Henry - Portrait Of A Serial Killer ANO: 1986 PAÍS: EUA DURAÇÃO: 090 minutos DISTRIBUIDORA: Look Filmes DIREÇÃO: John McNaughton ELENCO: Michael Rooker; Tracy Arnold; Tom Towles; Anne Bartoletti; Denise Sullivan; Bruce Quist CARACTERÍSTICAS: Colorido; Legendado/Dublado SINOPSE: Henry é um rapaz que vive com seu ex-colega de prisão e sofre de distúrbio que o leva a matar pessoas de formas bárbaras . Quando o colega e sua irmã, que também sofrem de perturbações psicológicas, descobrem seus feitos, são atraídos pela violência, mas ao mesmo tempo se tornam vítimas em potencial. Baseado em caso real. CRÍTICAS: O que se esperar de um filme sobre um serial-killer? Causa, efeito e resultado. Geralmente um filme de serial-killer conta como alguém que sofreu severos abusos quando criança, se tornou uma pessoa complexa e sanguinária e foi presa pelos seus atos. Agora guarde seu manual sobre serial-killers no cinema e vá imediatamente assistir a "Henry: O Retrato de Um Assassino (Henry: Portrait of a Serial Killker)", de 1986, e tenha um visão totalmente nova sobre o assunto. Assim que o filme começa temos um aviso onde nos alerta sobre os distúrbios que o filme pode causar, a censura que sofreu em sua exibição nos E.U.A (sendo apresentado apenas em salas especiais). "Puro sensacionalismo que a distribuidora nacional utilizou para tentar vender o filme!", você pode dizer, mas este pensamento dura apenas alguns minutos, quando você começa a perceber o quanto o filme é chocante e assustador. Baseado em um assassino real chamado Henry Lee Lucas, que assumiu ter matado centenas de pessoas, o filme é cru em sua visão sobre o caso. Não é totalmente fiel à história do assassino serial americano, mas fatos e mortes idênticas foram utilizadas pelo diretor John McNaughton que tem o crédito de deixar o filme com uma plausível sensação de desconforto diante da frieza que envolve o estranho mundo de Henry. A frieza do filme é imensa: nas primeiras cenas temos o resultado de alguns dias de serviço de Henry na cidade, corpos de mulheres mortas a beira de rios, em quartos de hotéis e outras áreas urbanas, cada uma parecendo que fora morta de maneira diferente, desqualificando assim um possível assassino em série. Além do desconforto de ver os corpos mortos das mulheres, ainda sentimos um frio horrível na espinha quando a cena é apresentada apenas com o som do momento que o assassino as executa, isto torna as cenas quase impossíveis para pessoas mais sensíveis; crédito para o diretor que, ao invés de mostrar as mulheres sendo brutalmente assassinadas, preferiu mostrar o resultado de um forma um tanto inusitada e totalmente horripilante. Becky (Tracy Arnold) é uma stripper que acaba de chegar à cidade para tentar vida nova depois de se separar do marido violento. Ela encontra seu irmão Otis (Tom Towles, o detestável Harry Cooper d'A Noite dos Mortos Vivos, versão de 1990) e passa a morar com ele. Otis é um traficante de drogas recém saído da prisão que divide um apartamento com o seu amigo Henry (Michael Rooker de centenas de filmes "B" e algumas grandes produções, aqui em uma performance fenomenal) que dividia a cela com ele. Beck logo simpatiza com Henry, mas o que ela não desconfia é que ele prática certas atividades não ortodoxas, como matar pessoas para relaxar ou conseguir coisas para dentro de casa. Começamos a ver quem Henry realmente é (mesmo sendo obvio que as moças do início do filme foram mortas por ele). Com a chegada de Beck, seu irmão Otis tenta agarrar a irmã à força fazendo com que Henry reaja violentamente. Para esfriar os ânimos Beck pede aos dois que dêem uma volta. No passeio eles saem com duas prostitutas. Quando estão executando o ato, Henry começa a estrangular a sua parceira e a mata, a outra moça se vira e tem o seu pescoço quebrado enquanto Otis a agarra. A partir deste ponto Henry tem um parceiro em suas matanças, pois Otis pega gosto em matar as pessoas. Nada justifica o comportamento de Henry: em certo momento do filme Beck fica sabendo que ele matou sua mãe, em razão dela ser uma prostituta. Henry sofria abusos da mãe quando criança, ela trazia homens para casa e fazia ele olhar enquanto transavam e para piorar a situação ela o obrigava a se vestir de mulher, motivo suficiente para alguém se revoltar. Ele primeiro diz que a matou a facadas, depois afirma que atirou nela, deixando a impressão que na verdade isto não aconteceu (este também foi o motivo alegado pelo verdadeiro Henry Lee Lucas, mas ele também era conhecido por ser um grande mentiroso). Da metade para frente o filme se torna totalmente violento, com mortes executadas pelos dois assassinos apenas para descarregar a tensão. Um exemplo é quando em certa parte Otis diz estar se sentindo mal. Henry pergunta se ele quer matar alguém, eles saem e param o carro em algum lugar da cidade aparentando estarem precisando de ajuda. Logo encosta um outro carro para socorre-los e, assim que o passageiro desce do carro, ele pergunta se eles precisam de ajuda. Henry vira para Otis e pergunta: "Você está pronto para ser ajudado?" e Otis executa o rapaz com vários tiros. A situação se agrava quando em um acesso de fúria com a péssima qualidade da imagem de sua televisão, Otis a quebra. Henry o leva em um local onde se compra produtos roubados, mas eles não tem dinheiro para pagar por uma boa TV e friamente assassinam o arrogante comerciante, roubam uma TV e uma câmera amadora e passam a gravar seus assassinatos. O momento mais revoltante no filme é justamente quando eles invadem uma casa e assassinam friamente uma família enquanto filmam tudo. Percebe-se claramente que Otis se diverte matando aquelas pobres pessoas, já para Henry parece ser uma obrigação, algo que precisa ser feito, tanto que ao terminar Otis tenta transar com a mulher morta e Henry o repreende. Esta cena foi tão perturbadora que a atriz que representa a mãe da família entrou em crise de choro depois das filmagens. A única cena realmente gore no filme ocorre quando Henry sai para comprar um cigarro e Otis estupra a sua irmã. Henry chega a tempo de flagrar a cena e reage contra Otis. No meio da briga, Beck pega um pente e fura o olho de Otis, Henry finaliza o serviço a golpes de faca. Na cena seguinte, vemos Henry destroçando o corpo de Otis, nada muito explicito e chocante, se não fosse o som horrível da serra quebrando os ossos. No fim do filme, não temos a comum conclusão de assassino preso pelos seus pecados, mas sim uma verdadeira análise, mostrando que nem o amor poderia acalmar os impulsos animais de Henry. Mérito ao diretor que não quis mostrar os heróis (polícia) prendendo o mal-feitor (Henry), limitando-se apenas em mostrar os atos selvagens contra as pessoas e que eles acontecem todos os dias. Mesmo não sendo fiel à história real do serial-killer Henry Lee Lucas (Beck na verdade era uma ninfeta juntada com Otis e Henry não matou Otis, ele passou o fim de seus dias em uma prisão), o filme deixa a terrível impressão que pode ter alguém como Henry do seu lado e você nunca ter percebido, se mostrando violento e assustador até o seu fim. Um verdadeiro retrato de um assassino. Gênesis Ramone COTAÇÃO: |