ANO DE LANÇAMENTO
1989 (EUA)
DIRETOR

Paul Winters

ELENCO
Loren Winters
Donald Hutton
James Courtney
Robert Bruce
Jeff Morris
Shepard Sanders
ROTEIRO

Gahan Wilson

FOTOGRAFIA

Ronald Vidor

SITE OFICIAL

não divulgado

DURAÇÃO:

95 minutos

DISTRIBUIDORA:

CIC Vídeo

MANÍACO DAS ESTRADAS, O
(The Freeway Maniac)


Depois de escapar de maníaco homicida, a bela Linda Kenney vai trabalhar num filme onde precisa contracenar com um ator vestido de monstro. Escondido nos bastidores, o maníaco que quase a matou planeja atacá-la novamente, usando o disfarce de monstro.

CRÍTICAS

É incrível como a lista dos piores filmes de todos os tempos cresce a cada dia... E uma porcaria chamada O MANÍACO DAS ESTRADAS é a prova de que não é só hoje em dia que se fazem péssimos slasher movies, tipo CAMPO SANGRENTO e ESQUIANDO PARA A MORTE. Nada disso: slashers ruins também existiam aos montes nos anos 80, apesar de muitos fãs deste sub-gênero defenderem com unhas e dentes os filmes de matança oitentistas. O MANÍACO DAS ESTRADAS, de 1989, é uma coleção de todo e qualquer clichê do gênero mostrado em filmes bem melhores realizados até então. E é tão absurdamente mal-feito que deveria ser utilizado em escolas de cinema como exemplo do que NÃO fazer ao dirigir uma película. Pior: a produção é da Cannon Pictures, aquela que injetava grana nos filmes de Chuck Norris.

Escrito por Gahan Wilson, autor dos célebres quadrinhos da revista "Playboy" (!!!), e dirigido pelo inepto Paul Winters (que ainda foi cara-de-pau o bastante para fazer uma ponta), O MANÍACO DAS ESTRADAS começa nos anos 50 (pelo que mostram os veículos e roupas dos personagens), quando um casal fogoso está transando (de roupas!!!) sobre a mesa da cozinha. A mulher, então, percebe que seu filho pequeno, Arthur, está espionando e vai passar uma carraspana no garoto. Mas o sermão não chega a se concluir, porque o menino, sabe-se lá porque, fica maluco e mata a mãe e seu amante a facadas, numa cena pessimamente filmada - e que parece chupação do início de HALLOWEEN, de John Carpenter. Entendeu? O trauma do garoto tem a ver com frustração sexual e complexo de Édipo, ou algo assim. hahahaha. Teses de mestrado poderiam ser escritas sobre este início soberbamente amador!

Em um rápido salto no tempo para os dias atuais (anos 80), vamos parar em um manicômio onde Arthur, já adulto (e "interpretado" por James Courtney), está trancafiado. Um enfermeiro novato vai trabalhar no local, e assim um enfermeiro veterano resolve mostrar o hospital para ele. Ao chegar à cela de Arthur, o tal enfermeiro diz: "Aqui está trancado o louco mais violento e brutal que já existiu", e então o mané simplesmente abre a porta para "mostrar" Arthur ao novato. Logo que a porta se abre, o psicopata sai da cela com uma cadeira (!!!) e ataca os enfermeiros. O novato, no cúmulo da imbecilidade, ao ser agarrado pelo assassino, ainda protesta: "Não faça isso! Eu sou novo aqui!". hahahaha.

Então Arthur, o "preso mais violento e brutal que já existiu", e que apesar disso estava trancado numa cela sem qualquer segurança e nem ao menos sedado, escapa do manicômio matando vários guardas pelo caminho, sempre com a maior facilidade, e começa uma onda de matança pela estrada (daí o título, O MANÍACO DA ESTRADA! dããããã!!!!). Paralelamente, uma bela e jovem aspirante a atriz, Linda Kinney (a gatinha Loren Winters, que certamente é parente ou esposa do diretor), flagra seu namorado com outra na cama e resolve abandoná-lo, pegando a estrada. A "outra" chega a comentar com o namorado traidor: "Não sei por que ela ficou tão chateada...". hahahahaha. Pois é... Por que será?

Linda foge sem rumo em seu carrão, só que ele quebra bem no meio do nada. Numa oficina mecânica, ela é atacada por Arthur, que, mesmo levando um tiro bem no meio do peito desferido por um dos mecânicos, continua correndo e matando todo mundo, como se nada tivesse acontecido - um verdadeiro Jason Voorhees! Ele então persegue Linda obsessivamente mas... acaba preso novamente! Sim, você pensou que eu estava contando o final do filme, mas estamos apenas nos 20 minutos iniciais! Esta é a grande curiosidade de O MANÍACO DAS ESTRADAS: ele começa quando a maioria dos slasher movies do gênero termina, com a heroína escapando do assassino depois que ele mata meio-mundo. Não que isso melhore a ruindade que vem pela frente...

Aproveitando a fama adquirida graças ao episódio, Linda consegue um contrato com uma produtora de fundo de quintal, para estrelar um filme de ficção científica classe Z chamado "Astronette", e que será filmado no meio do deserto. Porém Arthur parece não querer deixar a moça em paz. Preso no mesmo manicômio de onde escapou anteriormente, o malucão não tem muita dificuldade para fugir mais uma vez, numa festival de imbecilidade que faria corar de vergonha até os piores diretores da história do cinema, como Ed Wood e Bruno Mattei - é o caso da cena em que ele escapa de uma ambulância agarrando o motorista pelas bolas!!! Novamente livre, Arthur continua matando durante todo o resto do filme até chegar ao set de filmagens onde Linda trabalha. Ali, mata mais 80% da equipe cinematográfica, mas ninguém parece perceber o sumiço de tanta gente.

Enquanto isso, acompanhamos as únicas cenas que valem a pena no filme inteiro, que são justamente os divertidos bastidores das filmagens de "Astronette", com seus monstros bagaceiros e péssimos efeitos especiais, lembrando as produções do diretor Fred Olen Ray. Além, é claro, do produtor tarado que só quer comer todas as jovens e peitudas atrizes. Em certo momento, o tal produtor chega no set e diz: "Vamos fazer uma cena com zumbis, tipo A NOITE DOS MORTOS-VIVOS". E no momento seguinte a equipe já está filmando um ataque de zumbis, sem que aquilo tenha qualquer relação com o roteiro que eles estão rodando! hahahahaha. Pode?

O MANÍACO DAS ESTRADAS é um fiasco completo. Não existe um mínimo de suspense, criatividade ou violência nas mortes. As pessoas são mortas da forma mais cretina. Aliás, na maior parte do tempo o assassino, que não passa de um imbecil com mullets (aquele cabelo ridículo curto na frente e comprido atrás, à la McGyver), prefere brigar com suas vítimas como se estivesse num espetáculo de luta livre, dando-lhes socos, chutes e "gravatas", ao invés de usar as facas e machados que têm à disposição para despachá-las. E isso que, lá pelas tantas, ele consegue até uma motosserra, mas limita-se a matar uma única pessoa com ela - numa cena inocente de dar dó, onde escutamos o ronco da ferramenta e umas gotículas mixurucas de sangue esguicham na cara do assassino.

Todo o filme é um retrocesso de um século na arte de fazer cinema. Aparenta, até, ter sido filmado em duas horas, de tão ruim e amadorístico. Se alguém quisesse fazer uma coisa ruim assim de propósito, não conseguiria tal nível de indigência cinematográfica. É só analisar momentos ridículos, como aquele em que Arthur mata uma serpente para comer; ele pega a cobra e dá uma dentada nela, arrancando um pedaço de qualquer coisa que está visivelmente colada atrás do réptil. Como é que ninguém na equipe técnica percebeu que o efeito ficou bagaceiro demais? Lá pelas tantas, ainda, Arthur rouba um caminhão (!!!) para perseguir e matar algumas vítimas, numa referência direta (porém incompetente) a ENCURRALADO, de Spielberg.

Apesar da alta contagem de cadáveres, as cenas de mortes são tão mal-filmadas e pouco violentas que ninguém se importa se morrem dois ou trinta personagens. E olha que O MANÍACO DAS ESTRADAS ainda tem o mérito de terminar pior do que começou, quando o namorado chifrador da estrelinha aparece do nada pedindo perdão e sai no braço com o assassino para salvar sua amada. Ela, claro, perdoa o traíra. Aprendeu a lição? Se você um dia aprontar com sua namorada, é só salvá-la de um maluco ridículo de mullets que tudo fica bem!

Aliás, será que eu preciso dizer que, na previsível conclusão, o "corpo" do assassino não é encontrado pela polícia, porque os produtores acharam que seria muitoooooo assustador deixar o espectador com a sensação de que o "pesadelo" não terminou? Brrrrrr... Que medo! Realmente, eu fiquei completamente apavorado com a possibilidade de este pesadelo não se resumir a um único filme ruim, e, futuramente, o incapaz do Paul Winters se sair com um O MANÍACO DAS ESTRADAS 2. A bem da verdade, a maioria dos envolvidos no projeto só fez este filme (inclusive a dupla principal, James e Loren). Mas é sempre bom ficar alerta, pois quando a gente menos espera os pesadelos voltam para nos aterrorizar... O MANÍACO DAS ESTRADAS 2... Caramba, isso sim é verdadeiramente assustador!!!

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Felipe M.Guerra