YAMA - O DEUS DA MORTE..E TAMBÉM UM VAMPIRO!
Orivaldo Leme Biagi
O vampirismo não é uma lenda exclusivamente vinda da Europa Oriental: muitos países de diversas partes do mundo relatam histórias ou lendas envolvendo figuras vampíricas. Países tão diversos como a China e a Espanha, por exemplo, apresentam lendas sobre vampiros. A força de personagens que usam sangue e sexo para punir/amedrontar/assustar sempre foi grande num grande número de culturas, sendo que o deus indiano Yama é uma delas
Yama, o deus da morte, era uma divindade indiana. Dentro da visão dos povos que acreditavam/temiam esta divindade, as pessoas estariam sujeitas ao Yama por causa de má conduta durante a sua vida terrena. Após a morte, a alma de tal pessoa saía do corpo pelo ânus - e não pela cabeça, como era o caminho de saída para as almas das pessoas boas. A alma, chamada de pret, então, ficava vagando num estado de inquietação infeliz, enquanto aguardava o julgamento final de Yama. Durante esse período, Yama atacava o pret, sendo que os parentes vivos do morto faziam invocações para que sua alma ficasse livre de surras ou de machucados, ou seja, do sofrimento.
Yama também apareceu na mitologia do Tibete, Nepal e da Mongólia - mostrando que havia uma intensa circulação cultural nesta região asiática. E foi nestes três lugares que o Yama seria caracterizado como uma entidade vampírica mais próxima da idéia de vampiro do ocidente, ou seja, com presas e sua eterna busca de sangue.
É difícil precisar se tais lendas chegariam a influenciar a construção da idéia de vampiro no mundo ocidental, dada a distância geográfica e cultural dos povos do Oriente em relação ao Ocidente. Mas muitas dessas lendas passaram por várias leituras através dos séculos, sendo levadas através de imigrações e invasões dos povos orientais na Europa. Neste sentido, Yama até pode ser o tataravô de Drácula. Mas não existem estudos significativos sobre isso.
Artigo escrito e pesquisado por Orivaldo Leme Biagi, tendo sido publicado originalmente no fanzine "Juvenatrix", editado por Renato Rosatti.
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