MAMÃE É DE MORTE
(Serial Mom)
Beverly Suthpin é tão obcecada pela harmonia de seu lar que é capaz até de matar para impedir que ela seja quebrada. Após uma série de assassinatos, ela é levada a julgamento e, incrivelmente, é absolvida. É a senha para voltar à 'tranqüilidade' de seu lar.
CRÍTICAS
Pai: Escutem essa: Estrangulador recebe diploma na prisão!
Mãe: Isso é bom!
Pai: Bom? Ele deveria ser executado.
Filha: Ele matou gente, mãe!
Mãe: Todos temos nossos dias ruins...
John Waters é conhecido principalmente por sua excentricidade, e por sua sina em explorar temas relacionados ao mau gosto, e a perversidade humana. Seus filmes são dirigidos de uma forma absolutamente peculiar e irreverente.
Aqui no Brasil, seu nome e seu trabalho não são de conhecimento do grande público, mas no cenário cinematográfico independente americano, ele é uma figura carimbada, principalmente pela sua capacidade de se autopromover.
Naturalmente underground, seus filmes de maior repercussão foram: “Pink Flamingos” (1972), “Female Trouble” (1974), “Hairspray - Éramos Todos Jovens” (1988), “Cry Baby” (1990), “Mamãe é de Morte” (1994) e “Cecil Bem Demente” (2000).
Mamãe é de Morte, contudo, de todos os seus filmes, é o que mais representa a sua principal característica pessoal e como diretor: o humor negro.
Eu poderia até dizer que, Beverly Sutphin (Kathleen Turner), é a personificação de tal característica crônica.
Por essa razão, as cenas de morte são a mais perfeita fusão de violência explícita e gratuita com um humor ácido e único.
De longe não é um triller que se utiliza suspense, mas em contrapartida a isso escancara na frieza.
Quando ousaram fazer psicopatas no cinema, eles eram homens, eles usavam algum tipo de técnica ou arma que era a sua marca registrada, entre outras coisas já conhecidas. Já Mamãe é de Morte, apresenta uma interessante variação no tema “psicopata”. Beverly é uma assassina diferente do habitual, uma mulher espontânea, sóbria, sem limite ou pretensão, se não, a de eliminar àqueles que de alguma maneira a incomodaram.
Waters diz ser este filme baseado em uma história real, acontecida em sua cidade natal, Baltimore (Maryland) - Uma excelente dona de casa, ótima mãe e também uma assassina de mão cheia.
Um detalhe: Baltimore, cidade qual é o cenário de todos os seus filmes seja de uma mãe assassina, de um rapaz que só chora por um olho ou até mesmo de um grupo de cineastas terroristas...
O diretor deposita em Beverly uma interessante questão: coisa que você sempre quis fazer, mas nunca teve coragem.
Por exemplo, a cena em que ela atropela o professor de seu filho após ele sugerir que o rapaz faça terapia por conta de sua obsessão em filmes de terror.
Esse assassinato era exatamente o que Beverly precisava para se libertar, e daí para frente começar uma série de homicídios, por diversas razões como, uma mulher que não rebobina as fitas antes de entregar à locadora.
Na verdade, este é um filme recheado de diálogos e cenas memoráveis, desde incendiar um rapaz num show do L7 com o público a vangloriando, matar um velho com o ar-condicionado ou mesmo as cenas menos chocantes por assim dizer, como a das ligações obscenas que Beverly faz à sua vizinha (que ela odeia por razões pessoais), usando termos que faria qualquer prostituta de quinta categoria ficar sem graça.
Kathleen Turner em sua atuação indiscutivelmente mais expressiva, nos presenteia com a psicopata mais engraçada e excêntrica do cinema. E, além disso, protagoniza uma das cenas mais impetuosas de sexo nas telonas, quando faz um verdadeiro escândalo na cama, na noite em que fez sua primeira vítima. Importante destacar que, sempre que eliminava alguém seu humor e vitalidade afloravam.
Não haveria de ser outra atriz, se não ela a interpretar Beverly Sutphin. Há quem diga que este filme não é um de seus melhores, se comparado aos de maior repercussão como Corpos Ardentes (1981), Peggy Sue (1986) e A Honra do Poderoso Prizzi (1985). Pode não ter sido o mais popular e reverenciado, até mesmo pela temática abordada, mas sem dúvidas o filme em que ela teve maior oportunidade de mostrar seu talento.
Kathleen Turner definitivamente entrega-se ao papel de uma forma impressionante, através de seus trejeitos, ela dá vida à personagem, conseguindo assim, com grande maestria nos mostrar os dois lados de uma pessoa só: aquele que é absolutamente normal e perfeito em sua superfície, e o outro, um lado frio, cruel e manipulador.
A película caminha incrivelmente rápida, indicando a hora dos assassinatos periodicamente no fundo da tela, de modo que você está constantemente ciente de como rapidamente a história está progredindo no ambiente estranho que o filme cria.
Sua trilha sonora não poderia ser diferente, sarcástica, no sentido visceral da palavra.
É mais do que curioso ouvi-la cantando “Daybreak” de Barry Manilow (!) enquanto despista policias e vai de encontro a mais uma vítima. E lógico, por mais que tudo esteja a mais completa loucura para os outros, ela continua encantadora e agindo como se tudo fosse muito normal e sempre, mantendo vivo o bom humor. Afinal, ódio, é uma palavra muito pesada, para Beverly Sutphin.
Em suma, Mamãe é de Morte é um ótimo filme, e ainda tem o mérito de contar com excelente roteiro, e direção competente do veterano Waters. Isso sem contar a magistral atuação da não menos experiente, Kathleen Turner.
Se você tiver estômago, não possuir qualquer problema de coração ou desvio mental: eu recomendo!
HISTÓRIA: 


GORE: 
EFEITOS: 
DIVERSÃO: 


Camila Araújo