GROTESK
Grotesque

ANO:   1987
PAÍS:    EUA
DURAÇÃO:     93 minutos
DISTRIBUIDORA:     Top Tape
DIREÇÃO:   Joe Tornatore
ELENCO:     Linda Blair; Tab Hunter; Donna Wilkes; Charles Dierkop
CARACTERÍSTICAS:     Colorido; Legendado/Dublado


SINOPSE:
     Antiga maldição ameaça a mansão dos Fengriffen, onde vão morar Catherine, recém-casada, e Sir Charles. Fantasmas, mão decepada que parece ter vida, mortes misteriosas, caveira com olhos de sangue. Catherine fica grávida e esta pode ser a vingança final.
CRÍTICAS:     Segundo a crítica, Linda Blair foi uma atriz que teve uma única boa história para contar: aquela que foi vista em O Exorcista (1973). Depois disso, sua carreira foi uma sucessão de fiascos e filmes insignificantes. Para muitos - inclusive para mim - é justamente essa fase desprezada, trash, a sua fase mais interessante.
De O Exorcista pra cá ela estrelou dúzias de filmecos B raros e obscuros, geralmente de exploitation, sobre gangues violentas, seitas do demônio e presídio de mulheres, entre outros. Vários desses filmes estão disponíveis no mercado brasileiro de vídeos VHS, em fitas antigas e fora de catálogo, encontradas somente em boas locadoras e sebos bem nutridos.
Um de seus filmes mais fáceis de ser encontrados por aqui é Grotesk (Grotesque, 1988), de Joe Tornatore, lançado pela Top Tape no começo dos anos 90. Assim como os demais, é uma produção barata de interesse somente aos fãs da atriz, mas apesar de malhado pela crítica norte-americana, não é um filme tão ruim assim: tem lá alguns momentos inspirados de violência gratuita.
Um especialista aposentado em maquiagens para filmes de terror (Guy Stockwell) recebe a visita de sua filha e de uma amiga (Linda Blair e Donna Wilkes) para um fim de semana sossegado que, na verdade, já começa muito mal: uma violenta gangue de punks baderneiros invade a mansão no alto da montanha e chacina quase toda a família, exceto Blair, que consegue fugir para as matas ao redor. Porém, os punks não sabiam que um misterioso membro da família, um débil mental psicopata e meio corcunda, com a face cheia de protuberâncias pestilentas, residia escondido num dos quartos do casarão, pronto para dar início à sua vingança sangrenta.
A impressão inicial é que teremos um filme de serial killer típico dos anos 80, com psicopata deformado e tudo, mas não demora muito e essa esperança é dissipada num roteiro esquisito que, de um instante pro outro, se transforma num amontoado de situações embaraçosas, até culminar num final surpresa que pode até agradar aos velhos fãs do terror clássico - como é o meu caso - mas que na verdade resulta como algo meio chocho na ocasião. A contagem de cadáveres do início até que é boa, e há pelo menos duas cenas de morte tão bem realizadas que eu quebrei a cabeça - utilizando até mesmo aquele botão de pausa e câmera lenta - para ver onde residia o truque, mas não descobri. Não há nudez feminina alguma e, pior de tudo, o sangue não rola em profusão (para se ter uma idéia, o filme foi reprisado, praticamente sem cortes, uma ou duas vezes no fracassado "Cine Trash", que Zé do Caixão apresentava na Band nas tardes da semana).
Também parece ter havido alguma inspiração naquelas antigas e famosas histórias em quadrinhos de horror da E. C. - que causaram furor nos Estados Unidos na década de 50 - com "final" moralista e vingativo, onde os vilões se dão tão mal - por serem demasiadamente maus - que chega a ser hilário. O rendimento visual é muito bom e a ação se desenvolve em ritmo frenético, mas a violenta gangue de punks, soltando um palavrão escroto a cada 0,5 segundos, força demais a barra e põe tudo a perder, tornando ainda mais maçante uma história já bastante duvidosa. A maquiagem do freak também é de um amadorismo nato, lembrando vagamente aquelas criaturas humano-suínas de um dos clássicos episódios da série de Rod Serling "Além da Imaginação", produzida lá na nos longínquos anos 50/60. De qualquer forma, diverte à sua maneira e não é um tão oportunista quanto o horrendo (no mal sentido) O Exorcista II (1977), que a Linda Blair teve a coragem de estrelar após o sucesso do primeiro filme. Bem, pelo menos naquela ocasião ela ainda era praticamente uma criança.

E.R.Corrêa

COTAÇÃO:    

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