William de Newburgh: o Cronista de Vampiros do Século XII

Orivaldo Leme Biagi


Não sabemos exatamente as origens culturais do vampirismo, embora as discussões sejam muitas entre especialistas e leigos no assunto. Encontramos mitos relacionados a mortos que levantam das tumbas e sobrevivem de sangue nos mais variados países do mundo. O universo britânico, antes de Drácula visitar Londres na obra de Bram Stoker, também tinha a presença de vampiros. E foi o cronista William de Newburgh quem encontrou esta presença.
William de Newburgh nasceu em Bridlington, Yorkshire, em 1136, tornando-se religioso e recluso em Newburgh. Seus talentos para a escrita foram notados por seus superiores, que o incentivaram a estudar, principalmente literatura. Os resultados foram mais do que satisfatórios, pois William tornou-se um intelectual brilhante, sendo considerado como um precursor da moderna crítica histórica, denunciando a inclusão de mitos óbvios nos tratados históricos.
Sua obra principal, "Historia Rerum Anglicarum", também conhecida como "Chronicles", foi terminada quase no fim da sua vida, e nela encontramos relatos surpreendentes de mortos retornados, relatos estes que William recolheu durante sua vida adulta, sendo que os mais famosos foram os do vampiro do Castelo de Alnwick e o vampiro de Melrose Abbey. Não existe uma descrição exata do ato vampírico na obra de William, mas, sim, visitações feitas pelos mortos aos vivos. O próprio William reconhecia que suas histórias seriam recebidas com ceticismo, conforme suas próprias palavras:

"É bem verdade que - e sei perfeitamente disso - , a menos que fossem apoiadas por muitos exemplos de casos ocorridos em nossos dias e pelo irrepreensível testemunho de pessoas responsáveis, que esses fatos não seriam críveis, isto é, que os corpos dos mortos pudessem levantar de seus túmulos, revitalizados por alguma força sobrenatural, andando para lá e para cá, causando alarde ou em alguns casos até matando os vivos e, quando retornassem às suas covas, estas estariam abertas para recebê-los."

Menos importantes do que a veracidade ou o grau de aceitação destas histórias, podemos perceber na obra de William de Newburgh a valorização de uma tradição vampírica dentro no universo britânico. Mesmo assim, muitos dos procedimentos destes vampiros relatados por William nos remetem a tradições de países da Europa Oriental, mostrando um intercâmbio cultural entre os povos europeus.
William de Newburgh morreu em 1198 (ou 1208).

Artigo escrito e pesquisado por Orivaldo Leme Biagi, tendo sido publicado originalmente no fanzine "Juvenatrix", editado por Renato Rosatti.