Urban Legend 2 - The Final Cut ANO: 2000 PAÍS: EUA DURAÇÃO: 100 minutos DISTRIBUIDORA: Phoenix Pictures DIREÇÃO: John Ottman ELENCO: Jennifer Morrison; Matt Davis; Hart Bochner; Joey Lawrence; Loretta Devine; Jessica Cauffiel; Anthony Anderson; Anson Mount; Eva Mendes; Michael Bacall; Marco Hofshneider CARACTERÍSTICAS: Colorido; Legendado/Dublado SINOPSE: Numa universidade, há um prêmio chamado Hitchcock que é dado aos alunos todo ano para o melhor filme de suspense. Um grupo de estudantes decide realizar uma obra cujo tema seja Lendas Urbanas. Cada lenda que o grupo filma ocorre de verdade com os alunos da universidade. Quem será que está matando os alunos? CRÍTICAS: O primeiro LENDA URBANA - um daqueles inexplicáveis sucessos de bilheteria, dirigido com mão pesada e sem qualquer criatividade pelo péssimo Jamie Blanks - já era uma porcaria. Mas esta continuação sem qualquer sentido, lógica ou relação com o original é o fim da picada. Trata-se de um slasher movie, ou seja, aqueles filmes em que a história só existe para justificar um assassinato a cada 10 minutos. Mas estes filmes de hoje não têm o charme daqueles de antigamente, como 'Halloween' e 'Sexta-feira 13', além de serem tímidos no quesito sustos e sangue. Para dar uma idéia da picaretagem que é o filme, os produtores tentaram desesperadamente forçar uma relação com o (injusto) sucesso original e escalaram para o elenco Loretta Devine, que no primeiro filme interpretava a guarda de segurança da faculdade e aqui volta no mesmo papel (não que isso faça qualquer diferença no desenvolvimento da história). A trama passa de uma faculdade americana para uma universidade de cinema, onde recomeçam os assassinatos, justamente quando um grupo de jovens está fazendo um filme sobre lendas urbanas. Logo, todos eles serão vítimas de um assassino que usa uma máscara de esgrima (o serial killer do filme original não era mascarado), em momentos realmente patéticos, que não assustam, não chocam, não arrepiam, enfim, não fazem qualquer diferença. Pior é que tem uma cena interessante, envolvendo um avião onde todos os passageiros foram mortos por um assassino (um filme dentro do filme, como logo iremos descobrir). Mas depois descamba para a obviedade. Não há ritmo, sustos ou qualquer suspense neste ridículo desperdício de película e sangue falso. É só olhar para os esteriotipados personagens no momento em que eles aparecem em cena para adivinhar, na hora, quem vive e quem morre. As mortes, por sinal, não têm a menor lógica: o assassino não segue um padrão de vítimas nem um motivo lógico, embora no final, quando sua ridícula identidade é revelada, ele insista em tentar explicar seu "motivo", mais ridículo, impossível, relativo a uma competição dos "melhores filmes", chamada Prêmio Hitchcock, e que a tal universidade promove. Se a moda pega, os indicados para o Oscar também vão colocar máscaras e sair por aí matando seus concorrentes. Não que um assassino precise ter realmente um motivo para cometer seus crimes (na vida real, na maioria das vezes, eles não têm). Mas forçar uma desculpa tão esfarrapada para transformar uma pessoa normal em psicopata é demais. Ainda mais forçado que a justificativa da assassina do filme original! As cenas de assassinato são muito comportadas e só vão assustar os adolescentes bobos da nova geração. A câmera até desvia do alvo nas cenas em que alguém é morto, sem mostrar cortes, golpes ou perfurações. Quem cresceu vendo filmes de Lucio Fulci, George Romero, Wes Craven e Tobe Hopper vai simplesmente bocejar, além de utilizar várias vezes o "fast foward" do controle remoto para avançar os inúmeros