Hannibal
ANO: 2001 PAÍS: EUA DURAÇÃO: 097 minutos DISTRIBUIDORA: DIREÇÃO: Ridley Scott ROTEIRO: David Mamet; Steven Zaillian; Thomas Harris ELENCO: Anthony Hopkins; Julianne Moore;Ray Liotta; Gary Oldman; Giancarlo Giannini; Francesca Neri; Frankie Faison; Zeljko Ivanek CARACTERÍSTICAS: Colorido; Legendado/Dublado SINOPSE: Depois de uma década de silêncio, Hannibal Lecter está de volta. A agente do FBI Clarice Starling (Julianne Moore) é difamada após a tentativa frustrada de prisão a uma criminosa aidética. Sendo considerada a agente mais sangrenta da história, Clarice inicia sua isolada busca pelo seu arqui-inimigo Hannibal, quando recebe uma carta dele...
CRÍTICAS: Alguém aí já teve infecção intestinal? Bem, é uma das coisas mais degradantes que pode acontecer com uma pessoa: a doença enfraquece o ser humano a tal ponto de ele virar um trapo, emagrecendo vários quilos por não conseguir comer nem uma uva sem querer botar para fora depois. E as dores atrozes no peito fazem com que o doente fique o tempo todo se remexendo na cama, tentando achar uma posição confortável e onde não sinta dor - posição esta que nunca encontra. Bem, eu tive. E fiquei uma semana das diabos no hospital me recuperando desta praga. Foi quando matei o tempo lendo "Hannibal", livro de Thomas Harris que, na época, era lançamento e estava entre os mais falados e badalados. Odiei. E imaginava que fosse justamente pela situação triste e desconfortável em que me encontrava, onde talvez até CIDADÃO KANE iria parecer um filme ruim. Mas a verdade é que o livro, a história, o enredo do terceiro livro sobre o psicopata Hannibal Lecter é mesmo horrível, e isso eu fui constatar algum tempo depois, ao ver HANNIBAL, a adaptação cinematográfica da obra de Harris, feita por ninguém menos que Ridley Scott - o cara que dirigiu ALIEN, BLADE RUNNER e mais uma pá de filmes legais. Pois o filme é tão ruim, mas tão ruim, que me comprovou como o livro original de Thomas Harris é mal-escrito e sem graça. A adaptação para o cinema é tão vazia quanto o livro, e sei que tem muitos fãs que vão querer me aniquilar depois dessa opinião. Mas diga-se a verdade: "Hannibal", o livro, é uma completa perda de tempo, um caça-níqueis já escrito com a intenção de virar filme. Cada frase, cada linha da história parecia imaginar a futura versão cinematográfica. O escritor só esqueceu de pensar numa boa história, como fez anteriormente, em "Red Dragon" e "O Silêncio dos Inocentes" - os dois outros livros com as aventuras do serial killer canibal, que também viraram filmes. A culpa pelo fiasco de HANNIBAL nem é dos atores ou do diretor Ridley Scott, que até seguram a peteca e entregam um filme bem feitinho. O grande problema é mesmo a história. Felizmente, os produtores do filme ainda tiveram o bom senso de mudar o ridículo final do livro, onde Hannibal Lecter (alçado à condição de herói da história, apesar de ser um assassino frio e impossível de simpatizar) e Clarice Starling (a agente do FBI que o persegue) se apaixonam e fogem juntos (argh!). Na adaptação cinematográfica o final é mais razoável, embora seja exagerado e deixe as portas abertas para uma nova (e provavelmente fraca) continuação. HANNIBAL é um infeliz desperdício. Chega a ser triste esperar 10 anos (o tempo entre o lançamento da excelente adaptação cinematográfica de O SILÊNCIO DOS INOCENTES, por Jonathan Demme, e desta continuação) para ver uma produção tão tosca, disfarçada de superprodução luxuosa. O grande problema do filme é o grande problema do livro: o assustador Hannibal Lecter, que conhecia todas as fraquezas humanas quando preso num sanatório (nas duas primeiras histórias), que destruía seus adversários em intrincados jogos mentais, que usava de fina ironia para combater a lei, é aqui reduzido a um psicopata comum, como o cinema já produziu aos milhares. Em RED DRAGON e O SILÊNCIO DOS INOCENTES, ele provocava arrepios quando estava aprisionado, com sua frieza, sua crueldade e seus olhos assustadores. Já em HANNIBAL, livre, leve e