Loogaroo: o Vampiro Haitiano

Orivaldo Leme Biagi


O Haiti é conhecido mudialmente não apenas como o país mais pobre do mundo, mas também como o dono de uma prática cultural bastante assustadora, o Vodu. Muitos filmes e livros já exploraram o tema, mostrando várias danças demoníacas, zumbis e os famosos bonecos-entidades, onde seria possível fazer algum mal a alguém com a manufatura de um boneco com algum fragmento da pessoa a ser amaldiçoada, como, por exemplo, fios de cabelo ou peças de roupas. Mas nem só de Vodu vive o Haiti: no folclore da ilha também encontramos uma figura vampírica, o Loogaroo (termo este que é uma corruptela da palavra francesa loup-garou, referente aos lobisomens), folclore este que se estende para outras ilhas do Caribe, inclusive Granada.
O Loogaroo surgiu quando os escravos da África Ocidental se apropriaram dos mitos demoníacos franceses e os misturaram com lendas vampíricas africanas, sendo bem parecido com o obayifo dos ashanti e o asiman de Dahomey. Este processo de mistura cultural, aliás, foi uma prática muito comum entre os escravos negros no continente americano: como raramente eles podiam manifestar sua cultura perante o dominador, os dominados, como estratégia, misturavam as suas matrizes culturais com as das cultura permitida. O Candomblé brasileiro é bem típico desta mistura, por exemplo, onde santos católicos são utilizados em práticas notoriamente africanas.
Os Loogaroos eram pessoas idosas, geralmente mulheres, que tinha feito um pacto com o Demônio: em troca de poderes mágicos, elas davam a ele sangue morno todas as noites. Para tal, elas removiam suas peles, que eram escondidas na chamada árvore Jumbie (árvore do algodão de seda), e, em forma de bola de luz incandescente, vagavam pelas terras procurando sangue. Em sua forma espiritual, podiam entrar em qualquer habitação. As vítimas acordavam fadigadas.
Assim como a cruz e o alho ajudavam os europeus a se protegerem dos vampiros, os haitianos também tinham as suas armas contra o Loogaroo: era possível alguma proteção espalhando-se arroz ou areia na frente das portas, pois o Loogaroo tinha de parar e contar cada grão antes de continuar o seu caminho.

Artigo escrito e pesquisado por Orivaldo Leme Biagi, tendo sido publicado originalmente no fanzine "Juvenatrix", editado por Renato Rosatti.