MESSIAS DO MAL
Savage Messiah

ANO:   2002
PAÍS:    Canadá
DURAÇÃO:    94 minutos
DISTRIBUIDORA:     FlashStar
DIREÇÃO:   Mario Azzopardi
ELENCO:     Polly Walker, Luc Picard, Isabelle Blais, Isabelle Cyr, Julie La Rochelle.
CARACTERÍSTICAS:    preto & branco; Legendado/Dublado


SINOPSE:
     Baseado em fatos reais, "Messias do Mal" é a história de um charmoso, mas diabólico líder do culto Roch Thérault (Luc Picard), que preside uma estranha comunidade. Nela vivem suas Oito esposas e 26 filhos. A assistente social, Paula Jackson (Polly Walker), visita à comunidade e aparentemente todos parecem viver felizes e em paz, apesar de terem um comportamento fora dos padrões. Mas, Paula investiga mais a fundo e acaba descobrindo uma criança morta, pessoas que são obrigadas a passar por rituais, abusos mental e físico. Colocando seu emprego e sua vida em perigo, ela está determinada a salvar aqueles que seguem este líder manipulador, brutal e assassino.


CRÍTICAS:     Mateus 24:23-26 "Se, pois, alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! ou: Ei-lo aí! não acrediteis; porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. Eis que de antemão vo-lo tenho dito. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto; não saiais; ou: Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis."

A realidade é sempre mais assustadora que a ficção. Ver monstros, assassinos e violência em obras de ficção já não impressiona mais como antigamente, quando o cinema, em sua fase fértil, servia como uma "válvula de escape" ao horror da guerra sempre iminente. Por meio de metáforas sutis, surgiam criaturas bizarras que representavam, cada uma a seu modo, os horrores da violência entre nações, permitindo que o público desviasse sua atenção para o desconhecido, o improvável. Já hoje em dia os filmes disputam o medo do telespectador através de produções que retratam a ficção com efeitos especiais ousados e a realidade quase "nua e crua", contando detalhadamente os atos de psicopatas e assassinos em série. Assim, tipos cruéis e desalmados como "Ted Bundy" e "Ed Gein" têm sua vida criminal contada em filmes que se diferenciam pela linguagem e narrativa, mas que se assemelham por sua essência doentia.
No final da década de 80, Paula Jackson, uma assistente social de uma pequena cidade canadense, começou a investigar por conta própria uma comunidade rural liderada por Roch, um homem que se denominava Moisés e prometia o paraíso a oito mulheres - suas esposas - e uma porção de crianças. Após a morte de um bebê - vítima de hipotermia, após passar a madrugada ao relento para que parasse de chorar -, Paula descobre que o líder religioso havia fugido de uma condicional no Quebec e que tem o costume de maltratar suas esposas em nome de "Deus" e do "Amor". A medida em que a investigação se aprofunda, novos crimes são revelados: as crianças que não são de sua linhagem são consideradas escravas, crucificadas e apedrejadas; ele tem o costume de chicotear, queimar e dilacerar as mulheres como forma de punição; faz sexo com e diante de crianças; realiza rituais com muita bebedeira, música e violência; entre outros absurdos.
Não dá para não se incomodar diante do momento em que é exibido um vídeo com uma criança que age como um animal, comendo no chão e rosnando, ou quando uma menina descreve com inocência o abuso sexual de seu "pai".
Assim como "Ed Gein", Roch ainda assassina suas esposas e retira suas costelas para produzir colares e guardar lembranças de suas "amadas". Seus assassinatos sempre são justificados através de cirurgias mal realizadas: Suzette sente dores no estômago. Ele abre sua barriga e arranca um pedaço do seu intestino sem a menor higiene ou qualquer anestesia. Depois ele a deixa isolada, sofrendo com terríveis dores, enquanto aguarda sua morte lenta.
Todo esse horror real é apresentado sobre o formato simples de uma produção feita para a TV, sem exageros e de forma romanciada. Mesmo assim o diretor Mario Azzopardi tortura o espectador com o sofrimento das ingênuas vítimas do "ditador calculista", ao passo que apresenta a angústia da personagem Paula diante de seu passado triste como uma esposa que constantemente apanhava do marido e ainda assim acreditava no amor que ele dizia ter por ela. Nesse momento, surge a principal indagação: amar é fazer sofrer?
Com a brilhante atuação de Polly Walker e Luc Picard, "Messias do Mal" não tem a função de divertir, apenas informar e, quem sabe, orientar o público desprovido de fé sobre a realidade dos falsos profetas. Nos tempos atuais, funciona como uma cartilha, um filme extremamente importante e que deveria ser visto e apreciado por todos.

Marcelo Milici

COTAÇÃO:    

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