A despeito disso, Do Além não deixa de agradar aos fãs do universo do horror cinematográfico e mesmo os mais exigentes certamente teriam boas horas de diversão garantidas pelo filme.


A história conta os surpreendentes resultados das experiências revolucionárias do Dr Edward Pretorius e seu assistente Crawford Tillinghast, interpretado por Jeffrey Combs (de Reanimator). Pretorius é um pervertido sexual que, nas horas vagas, adora inflingir um bocado de dor e prazer (fica claro que mais prazer que dor, pela cara das "vítimas") na marmorra sadomasoquista mantida em sua mansão. Crawford apesar de desconfiar que as experiências de seu mentor podem ser mais perigosas do que Pretorius sugere, decide ajudá-lo no teste definitivo com o aparelho chamado Resonator. E o rapaz está mesmo certo, pois a máquina pode materializar uma realidade paralela à nossa, habitada por criaturas vorazes e monstruosas, além de desvirtuar as pessoas em seu campo de influência, despertando seu sexto sentido e tranformando-as em comedores de cérebros. Não, não estamos falando de zumbis...


Voltando à tal experiência, o teste foge ao controle e como resultado o Dr Pretorius tem a cabeça literalmente devorada e o pobre Crawford é preso, acusado pela estranha morte do cientista. Diagnosticado como louco, o rapaz consegue convencer a Dr Katherine, uma deliciosa e jovem psiquiatra vivida pela belíssima Barbara Crampton (também de Reanimator), a ajudá-lo a provar sua inocência e o perigo representado pela máquina de Pretorius. Assim, paciente, médica e um policial comilão e metido a durão voltam ao laboratório para evitar que o cientista maluco, transformado numa criatura disforme, consiga fundir nossa realidade ao mundo demoníaco que agora ele habita...


Apesar do baixo orçamento, os efeitos do filme até que são bem sacados e não se aconselha aos estômagos mais fracos assistí-lo na hora do jantar. Do Além marcou também a excelente fase de Jeffrey Combs e Barbara Crampton atuando em filmes B de terror. Outro ponto positivo é que o filme foi baseado num conto do mestre
H. P. Lovecraft, que sempre pregou em suas obras a existência de uma dimensão paralela à nossa povoada por criaturas inomináveis e profanas.


