ANO DE LANÇAMENTO
2004 (Canadá)
DIRETOR

Matthew Hastings

ELENCO
Corey Sevier
Stefanie von Pfetten
Kim Poirier
Elias Toufexis
ROTEIRO

Matthew Hastings
Tom Berry

DURAÇÃO

96 minutos

TRAILER

não disponível

ESTRÉIA NO BRASIL:

outubro de 2004 (vídeo)

DISTRIBUIDORA:

Europa Filmes

COMENTÁRIOS:

DECOYS
(Decoys)


Dois amigos acabam de entrar na faculdade e ficam excitados com as colegas de corredor, duas belas e sedutoras loiras que não parecem desse planeta! E não são mesmo! Luke descobre que há algo de estranho com as beldades e, ao mesmo tempo que precisa ajudar seu amigo, prestes a cair na armadilha delas, tenta provar sua inocência e fugir da polícia, que acompanha o caso de estranhos desaparecimentos na faculdade.

CRÍTICAS

Recentemente, bons filmes de horror estão vindo do Canadá. É o caso do já clássico CUBO, de Vincenzo Natalli, e da trilogia GINGER SNAPS (batizada POSSUÍDA no Brasil). Não é o caso de DECOYS, produção canadense deste ano que está chegando às locadoras brasileiras com elogiável rapidez - é batata: quando o filme é meia-boca, é lançado imediatamente no Brasil!

DECOYS não é ruim, mas também não é bom. Se encaixa melhor naquela categoria “diversão ligeira”, também conhecida como “não tinha nada melhor para alugar”. A capinha é bem pouco convidativa, mostrando uma garota com metade do rosto monstruoso, e o resumo não serve para dar uma idéia da história. Trata-se de uma versão “teen” do filme A EXPERIÊNCIA (aquele da alienígena tarada que queria seres humanos para procriar), só que bem mais barata, produzida para TV a cabo.

A trama se passa no St. John’s College, na cidadezinha canadense de New Brunswick, em pleno inverno. Ali estudam Luke (Corey Sevier) e Roger (Elias Toufexis, que é idêntico ao Elijah Wood!), dois nerds paspalhões na faixa dos 20 anos. Eles pensam que tiraram a sorte grande ao se envolverem com dois mulherões, loiras deliciosas e estudantes de Medicina que atendem pelos nomes Lilly e Constance. A primeira é interpretada pela gata Stefanie von Pfetten, que teve uma pequena participação na comédia 40 DIAS, 40 NOITES. A segunda é o pedaço de mulher “vai-ser-gostosa-assim-lá-em-casa” Kim Poirier - a loirinha que sofre um “acidente” com uma motosserra no remake de DAWN OF THE DEAD.

Atiradinhas que só elas, as duas mexem com o coração (e outras cositas) de todos os rapazes do colégio. Mas é Luke que tem a chance de entrar escondido no dormitório da dupla para observá-las trocando de roupa. Como este é um filme de terror, é claro que o sonho de adolescente punheteiro logo vai se revelar um pesadelo, quando imensos e nojentos tentáculos saem de entre os seios de Lilly. O rapaz descobre, então, que as duas são alienígenas vindas de um planeta em extinção, e que estão na Terra para roubar esperma dos homens (ou algo do gênero), só que pelo lado de dentro, através dos tentáculos, que entram pela boca das vítimas, congelando-as em poucos segundos!!!

É óbvio que ninguém acredita na história de Luke, e ele mesmo começa a pensar que teve uma alucinação ao se apaixonar perdidamente por Lilly. E não o culpem, pois é muito mais difícil resistir à sensualidade alienígena do que escapar do Teste de Fidelidade do João Kléber! Mas quando rapazes do colégio começam a morrer, e são encontrados congelados e de pênis ereto (hahahaha), inclusive o campeão de hóckey da escola, Bobby Johnson (Marc Trottier), a polícia começa a desconfiar do próprio Luke, que termina investigando o mistério com a amiga queridinha Alex (Meghan Ory).

Infelizmente, apesar da trama ser o que é, a sacanagem do filme é quase nula - fico pensando o que fariam Joe D'Amato, Jess Franco ou David DeCouteau com um roteiro desses!!! As deliciosas Stefanie e Kim aparecem peladas apenas de relance (algo totalmente imperdoável!), e as cenas de sexo nem são mostradas. DECOYS se rende logo aos efeitos baratos em CGI (o que POSSUÍDA, felizmente, não fazia), quando as aliens revelam sua verdadeira face - uma cópia grosseira da extraterrestre de A EXPERIÊNCIA.

Tudo acaba num confronto final com as meninas alienígenas na própria fraternidade das moças, onde Luke aparece armado com um lança-chamas. Entretanto, até o clímax é fraquinho: o impasse se resolve facilmente e sem grandes dificuldades. Assim, o momento verdadeiramente marcante do filme é aquele em que o clone de Elijah Wood, que é virgem, resolve transar com Constance mesmo sabendo que ela é alien e ele vai morrer - talvez pela emoção de se dar bem uma única vez na sua fracassada vida!

DECOYS não pode ser encarado como um filme de horror, pois não há sustos e a violência é praticamente inexistente. O diretor estreante Matthew Hastings (que antes só trabalhou em seriados de TV) parece mais interessado em fazer comédia de humor negro, como na cena em que Luke encosta acidentalmente num cadáver congelado e o braço do presunto solta e cai no chão, quebrando em cacos pequenos.

A história fraquinha mantém a atenção e faz com que o espectador agüente até o fim, mas é inevitável a sensação de perda de tempo quando sobem os créditos. O roteiro foi escrito pelo próprio Hastings mais Tom Berry, que dirigiu a péssima continuação A MALDIÇÃO DE AMITYVILLE, em 1990. Ambos dão mais destaque ao clima festivo e juvenil da universidade (seqüências de festas e bebedeiras, principalmente) do que às mortes e à trama alienígena, e certamente fariam mais sucesso na série AMERICAN PIE do que no cinema de horror. O filme também desperdiça uma participação da outrora musa Nicole Eggert, que fazia a série BAYWATCH e aqui está feia como uma policial.

Só alugue DECOYS se for realmente o único filme restante na prateleira da locadora, ou então pelo deleite de ver o desfile, em roupinhas decotadas, das musas Stefanie e Kim. Agora, se você estiver procurando mesmo por um filme de horror, desista: este não vai assustar nem sua irmãzinha de 6 anos.

E o mais esquisito é saber que o diretor Hastings já anunciou para o próximo ano uma continuação de DECOYS. Mas vai continuar o quê?

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Felipe M.Guerra

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