EXORCISTA 2 - O HEREGE
The Exorcist 2 - The Heretic

ANO:   1977
PAÍS:   EUA
DURAÇÃO:    118 minutos
DISTRIBUIDORA:    Warner
DIREÇÃO:  John Boorman
ELENCO:    Linda Blair; Richard Burton; Louise Fletcher; Max Von Sydow; Kitty Winn; Paul Henreid; James Earl Jones; Ned Beatty
CARACTERÍSTICAS:    Colorido; Legendado


SINOPSE:    Anos depois de libertada das forças do mal, a jovem Regan volta a ouvir vozes e ter delírios. Com a ajuda de uma psicanalista tenta se curar, mas só mesmo a intervenção de um exorcista poderá ser forte o suficiente para afastar o demônio.


CRÍTICAS:     Depois do enorme sucesso de público e crítica do primeiro "O Exorcista", de 1973, era inevitável que produtores gananciosos resolvessem faturar com uma continuação. Mas certamente ninguém esperava que o filme seria tão ruim e confuso quanto este O EXORCISTA 2 - O HEREGE, realizado em 1977, quatro anos após o original (se fosse hoje em dia, já sairia no ano seguinte).
Eu confesso que não sou um grande fã do clássico "O Exorcista" original, mas respeito sua fama. A primeira vez que vi a continuação, na TV, não entendi bulhufas. Em 2003, fui rever o filme em DVD. Continuei entendendo bulhufas (o roteiro é cretino e propositamente confuso), mas desta vez gostei ainda menos do filme. Ironicamente, conferi algumas opiniões na Internet e as pessoas achavam O EXORCISTA 2 o máximo, um super-filme, um clássico do cinema de horror.
Bem, na minha opinião modesta, estas pessoas com certeza nem viram O EXORCISTA 2, e se viram e realmente gostaram e entenderam - ou pelo menos acham que entenderam -, merecem internação imediata em um hospício. Trata-se do roteiro mais sem pé nem cabeça de todos os tempos, sem lógica, sem sentido e sem qualquer relação com o original. Resumindo, um fiasco completo.
Veja você mesmo: o filme se passa alguns anos após o original e começa em um país da América do Sul (que dizem ser o Brasil, e realmente parece uma favela carioca). O padre Phillip Lamont (Richard Burton) realiza um exorcismo que acaba mal, com uma garota sendo queimada viva - numa cena grotesca, muito mal realizada. Dias depois, ele é chamado pelo cardeal para investigar a misteriosa morte do Padre Merrin (Max Von Sydow), durante o exorcismo da menina Regan (Linda Blair), no filme original. Quando ele entra em contato com a garota, agora adolescente (e uma gracinha de ninfeta), para saber detalhes sobre a morte do padre, desconfia que o demônio Pazuzu ainda pode estar tentando dominar seu corpo.
Não que esta história vá fazer muita diferença. Apesar de usar nomes do filme original, O EXORCISTA 2 não tem qualquer relação com o livro de William Peter Blatty e nem qualquer motivação. A investigação sobre a morte do Padre Merrin soa ridícula (assim como as participações de Von Sydow em flashback). E por que diabos Pazuzu voltaria a encarnar justamente em Regan??? Não sei, e o filme também não faz questão de responder.
O pior é que o filme se arrasta incompreensível por 1h30min, com boa parte da ação se passando na mente (!!!) dos personagens, por meio de hipnose. No final, o padre e a garota são levados à mesma casa em Washington onde aconteceu o exorcismo do filme original, dando a impressão de que a própria casa é endemoniada, e não só a menina.
O filme é muito confuso e sofre de uma tremenda falta de lógica. Sabe-se que o diretor inglês John Boorman (um ótimo cineasta, que teve aqui um enorme ponto baixo em sua carreira) remontou o filme após sua estréia devido às críticas negativas. Isso explica alguns cortes abruptos: numa cena o padre Lamont está falando com o cardeal, repentinamente corta para o mesmo padre já na África! Pior: o roteiro usa e abusa de simbolismos, como os gafanhotos (simbolizando a luta do bem e do mal), deixando o espectador totalmente perdido. E tem um final confuso que não explica absolutamente nada do que aconteceu - nem do que acontecerá daí para a frente com os personagens!
Ou seja, quem diz que entendeu este filme - e gostou -, simplesmente está mentindo, pois seria preciso um exorcista mesmo para saber que diabos (hehehe, legal o trocadilho) os produtores quiseram dizer fazendo uma seqüência tão enigmática. Incompreensível como uma produção com tantos talentos (o diretor Boorman e os ótimos atores Burton, Von Sydow, Louise Fletcher, Ned Beatty e James Earl Jones) terminou virando a bomba monumental que é...
Só algumas curiosidades: o diretor Boorman contraiu uma febre rara durante as filmagens na África e a produção ficou cancelada por mais de um mês. Linda Blair recusou-se a usar a mesma maquiagem carregada do filme original, motivo pelo qual aparece de cara limpa nesta seqüência (em algumas cenas de flashback, onde Reagan é mostrada possuída, foi usada uma dublê). E Linda disse aos jornalistas que o grande Richard Burton fez a maior parte do filme completamente bêbado, pois adorava tomar umas e outras no set. Talvez nem ele estivesse entendendo o que diabos (hehehe, de novo!) fazia ali!

Felipe M.Guerra

COTAÇÃO:    

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