solto, o assassino não assusta nem criancinhas, tornando-se um vilão comum que usa mais a força bruta (facas afiadas, no caso) do que as palavras para enfrentar seus inimigos. Isso mesmo, aqui ele mata sem piedade, tal qual um Jason Vorhees ou um Freddy Krueger. E esta comparação não é gratuita: como os dois psicopatas dos filmes de horror, Hannibal agora tem uma predileção por mortes criativas, exageradas, fazendo da maior parte do filme uma piada - até fala coisas engraçadinhas antes de matar suas vítimas. Tudo isso seria perdoado se, como nos filmes anteriores, Hannibal Lecter fosse um coadjuvante na trama. Mas não é. Thomas Harris achou que seria uma grande coisa transformar o vilão no personagem central da história! Mesma idéia de jerico que tiveram os realizadores de FREDDY VERSUS JASON, só para comparar. Mas o pior é que tanto no livro quanto no filme, eles realmente tentam fazer o espectador simpatizar com o personagem, como se um assassino brutal pudesse virar um simpático anti-herói. Anthony Hopkins, excelente ator, parece divertir-se exagerando na interpretação de Hannibal, tentando compor um personagem demoníaco e ameaçador, mas ao mesmo tempo apaixonado e simpático (vamos lá, em coro: argh!). Já a agente do FBI Clarice Starling, a verdade heroína em O SILÊNCIO DOS INOCENTES, volta nesta continuação e não faz nada o tempo inteiro. Ela começa o filme matando uma traficante, em uma ação equivocada, e depois não investiga mais nada, virando apenas o "interesse amoroso" de Hannibal. A personagem está completamente desperdiçada e desinteressante , além de aparecer bem pouco. Jodie Foster, que interpretou a heroína com muito charme em O SILÊNCIO DOS INOCENTES, acertou em escapar deste fiasco, deixando o papel vago para Juliane Moore. Ela também é uma excelente atriz, mas está apagada, com o roteiro lhe dando poucas chances de aparecer - ao final, até esquecemos que Clarice estava no filme. A história é uma pérola da simplicidade, o que nos leva a questionar que motivo teve Thomas Harris ao escrevê-la que não fosse o de encher os bolsos de dinheiro. Saindo Hannibal Lecter como vilão, foi preciso encontrar outro malvado para o posto. O escolhido é Manson Verger (interpretado por um Gary Oldman carregado de maquiagem), um milionário desfigurado por Hannibal no passado, que oferece uma fortuna a quem lhe entregar o canibal vivo. Ele tem um plano mirabolante: quer jogar o inimigo para ser devorado por porcos selvagens. Desde que escapou do sanatório, no final de O SILÊNCIO DOS INOCENTES, Hannibal vive escondido em Florença, na Itália, usufruindo da cultura, do refinamento e da boa gastronomia, sem desconfiar do perigo que o ronda. Mas um policial corrupto, Rinaldo Pazzi (Giancarlo Giannini, o melhor do filme), descobre quem ele é e tenta entregá-lo a Verger. Começa um jogo de gato e rato que podia render um bom filme, mas nunca alcança grandes emoções. E perde-se na sangreira, matando alguns dos personagens centrais de forma totalmente gratuita. Quando o filme sai da Itália, todo o interesse cai por terra. A tática para transformar Hannibal em herói é cercá-lo com outros vilões muito piores que ele, como o tal Verger, bem mais malvado - no livro ele era pedófilo e bebia drinques com lágrimas de criancinhas. Mas pelo menos eu não caí nessa: continuo achando Hannibal Lecter um grande FDP e fiquei revoltado toda vez que ele conseguia escapar das armadilhas dos seus antagonistas em HANNIBAL - eu deveria, como a maior parte do cinema, estar torcendo para ele, mas simplesmente não consigo simpatizar com um "herói" assim. A única coisa de interesse nesta bomba são as já citadas mortes criativas, que também estão no livro - tão exageradas e mal-encenadas que nem ao menos conseguem chocar o público, a não ser que você seja facilmente impressionável. Em uma delas, Hannibal corta um sujeito e o atira dependurado numa janela, fazendo suas tripas de espalharem pelo chão. Em outra, a mais revoltante, que fez gente sair do cinema na sessão onde eu assisti o filme, Hannibal abre o crânio de um rival, mantido vivo com sedativos, e faz o sujeito comer o próprio cérebro, frito na manteiga. Chocante para alguns, a cena ficou, na verdade, hilariante, graças ao péssimo efeito de computação gráfica para mostrar o ator com o cérebro exposto. Prefira relegar essa porcaria ao esquecimento que ela merece e rever O SILÊNCIO DOS INOCENTES, ou mesmo RED DRAGON, nas versões de Brett Ratner e Michael Mann. Os nazistas foram fartamente condenados por queimarem livros durante a Segunda Guerra Mundial, mas alguns - tipo HANNIBAL - realmente mereciam acabar na fogueira, ao invés de virarem superproduções sem graça e sem ética. Felipe M.Guerra COTAÇÃO: Mulheres que estão lendo essa crítica. Coloquem bem o nome desse senhor, que protagoniza "Hannibal", na lista de possíveis pretendentes. Senão vejamos, ele é inteligente, tem muito bom gosto pra artes, e se envolve na curadoria de um museu de arte. Sabe várias línguas e sempre é capaz de citações intelectuais. Tenha certeza de que um programa com ele vai incluir uma ópera e, provavelmente, depois um jantar. O único problema é que você pode ser o jantar. Esse é Hannibal Lecter, o psicopata que foi eleito recentemente como o personagem mais assustador do cinema. Essa é a segunda vez que Anthony Hopkins interpreta Hannibal. "Silencio dos Inocentes", o ótimo suspense de 1991 laureado com 5 Oscars, dirigido por Jonathan Demme, não merecia uma continuação tão ruim. "Hannibal", feito 10 anos depois, merecia um Oscar também. De preferência atirado com toda força na cabeça do roteirista. Mesmo durando excruciantes 131 minutos, o filme não tem a capacidade de encaixar um argumento que ao menos prenda o espectador. Sete anos se passaram desde que o Dr. Hannibal escapou da prisão. O canibal agora trabalha na biblioteca de uma família nobre de Florença (Itália), além de ser curador de um museu. Eu falei, gente muito fina esse Lecter. Só que ele é um dos 10 criminosos mais procurados do mundo. Agora, como alguém que é tão caçado assim trabalha numa boa na Itália? Pergunte ao roteirista. Clarice Sterling, que tinha entrevistado o Dr. Lecter no filme anterior, antes que este fugisse do hospital de segurança máxima para psicopatas, jamais o esqueceu. Só que no meio da trama está o milionário de Mason Verger (Gary Oldman), que não era o Michael Jackson mas gostava de lutar jiu-jitsu nu com criancinhas. Mason era um dos pacientes de Hannibal, e teve seu rosto desfigurado pelo psicopata. Mas psicopata por psicopata, Mason e Hannibal se entendem. Alias, deveriam se entender, mas o problema é que Mason vive obcecado por vingança. Mason pretende descobrir aonde está o psicopata, e para isso conta não apenas com uma equipe de mercenários, mas também usa Clarice como isca. Jodie Foster pulou fora quando leu o argumento, e a pobre Julianne Moore teve que substitui-la no papel da policial Clarice. Do meio para o final, o diretor Scott deve ter percebido que havia se metido numa furada tão grande quanto "Gladiador", aí resolveu as coisas na base da violência. Quem curte sangue espirrando em excesso na tela, vai adorar, mas o fato é que "Hannibal" não tem ao mínimo uma atmosfera de suspense decente. A impressão é a de que o diretor Scott estava deslumbrado demais com o personagem, e deixa claramente isso ser percebido durante o filme. Aí, não há como segurar o minimo de qualidade final. Tirando o fato de que Hopkins, outrora um grande ator, está super-representando. Um horror de filme. Literalmente. Carlos Afonso COTAÇÃO: "MUITO SANGUE E POUCA HISTÓRIA. O PIOR FILME DA SÉRIE!!! " Danilo Gonçalves NOTA: "Voces podem pensar que eu não entendo nada de filme de terror,mas "Hannibal" é um ótimo filme POLICIAL com pitadas de horror graças a excelente(mais uma vez)interpretaçao de Hopkins,fazendo com que o espectador fique abismado com cada frase,cada olhar e cada morte do psicopata Hannibal Lecter. " Ricardo Bertalha NOTA: Envie sua crítica ou opinião sobre este filme e ela será publicada aqui! |