Tod Browning O Polêmico Diretor de Filmes de Terror
Orivaldo Leme Biagi
 | Qual é a primeira imagem de terror que nos vem à mente? Talvez do nosso filme predileto ou do último filme de terror que assistimos... mas algumas imagens são clássicas demais para não serem valorizadas. Como esquecer a imagem do monstro de Frankenstein interpretado por Boris Karloff e criada por Jack Pierce? Ou mesmo da figura imponente e assustadora que Bela Lugosi impôs para Drácula?
Tais imagens envelheceram, logicamente, mas foram, por muitos anos, as referências básicas para o universo do terror. Seus criadores foram menosprezados pelos novos públicos, como foi o caso do diretor homossexual James Whale (que recentemente foi retratado num comovente e inquietante filme sobre seus últimos dias, Deuses e Monstros) que fez Frankenstein e do diretor Tod Browning que fez Drácula. |
Tod Browning nasceu em 12 de julho de 1882 e foi criado em Louisville, Kentucky. Aos 16 anos fugiu de casa e juntou-se a um grupo de saltimbancos, aprendendo com estes a ser ator, e durante anos ganhou seu sustento encenando personagens de terror. Estrelou seu primeiro filme em 1913, indo para atrás das câmeras pouco depois: foi diretor assistente durante dois anos e, em 1917, dirigiu seus dois primeiros filmes. (Jim Bludso e Peggy, the Will o' the Wisp).
 
Em 1919, Browning conheceu o ator Lon Chaney (que tinha um papel no filme The Wicked Darling), mas separaram-se no início dos anos 20, sendo reunidos na MGM em 1925, união que duraria cinco anos e que renderia uma série de filmes clássicos: The Unholy Three (1925), Blackbird, The Road to Mandalay (ambos de 1926), The Unknown, London After Midnight (ambos de 1927), West of Zanzibar (1928) e Where East Is East (1929).
Browning reconheceu as habilidades de Chaney para fazer caretas e utilizar maquiagem, trabalhando roteiros diretamente para ele. O grande destaque desta fase foi London After Midnight, onde Chaney faz um papel de vampiro e outro de detetive que o perseguia, numa grande proeza de maquiagem do ator (que chegou a reclamar de desconforto da sua própria maquiagem). Baseado no romance The Hypnotist, do próprio Browning (que se tornaria a base de um romance de Marie Coolidge-Rask, publicado em 1928 com cenas do filme), o vampiro revelou ser a identidade do detetive para apanhar um criminoso, num criativo (e, posteriormente, imitado) final.
Em 1930 a Universal Pictures estava fazendo sua transição do cinema mudo para o falado e convidou Browning para dirigir Drácula. O diretor aceitou a proposta e pensou, inclusive, em utilizar Chaney para o papel principal, mas o ator morreu e, após uma procura bastante divulgada, o papel foi dado para Bela Lugosi.
Baseada numa peça inglesa escrita por Hamilton Deane e adaptada/revisada por John L. Balderston, Drácula, o primeiro filme de terror sonoro, fez um imenso sucesso de bilheteria. As cenas de abertura no castelo (onde Lugosi diz as suas falas) e da teia de aranha nas costas de Drácula ao receber R. N. Renfield (que, nesta versão, vai para a Transilvânia no lugar de Jonathan Harker) estão entre as mais famosas e copiadas da história do cinema.
 
Os críticos foram impiedosos com o filme e, principalmente, com o diretor, considerando-o medíocre e sem imaginação, pois a câmera raramente se movia de lugar, críticas estas já feitas a ele antes das filmagens de Drácula. Mas o sucesso do filme e a admiração do público com o personagem (e com o carisma de Lugosi) fizeram com que as críticas fossem esquecidas por algum tempo.
Browning continuou filmando na década de 30. Seu primeiro filme pós-Drácula, Freaks, tornou-se polêmico: retratava a vida de várias pessoas que nasceram com corpos que a sociedade rejeitava. Resultado: o filme foi banido de 28 países e fracassou na bilheteria nos Estados Unidos. Em 1935 Browning refilmaria, agora utilizando-se de recursos sonoros, London After Midnight, agora intitulado Mark of Vampire. O diretor aposentou-se em 1939 (após realizar o filme The Devil Dolls), morrendo em 6 de outubro de 1962.
Artigo escrito e pesquisado por Orivaldo Leme Biagi, tendo sido publicado originalmente no fanzine "Juvenatrix", editado por Renato Rosatti.
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