Wolf ANO: 1994 PAÍS: EUA DURAÇÃO: 125 minutos DISTRIBUIDORA: LK-Tel Vídeo/Columbia DIREÇÃO: Mike Nichols ELENCO: Jack Nicholson; Michelle Pfeiffer; James Spader; Kate Nelligan; Christopher Plummer; Richard Jenkins; Eileen Atkins; David Hyde Pierce; Om Puri; Ron Rifkin; Prunella Scales CARACTERÍSTICAS: Colorido; Legendado/Dublado SINOPSE: Homem que passa por crise é mordido por lobo e começa uma lenta e estranha mutação, com seus 'instintos animais' aflorando à pele. CRÍTICAS: Em uma noite fria e sinistra, um homem (Jack Nicholson)dirige seu carro por uma estrada deserta e escura,quando, acidentalmente, atropela um enorme animal. Aosair do carro para verificar, o homem se surpreende aoconstatar que se trata de um grande lobo negro, que omorde antes de correr em direção a mata. Depois desseestranho incidente, o indivíduo, que é funcionário deuma conceituada editora literária, mergulha em umagrande crise, vendo sua vida pessoal e profissionaldesmoronar, ao mesmo tempo em que percebe estranhasmudanças em seu organismo, que acabam levando-o a umaterrível descoberta. Esse é o ponto de partida de “Lobo”, filme dirigido porMike Nichols em 1994, e que tem no elenco nomes de pesocomo Michele Pfeifer, James Spader, e o já citado JackNicholson. Essa produção, que tenta dar uma releituracontemporânea à clássica figura do lobisomem, surgiu emmeio a mais uma das infindáveis modas de Hollywood. Sim,como todo mundo já deve estar cansado de saber, detempos em tempos, os executivos dos grandes estúdiosamericanos emergem com certas “manias” (geralmentemotivadas por algum filme de sucesso inesperado) queimediatamente são acatadas (ou imitadas) por todos. Nesse caso, os primeiros anos da década de 90 chegaramcom a onda de trazer de volta personagens clássicos docinema de horror, que haviam feito grande sucesso emdécadas passadas, mas que por algum motivo andavam meioesquecidos. Dessa forma, em 1992 estreou “Drácula, deBram Stoker”, dirigido pelo consagrado Francis FordCoppola, e protagonizado por uma legião de astros comoGary Oldman, Winoma Ryder, Keanu Reeves e AnthonyHopkins. Como não podia deixar de ser, o filme fez umsucesso estrondoso e ganhou quatro Oscars. Na seqüência,veio “Frankenstein, de Mary Shelley”, em 1994, dirigidopelo inglês Keneth Branagh (que também atuou), e tendocomo principal nome do elenco Robert de Niro. Esse filmefoi co-produzido por Coppola, e apesar de ser muito bom,não alcançou o mesmo reconhecimento de “Drácula”. E paracompletar a trinca dos personagens clássicos, nessemesmo ano foi lançado “Lobo”, o filme em questão. Eu, particularmente, sou um grande fã de filmes delobisomens, e não há como falar neles sem citar osótimos “Grito de Horror”, “A Hora do Lobisomem” (que naTV passou com o nome de “Bala de Prata”), e oinsuperável “Um Lobisomem Americano em Londres”. Porém,infelizmente, esse “Lobo” ficou muito aquém dos outrosfilmes citados, e também perdeu feio para as demaisproduções de sua época. Para começar, me parece que a escalação do elenco já foiequivocada. Quero dizer, Jack Nicholson tem talento desobra, isso é inegável, mas ele não se saiu bem nessefilme. Talvez eu tenha ficado desapontado, poisacreditava que ele iria repetir o vilão pra lá deassustador de “O Iluminado”, o que de fato não acontece.Pra ser sincero, parece que Nicholson trabalhou de formaum tanto quanto desleixada nesse filme. Não raro, acâmera parece flagrá-lo sorrindo, em momentos que nadatem de engraçado, como se o próprio ator estivesseachando graça de se ver em tal papel. A belíssimaMichele Pfeifer esbanja sensualidade, como sempre, masnão chega a empolgar como fez no papel da Mulher-Gatoem “Batmam, O Retorno”. Acredito que grande parte dissose deve ao fato dela formar um par romântico comNicholson, o que, convenhamos, é um pouco forçado. Quemacaba se saindo bem mesmo é James Spader, que haviafeito sucesso em dramas adolescentes como “Tuf-Turf – ORebelde” e “Juventude Perdida”, e aqui consegue repetirum bom desempenho. Mas certamente o grande problema desse filme é oroteiro, previsível e arrastado, que perde tempo demaisnos dramas pessoais dos personagens e acaba deixando aidéia do lobisomem quase para segundo plano. É claro queé interessante ver a falta de escrúpulos e a ganânciados personagens, principalmente daqueles interpretadospor Spader e Nicholson, que passam o tempo inteiro sedenegrindo uns aos outros, mas certamente não era essa aintenção de um fã de filmes de lobisomens. E já quecheguei nesse ponto, não há como não ficar decepcionadoquando as feras entram em cena pra valer (apenas nofinal do filme), pois os efeitos das criaturas são muitofracos, e parecem ter sido feitos de forma a homenagearo monstro do filme “O Homem Lobo”, de 1935, mas no finaldas contas acabam parecendo aquele lobisomem danovela “Roque Santeiro” (alguém se lembra?). E o maisincrível é que os efeitos ficaram a cargodo “especialista em lobisomens” Rick Baker, quetrabalhou também em filmes como “Um Lobisomem Americanoem Londres” e “Grito de Horror”. Vai entender... Como pontos positivos, acaba sobrando muito pouco paraesse filme: merece destaque a sempre encantadora belezade Michele Pfeifer, e a cena do confronto de lobisomens,no final, e nada mais. Até mesmo a controversa morte damulher de Nicholson, que poderia gerar algum suspense, édesvendada minutos depois, desperdiçando a chance deacrescentar um pouco mais de tensão ao filme. Para nós, fãs das criaturas licantrópicas, resta aexpectativa de que novos filmes legais sobre lobisomensestejam por vir, afinal, o grande diretor Wes Craven e oconceituado roteirista Kevin Willianson (responsáveispelo sucesso da trilogia “Pânico”) já estão trabalhandoem uma produção sobre esses monstros. Além disso “APossuída 2” vai ser lançado em breve, e parece que aParte 3 também está a caminho. Por incrível que pareça,até Michael Jackson disse recentemente que vai produzire estrelar um filme sobre lobisomens. Há boatos dandoconta que Rick Baker já teria sido convidado paratrabalhar nos efeitos especiais (curiosidade: olobisomem interpretado por Michael Jackson no videoclipeda música “Thriller” foi obra de Baker). É esperar pra ver, mas desde já fica a torcida para quepelo menos alguns desses filmes consigam escapar doaçucarado padrão Hollywoodiano e nos surpreendam comtudo aquilo que “Lobo” não foi capaz de nos oferecer. André Bozzetto Junior COTAÇÃO: |