VAMPIROS NA AUSTRÁLIA:
o yara-ma-yha-who e a The Vampire Legion

Orivaldo Leme Biagi


O universo dos vampiros não se limita à Europa ou aos Estados Unidos apenas: é um fenômeno mundial - poderíamos até mesmo chamá-lo de universal. Vários países têm vampiros na sua cultura, como podemos perceber através da existência de lendas folclóricas de lugares tão diferentes e distantes entre si como o Japão, o Egito ou o México, entre outros. Muitas destas lendas folclóricas locais são parecidas com o mito típico do vampiro, ou seja, criaturas que vivem de sangue.
A Austrália não deixa de ser exceção, pois também tem suas lendas vampírcas. O folclore da região não chega a apresentar o vampiro como figura essencial, mas nas culturas aborígenes existia a entidade do yara-ma-yha-who, uma figura semelhante ao vampiro, sendo descrito como um homem pequeno e vermelho, de aproximadamente 1,20m de altura, com a cabeça e a boca excepcionalmente grandes. Não tinha dentes (engolia a comida por inteiro) e tinha as pontas dos dedos das mãos e dos pés com a forma de ventosas, como as de um polvo. O yara-ma-yha-who morava no topo das figueiras silvestres, não caçando, mas sim esperando que suas vítimas procurassem abrigos sob a árvore para, então, derrubá-las.
Quando uma pessoa acampava sob a figueira, um yara-ma-yha-who pulava sobre ela, colocando seus pés e mãos sobre o corpo, drenando o sangue da vítima a ponto de deixá-la fraca e desorientada, mas raramente - no início, pelo menos - causando sua morte. A criatura voltava mais tarde para terminar sua refeição, bebendo água e tirando uma soneca. Quando acordava, a porção não digerida de sua refeição era regurgitada, sendo que a pessoa regurgitada ainda estava viva. Recomendava-se para que as crianças capturadas pela criatura não oferecessem resistência, pois teriam maior chance de sobrevivência se deixassem que a criatura as engolissem.
As pessoas podiam ser capturadas várias vezes e, em cada uma dessas capturas, elas diminuíam um pouco o seu tamanho, até ficar do mesmo tamanho dos yara-ma-yha-who, com suas peles ficando muito lisas, crescendo, em seguida, cabelos por todo o corpo: as pessoas eram transformadas em pequenas criaturas míticas e peludas da floresta.
Mas foi mesmo a literatura e o cinema que imortalizaram o vampirismo e, naturalmente, estimularam o amor dos fãs do gênero na Austrália. Indiferentemente à lenda do yara-ma-yha-who, os australianos demonstraram seu amor ao tema na criação da The Vampire Legion, uma sociedade de admiradores de vampiros fundada em 1992, que publica o boletim e o fanzine bimestral Dark Times, publicação esta que inclui poesia, ficção e artigos.
O endereço para contato é: A/C The Baroness, PO Box 4202, Melbourne University Post Office, Victoria, Austrália, 3052.

Artigo escrito e pesquisado por Orivaldo Leme Biagi, tendo sido publicado originalmente no fanzine "Juvenatrix", editado por Renato Rosatti.