No Brasil o filme circulou em VHS e está fora de catálogo há vários anos. Mas com um pouco de sorte é possível encontrá-lo em algumas locadoras.
Marco Queiroz
O que se esperar de um filme que temos Stuart Gordon como diretor, Brian Yuzna como produtor, Jeffrey Combs como ator principal e uma história de H. P. Lovecraft? A resposta é óbvia, um grande filme.
Cada vez mais estou decidido que ninguém consegue adaptar tão bem uma história de Lovecraft tão bem quanto Stuart Gordon e Brian Yuzna, enquanto isso Jeffrey Combs é o próprio personagem das histórias do obscuro escritor, figura essa que baseou suas obras em um livro de um indiano maluco (o tão famoso Necronomicon).
"Do Além" é um ótimo exemplo do potencial destes três senhores (ou eu deveria dizer quatro, incluindo aí o Lovecraft). Uma história obscura e bizarra, que mexe com o que o homem tem de mais reprimido, o prazer.
Dr. Edward Pretorius (Ted Sorel) e seu assistente Crawford Tillinghast (Jeffrey Combs), estão trabalhando em uma máquina que estimula a glândula pineal, uma área adormecida no cérebro que eles acreditam que, se estimulada, pode-se abrir as portas para um sexto sentido e a descoberta de prazeres inimagináveis.
Pretorius é um homem que dedicou toda a sua vida atrás de prazeres obscuros e escondidos, sempre levando o sentido ao máximo, está seria sua grande tentativa final de alcançar o nível máximo de prazer.
Uma certa noite Crawford está sozinho no laboratório, ele liga a máquina e começa a sentir algo no centro de sua testa, logo ele começa a enxergar seres estranhos sobrevoando o lugar, um ser parecido com um peixe-elétrico, ao se aproximar o ser ataca Crawford, que desliga a máquina e vai chamar Pretorius, ele liga a máquina novamente e acontecem fenômenos estranhos no laboratório, apenas escutamos Crawford pedindo para Pretorius desligar o aparelho e Pretorius dizendo: "-Eu quero mais! Muito mais!". Em seguida escutamos gritos e Crawford aparece correndo para fora da casa com um machado na mão, com o qual ele acaba de quebrar a máquina. Ao sair do casarão ele se depara com a polícia, que o prende imediatamente, ao entrarem na casa os policiais encontram Pretorius morto e sem cabeça próximo à máquina. A única coisa que Crawford diz é: "- Aquilo comeu a sua cabeça!".
Depois do ocorrido, descobrimos que Crawford está em uma Instituição Mental onde estão avaliando sua culpa na morte de Pretorius. A psicanalista que vai atender o caso é a Dra. Katherine McMichaels (Barbara Crampton, que já havia trabalhado com o trio em "Re-Animator" e em seguida em "O Castelo Maldito"), ela é desacreditada pelos médicos da instituição pelos seus métodos poucos usuais de tratar seus pacientes. Ao entrar em contato com Crawford a moça se interessa pelo caso pois conhecia o Dr. Pretorius, pede então para fazer alguns exames com o rapaz e descobre que ele possui a glândula pineal desenvolvida, mostrando que o que Crawford diz pode ter um fundo de verdade. Ela pede para pesquisar mais a fundo, levando Crawford de volta para a cena do crime, pretendendo assim descobrir o que aconteceu naquela noite.
Assim sendo, Katherine e Crawford voltam ao casarão, acompanhados por um policial chamado Leroy 'Bubba' Brown (Ken Foree, que participou do clássico "Dawn of the Dead" e para quem acha que Ken Foree anda sumido desde aquele tempo, engana-se. O ator sempre esteve ativo. Falando nisso quem assiste séries pode conferir sua atuação na série "Kenam e Kel" onde ele interpreta o pai de Kenam), no local eles arrumam a máquina que Crawford havia quebrado e a ligam, na primeira experiência eles se encontram com o Dr. Pretorius, descobrimos então que ele na verdade está em uma outra dimensão, experimentado os vários tipos de prazeres, sua morte foi apenas uma transição, agora ele está sofrendo uma mutação e se tornando um ser que humano nenhum havia visto.
Desligando o aparelho, a Dra. Katherine quer continuar a experiência, mesmo com o alerta de Crawford sobre o perigo. Ela se torna obcecada pelo o que sentiu e começa a agir como o Dr. Pretorius. A partir daqui os eventos que acontecem são em razão da Dra. não agüentar seus impulsos e voltar a utilizar a máquina, que sai do controle e fatos bizarros começam a acontecer.
Até o segundo ato o filme se mantém coerente e interessante, com uma ótima premissa de mostrar qual longe uma pessoa pode ir para sua satisfação pessoal. A partir do terceiro ato temos alguns exageros e acontecimentos desnecessários.
Crawford ganha um tipo de sensor em sua testa, onde ele passa a ter um novo sentido. Ele se torna um devorador de cérebros. Voltando ao hospital ele começa a matar as pessoas sugando seus cérebros pelo olho, não que isso não seja interessante, mas é totalmente desnecessário e fora do rumo da história inicial. Mesmo assim o filme acaba satisfatoriamente.
O que impressiona no filme é a maquiagem de Pretorius em sua mutação, cada vez que aparece em tela está mais grotesco e ao final somos apresentados a um ser deformado que nem Lovecraft imaginaria. O filme não é um festival de tripas e sangue, mas tem sua dose de gore, como um homem que é comido por uma espécie de abelha do além e vemos o que sobrou dele acima do peito. Além dos cérebros que Crawford consome durante o filme.
Para fechar, o filme ainda conta com a trilha sonora do habitual parceiro do trio Richard Band.
"Do Além" é um filme obscuro dos anos 80, foi lançado no Brasil, mas dificilmente é encontrado em locadoras. Este é um filme que, com certeza, merecia ser lançado em DVD nacional.
Gênesis RamoneCOTAÇÃO:


