ANO DE LANÇAMENTO
1997 (Japão)
DIRETOR

Kazuyoshi Kumakiri

ELENCO
Shigeru Bokuda
Sumikio Mikami
Shimsuke Sawada
Toshiyuki Sugihara
ROTEIRO

Kazuyoshi Kumakiri

PRODUÇÃO

Kazuyoshi Kumakiri
Tomohiro Zaizen

FOTOGRAFIA

Kiyoaki Hashimoto

EDIÇÃO

Kazuyoshi Kumakiri

LANÇAMENTO NO JAPÃO:

1 de setembro de 1997

DISTRIBUIDORA:

KICHIKU
(Kichiku dai enkai)


O líder de um grupo de militantes é preso, deixando a namorada dele no comando. Quando ele se suicida na prisão, desespero e confusão conduzem o grupo a uma vingança regada a atos de violência e sadismo...

CRÍTICAS

O Cinema Extremo asiático já se tornou uma referência singular dentro do Moderno Horror Cinematográfico, graças a sua total falta de limites e independência de produção com um forte mercado de consumo interno e milhares de fãs no ocidente. Séries radicais e niilistas como a famigerada ALL NIGHT LONG e recentes Obras-Primas do genial TAKASHI MIIKE como: AUDITION, ICHI THE KILLER, FUDOH e GOZU, são apenas alguns exemplos vindos do Japão. Hong Kong, Coréia do Sul e Tailândia também entram nesse conjunto que forma uma gigantesca cinematografia que vem revolucionando de maneira irreversível o Cinema de Gênero produzido atualmente e servindo de influência para talentos do calibre de Quentin Tarantino e Eli Roth.

Antes da onda sangrenta gerada por Miike, um filme feito no Japão em 1997 já trabalhava com uma série de propostas extremas de forma e conteúdo gerando uma produção perturbadora e inesquecível: KICHIKU, um filme dirigido, escrito, produzido e montado pelo talentoso KAZUYOSHI KUMAKIRI. A história central já é uma ousadia dentro do contexto cultural do Japão colocando em cena um grupo de militantes com tendências terroristas cujo líder é preso. Em seu lugar fica a sua namorada liderando um grupo de homens. Como em toda estrutura de poder, começam a surgir invejas e disputas internas que passam a se delinear na primeira parte do filme. Com uma trilha sonora bastante original, uma fotografia excelente e que ajuda na criação da crescente espiral de demência e horror que irá se desenrolar, o filme se utiliza de enquadramentos e ângulos inusitados que também acabam contribuindo para a construção do clima de demência para o qual o filme prossegue.

Como uma espécie de quebra, de condução a um “abismo”, o filme passa por uma transformação radical conduzindo os atores para um bosque, tirando-os do clausura em que se encontravam. A ida para o bosque tem como objetivo um ritual de julgamento, condenação e tortura de um membro rebelado. O que é encenado surge como um conjunto de cenas doentias e perturbadoras onde em um quase estado de transe liderado por sua líder feminina, o grupo descarrega no colega rebelde uma inacreditável carga de sadismo com momentos de gore estremo. A cena da garota mexendo nos miolos do homem, soltando risinhos infantis, já tem lugar de honra na Galeria do Cinema Extremo. Lembra um pouco a subversão infantil da ninfeta torturadora que Miike faria anos depois em AUDITION. Durante todo o tempo o mesmo jogo de enquadramentos e ângulos inusitados prossegue mostrando uma visão muito peculiar e original do transe demente encenado pelo grupo naquilo que eles chamam de “Festas” e que aparecem como intertítulos durante o filme.

Depois do “Julgamento” no bosque o que segue é uma espécie de caça onde todos são caçadores e vítimas em potencial e onde tudo pode acontecer. É muito interessante o uso de enquadramentos em Câmera Baixa tornando a figura de determinados personagens semelhante a de gigantes quase tortos, irreais, construindo e enfatizando o clima de pesadelo que parece interminável. Cabeças explodindo, mutilações e absurdos e deslimites gore são encenados quase que sem interrupção com efeitos especiais muito bem realizados. Numa alusão ao tradicional duelo de espadas típico do Japão surge uma interessante e breve cena ritualística em meio a carnificina que conseguiu chocar até a mim que estou acostumado com cenas absurdas de violência e horror. Redescoberto recentemente KICHIKU recebeu edições em DVD mundo afora e chegou a ser lançado em alguns cinemas do ocidente. Mais violento que VERSUS, mais perturbador do que o segundo episódio da série ALL NIGHT LONG, se isso é possível, KICHIKU merece uma conferida, mesmo tendo sido realizado quase dez anos atrás. Muito bem alicerçado em produções importantes feitas no Japão nas décadas de 60 e 70, o trabalho de KAZUYOSHI KUMAKIRI merece ser descoberto e reverenciado, mesmo em seus dramas românticos dirigidos posteriormente como por exemplo: HOLE IN THE SKY e ANTENA.

Marcelo Carrard
mondopaura.zip.net