

A única coisa realmente boa do filme é a sua trilha sonora pauleira, com canções como "Shitlist", do L7 (que também está em "Assassinos por Natureza") e até uma música cantada pela ex-musa pornô Traci Lords!!!

No final, um péssimo e insuportável despedício de filme. E que nem acaba a som da magnífica "Pet Sematary", dos Ramones, como no primeiro filme (e sim com "Poison Heart", também dos Ramones).

Felipe M. Guerra

COTAÇÃO:    

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