tempos mortos (sem trocadilho) na trama. Insistem até em forçar a barra com um romance sem pé nem cabeça, provavelmente para não deixar o filme mais curto do que já é (cerca de 80 minutos), o que não impede que o espectador passe o tempo todo bocejando. Também tenta soltar diversas pistas falsas sobre a suposta identidade do assassino, inclusive inventando uma ridícula trama sobre irmãos gêmeos (bahhh...), mas no fim vai para o vale-tudo e qualquer mané que apareceu por poucos segundos na trama pode ser o matador. Por sinal, o roteiro é simplesmente horroroso. Podia-se fazer misérias com uma história envolvendo a produção de um filme de horror e o conseqüente ataque de um maníaco no set. O diretor italiano Michele Soavi foi bem em O PÁSSARO SANGRENTO, onde um serial killer ataca durante o ensaio de um grupo de teatro, fazendo com que as vítimas misturem ficção e realidade. Mas os roteiristas da atualidade parecem preguiçosos ao abordar o tema. Outro filme dentro deste espírito, PÂNICO 3, dirigido por Wes Craven, também aproveitou mal a idéia de um filme produzido dentro do filme, misturando mortes de mentirinha com mortes "reais". Em LENDA URBANA 2, o máximo que o fraco roteiro consegue é mostrar algumas pessoas "interpretando" que estão mortas - até morrerem de verdade. E ao invés de fazerem diversas brincadeiras cinematográficas e citações aos clichês do gênero, preferiram levar tudo a sério, com pouco humor, como se estivessem criando uma mais nova obra-prima do suspense! Uma das únicas gracinhas é quando dois personagens discutem se é melhor utilizar efeitos especiais digitais ou maquiagem. Um deles prefere a tradicional maquiagem com catchup e diz que os efeitos ficaram melhores do que se fossem digitais, soltando um "Foda-se George Lucas!". Assutado, seu colega retruca: "Cara, você vai para o inferno!". Até o título deste péssimo filme é uma propaganda enganosa: apenas uma das mortes - aquela que envolve uma moça que acorda na banheira com gelo e teve o rim extraído - é inspirada em 'lendas urbanas'. As outras são simplesmente mortes violentas sem qualquer relação com o tema, que já foi até bastante esgotado no primeiro filme. De quem será a culpa por tamanho desastre? Dos produtores inescrupulosos, loucos por um sucesso fácil na esteira do original, mesmo que o primeiro filme já fosse uma porcaria e esta continuação não tenha nada a ver com ele? Do diretor John Ottman, que nunca fez um filme na vida (e espero que nunca mais faça), sendo conhecido apenas como compositor de trilhas sonoras de filmes de horror, como HALLOWEEN H20 e PÂNICO NO LAGO? Do péssimo roteiro de Paul Harris Boardman (o mesmo de HELLRAISER INFERNO), que nada tem a ver com lendas urbanas e podia muito bem ser um filme qualquer sem "Parte 2" no título? Do péssimo elenco, que entrega algumas das interpretações mais ridículas e sem emoção da história do cinema? Ou de nós, pobres espectadores, que perdemos nosso tempo e dinheiro vendo estes filmes ruins, e justificando que os produtores inescrupulosos supra-citados cometam barbáries do gênero unicamente em nome do dinheiro? Pior é constatar como o elenco tem nomes tão díspares como o irritante Anthony Anderson (o negro gordão de EU, EU MESMO E IRENE e TODO MUNDO EM PÂNICO 3) e a gostosona Eva Mendes (que agora virou estrela, em filmes como MAIS VELOZES E MAIS FURIOSOS, mas está totalmente desperdiçada como uma das candidatas a cadáver).Resumindo: um ridículo e patético horror de filme, não filme de horror, totalmente sem surpresas, esquemático e oportunista, como toda continuação caça-níqueis que se preze... Felipe M. Guerra COTAÇÃO: |