MANSÃO DO INFERNO
Inferno

ANO:   1980
PAÍS:   Itália
DURAÇÃO:    107 minutos
DIREÇÃO:   Dario Argento
ROTEIRO:   Dario Argento e Daria Nicolodi
ELENCO:    Irene Miracle (Rose Elliot), Leigh McCloskey (Mark Elliot), Eleonora Giorgi (Sara), Daria Nicolodi (Countess Elise), Sacha Pitoeff (Kazanian), Alida Valli (Carol), Veronica Lazar (Nurse), Gabrielle Lavia (Carlo), Feodor Chapliapin (Varelli), Leopoldo Mastelloni (Butler), Ania Pierroni (Music Student/Mother of Tears), James Fleetwood (Cook), Rosario Rigutini (Man), Ryan Hilliard (Shadow), Paolo Pauloni (Music Teacher), Fulvio Migozzi (Taxi Driver), Luigi Lodoli (Bookbinder),Rudolfo Lodi (Old Man)
CARACTERÍSTICAS:    Colorido



SINOPSE:     Rose Elliot, poetisa, compra um livro de um antiquário local.......um diário...


COMENTÁRIOS:     Com todo o sucesso de "Suspiria" (foi o filme mais visto do ano na Itália e em vários países europeus, sucesso surpresa nos EUA, onde foi lançado quase em segredo...), parecia natural uma continuação. E foi isso que a 20th Century Fox propôs a Argento. Ele topou, desde que tivesse a famosa "liberdade criativa", que obteve. E utilizou-a...

Se "Suspiria" já tinha uma lógica complexa, "A Mansão do Inferno" deu um passo adiante. É um filme virtualmente inintelegível, com um mínimo possível de fio condutor, um desfile de imagens violentas com som a todo volume e o mínimo possível de diálogo.
Nas palavras do próprio diretor, uma espécie de ópera de horror, com todos os excessos aceitos pelo gênero. "Inferno" começa com uma mulher lendo um manuscrito de um alquimista, sobre como ele construiu as casas das "Três Mães" que dominam o Mundo. Daí ela manda uma carta para seu irmão, em Roma, e vai à uma das casas, em Nova York, onde é assassinada. O resto do filme mostra o tal irmão tentando descobrir o que aconteceu com a maninha, e as tais "três Mães" fazendo umas maldades...
Logo no início, há uma citação ao "Orfeu", de Jean Cocteau (as águas da primeira casa visitada). Referências ao cinema fantástico europeu não faltam. Inclusive, o filme teve várias cenas dirigidas por Mario Bava, que estava lá para realizar a cena do eclipse da lua, gostou do ambiente e ficou prestando "acessoria" ao filho Lamberto, que deveria ter sido o diretor de segunda unidade.
Quando Argento ficou doente, o velho Bava assumiu, dirigindo algumas sequências e dando palpites na montagem. Argento achou o máximo...
Argento resolveu mudar os músicos para este filme. Assim, ao invés do Goblin, ele contou com Keith Emerson. A trilha sonora é uma espécie de ópera pós moderna, com corais e orquestrações simplesmente demoníacos. Logo na introdução, uma complexa (e assustadora) melodia de piano dá o tom, que continuará todo o resto do filme. Essa trilha, apesar de menos celebrada que a de "Suspiria", é tão eficaz quanto.
O verdadeiro horror foi quando os executivos da Fox foram ver o resultado final. Esperavam algo na linha "OExorcista"/ "A Profecia", não uma ópera-rock sem canções, com longos intervalos sem diálogo e cenas violentíssimas (como quando um homem é morto por ratos, dentro do lago do Central Park).
E claro... quiseram mudar. Mas Argento, ancorado por seu contrato de liberdade criativa, recusou-se. Por fim, os executivos acabaram por quase banir esse filme do mundo. Foi lançado quase clandestinamente nos EUA (somente em 1987, num festival de cinema), e no resto do mundo não foi muito melhor.
Curiosamente, no Brasil o filme foi um sucesso em seu lançamento (em 1981, ano de "Sexta-Feira 13"), e apesar de não estar disponível em vídeo, é exibido com regularidade pelos canais do cabo (na Fox, dublado, e no Telecine, com legendas).

Escrito por Carlos Thomaz

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