Vampira: uma Apresentadora de Filmes de Terror
Orivaldo Leme Biagi
 | A década de 50 assistiu a fixação e popularização da televisão na vida de milhões de pessoas pelo mundo. A televisão concorria diretamente com o cinema, quer com sua própria produção (seriados, novelas, telejornalísticos, etc.), quer, muitas vezes, utilizando-se do próprio cinema, ao apresentar vários filmes nas suas programações.
Os filmes de terror também tiveram uma queda na sua produção neste momento, principalmente pelo cansaço do público em relação aos velhos monstros e pela ascensão da ficção científica - que apresentava novos monstros, mais sintonizados com os tempos de medo de uma devastação nuclear que marcaram a década de 50. Apesar desta situação, a televisão acabaria ajudando a manter os velhos filmes de terror em evidência, pois eles eram constantemente transmitidos para velhos e novos públicos. |
Foi neste contexto que surgiu uma interessante "apresentadora" de filmes de terror: Vampira. O personagem foi criado pela atriz Maila Nurmi, em 1954, quando ela era apresentadora de um programa de terror na estação de TV KABC, de Los Angeles. Depois de cumprir uma temporada de dois anos nesta emissora, ela transferiu-se para a TV KHJ.
 
As características do personagem são inesquecíveis: com um fundo assustador e carregado de fumaça, uma mulher vestindo roupas pretas, alta, linda, com uma cintura finíssima, a pele toda branca (típica para uma vampira), com um olhar penetrante e movimentos suaves, além de dois enormes seios (aumentando ainda mais a carga de erotismo para o público), apresentava velhos filmes de terror. Suas intervenções para anunciar os comerciais deixaram muitos puristas zangados pelos cortes, mas agradavam o público de um modo geral - ou, na pior das hipóteses, não os irritavam.
Mas, curiosamente, ela ficou eternamente famosa não por apenas apresentar filmes, mas por participar de um em especial: Plano 9 Para o Outro Espaço (Plan 9 From Outer Space, 1956), o "clássico trash" de Ed Wood Jr., onde Vampira interpreta uma vampira (muda, pois, preocupada com a qualidade do roteiro e do filme, pediu para não falar coisa alguma) que, ao lado do também vampiro Bela Lugosi, deveriam conquistar o mundo para os invasores. A presença de Vampira no filme é hilariante: logo na sua primeira aparição, o personagem surge de noite e ataca os funcionários do cemitério, que ainda estão iluminados pelo sol da tarde. | |
Suas cenas com o "dublê" do falecido Lugosi (que não era nada parecido com ele, por isso ficava cobrindo o rosto com a capa) estão entre as mais absurdas e, talvez por isso mesmo, inesquecíveis cenas do mundo do terror e da ficção científica.
Depois de cumprir sua temporada na televisão, ela apareceria em diversos outros filmes, como The Magic Sword (1964) e Orgy of the Night (1966), ambos de vampiros - a atriz também participou de diversos filmes não-vampíricos. Ela chegou a ter uma boutique em Hollywood por um relativo tempo. Em 1980, Nurmi processou Cassandra Peterson por apropriar-se da sua personificação para criar o personagem Elvira, mas o seu processo seria derrotado.
Artigo escrito e pesquisado por Orivaldo Leme Biagi, tendo sido publicado originalmente no fanzine "Juvenatrix", editado por Renato Rosatti.
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