ANO DE LANÇAMENTO
1973 (EUA)
DIRETOR

Frank DeFelitta

ELENCO
James Brolin
Susan Clark
Earl Holliman
Robert Hooks
Ivy Jones
ROTEIRO

Frank DeFelitta

DURAÇÃO

90 minutos

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Não disponível

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COMENTÁRIOS:

OS DOBERMAN ATACAM
(Trapped)


Depois de despedir-se de sua mulher e filha, dizendo que irá encontrá-las em breve no aeroporto, Chuck Brenner é assaltado e deixado inconsciente em uma loja. Quando volta a si, percebe que está trancado e o lugar é vigiado por cães especialmente treinados para matar.

CRÍTICAS

Imagine a situação: você acorda num banheiro de uma grande loja de departamento e descobre que está sozinho – os clientes e funcionários já foram embora, as portas estão trancadas, reina um silêncio absoluto. Enquanto procura um telefone para pedir ajuda, percebe, da pior maneira possível, que a segurança do estabelecimento é mantida por seis cães hostis, separados em quatro diferentes andares. Como você faria para sobreviver a uma situação como essa, tendo apenas em suas mãos uma pequena boneca?

Esse é o pesadelo real vivido por Chuck Brenner (James Brolin, veterano ator que fez o papel de George Lutz em “A Cidade do Horror” (Amityville Horror, The, 1979) e está no mais recente trabalho de Wes Craven, “Cursed”), um homem simples que, após se divorciar de Elaine (Susan Clark), teve também que se afastar de sua filha Carrie. Para aumentar ainda mais seu tormento, sua ex-esposa está com outro homem, David (Earl Holliman), e pretende se mudar para bem longe do seu ex-marido na noite em que se passa a trama do filme.

“Os Doberman Atacam” (Trapped, 1973) tem início na já citada loja, onde Chuck quer se despedir de sua filha, dando-lhe o presente que ela mais quer: uma bonequinha. Enquanto aguarda a chegada do produto em falta, Chuck promete a pequena Carrie que estará no aeroporto para a despedida e que ficará no local até a chegada do presente. Algum tempo depois que sua ex-esposa e filha vão embora, a boneca chega às mãos de Chuck, que dá uma nota alta e fica aguardando a funcionária trazer o seu troco. Com a demora, resolve ir ao banheiro acender um cigarro já que em qualquer outro local seria proibido, mas, para seu infortúnio, ele é surpreendido por ladrões que roubam sua carteira e o deixam inconsciente e preso num cubículo.

Durante seu estado de inconsciência, acompanhamos a chegada dos seis ferozes cães – que são de várias raças e não apenas Doberman como sugere o título – juntamente com os seguranças, que vestem pesadíssimas roupas de proteção. È nitída a dificuldade em controlá-los e mantê-los afastados, já que se tratam de animais treinados para matar. Depois de posicioná-los estrategicamente nos andares do local, os seguranças trancam as portas e vão embora, deixando uma pequena placa de aviso: “A segurança desta loja é mantida por cães ferozes”.

Sem entender nada, Chuck acorda no banheiro com a pequena boneca na mão e lentamente, ainda tonto pelo golpe dos bandicos, caminha em busca de ajuda. Assim que abre a porta do banheiro, acaba chamando a atenção de um dos cães que começa a ir em sua direção. Nesse momento há a primeira cena de tensão: Chuck dá alguns passos e desmaia novamente no corredor da loja, enquanto vemos o animal correndo pelos corredores seguindo o seu cheiro e prestes a despedaçá-lo vorazmente. O espectador sente uma vontade de gritar para que ele acorde logo, mas a angústia e a boa direção de Frank De Felitta (diretor e roteirista de poucos filmes, responsável pelo roteiro de “Enigma do Mal” (The Entity, 1982)) insiste na tortura por vários minutos. Chuck desperta com os latidos do doberman e mesmo tonto corre rumo à primeira porta que encontra pela frente não conseguindo evitar uma violenta mordida na sua perna. Perdendo muito sangue, ele mantém a todo custo a porta fechada com suas costas, e, logo percebe a chegada de um segundo animal.

Enquanto isso, no aeroporto, Elaine, Carrie e David aguardam a chegada de Chuck ao passo que já ouvem os primeiros chamados do seu vôo. Ela acredita que Chuck esteja em algum bar bebendo e insiste em partir, mas David, com a intenção de conquistar Carrie, pede que eles desistam da viagem nessa noite em busca do pai da menina, mesmo que seja para xingá-lo em algum boteco de esquina.

Assim, o filme apresenta paralelamente duas narrativas: Chuck e a sua luta pela vida e pelo cumprimento da promessa a sua filha; e a busca de David e Elaine por algum sinal do “irresponsável” pai de Carrie. Quando David sugere a possibilidade de ter ocorrido um seqüestro, Elaine acertadamente resume seu ex-marido com a frase: “Ele é um sobrevivente.”

Feito para a TV, “Os Doberman Atacam” consegue prender a atenção do espectador com cenas bem dirigidas de suspense, fazendo o público realmente acreditar que os cães querem matar o protagonista. Há dois momentos que merecem destaque: num deles, Chuck se encontra em cima de um armário sendo observado por um dos cães e tendo que saltar para outro móvel apoiado num fino cano preso ao teto; em outro tenso momento, Chuck tonto pela perda de sangue tenta matar um dos animais com um arco e flecha de brinquedo, enquanto acompanhamos a chegada de outro animal que caminha em sua direção pronto para atacá-lo.

Sem exibir cenas de violência e praticamente centrado num ambiente único, é impossível não estabelecer uma identificação com Chuck Brenner, já que ele é apenas uma pessoa normal numa situação que poderia ocorrer com qualquer um. E esse é o maior mérito dessa produção: mostrar a luta de um pai de família, um homem comum, que quer apenas dar um último beijo no rosto de sua filha e presenteà-la com o brinquedo que ela tanto quer.

Exibida algumas vezes nas madrugadas da Globo e provavelmente não lançada em vídeo, “Os Doberman Atacam” é diferente de outras produções envolvendo cães assassinos, pois é centrada na personagem principal, tendo os cães apenas como obstáculos. Não tem a intenção de trazer mensagens positivas ou importantes ensinamentos, apenas mostra o quão pode ser perigoso estar diante de animais treinados para imobilizar e matar humanos.

Houve uma época em que era moda fazer filmes com doberman, já que esses cães reinavam como os mais perigosos. Agora, estamos na era do Pitbull...será que teremos filmes tão interessantes com essa raça?

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Marcelo Milici

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