MÁSCARA DE SATÃ, A
The Mask of Satan/Black Sunday

ANO:   1960
PAÍS:   Itália
DURAÇÃO:    083 minutos
DISTRIBUIDORA:     DarkSide
DIREÇÃO:   Mario Bava
ROTEIRO:   Mario Bava; Ennio de Concini; Mario Serandrei; baseado no conto "Vyi", de Nicolai Gogol
ELENCO:     Barbara Steele (Katia Vajda/Princess Asa Vajda); John Richardson (Dr. Andre Gorobec); Ivo Garrani (Vajda); Andrea Checchi (Dr. Thomas Kruvajan); Arturo Dominici (Javutich/Javuto); Enrico Olivieri (Constantine Vajda); Antonio Pierfederici (Padre)
CARACTERÍSTICAS:    Colorido;


SINOPSE:
     Na Idade Média, a princesa Ada (Steele), acusada de bruxaria e práticas de vampirismo, é condenada a uma morte terrível: inquisidores cruéis cravam em sua face uma máscara amaldiçoada repleta de lâminas pontiagudas (a máscara do demônio, naturalmente). Mas antes que eles o façam, a bruxa ameaça a todos e promete voltar para se vingar e dar continuidade a seu legado de sangue e horror...e ela voltará...


NOTAS DA PRODUÇÃO:
O filme do diretor Mario Bava é considerado um dos melhores do gênero dos anos 60. Na época do lançamento, atingiu a maior bilheteria do na Itália. Agora, chega em DVD ao Brasil pelo selo Dark Side e pode ser encontrado na loja virtual da Works Editora (www.worksdvd.com.br) a R$ 34,90.
A produção (também é conhecida como "A Maldição do Demônio", "La Maschera del Demonio " e "The Mask of Satan") marcou as estréias (oficial) de Mario Bava como diretor e da atriz Bárbara Steele no terror. Ela destaca-se interpretando duas personagens, a bruxa-vampira Asa e sua descendente, a princesa Katia.
Na Moldavia do século 17, a diabólica princesa Asa é condenada à morte por bruxaria e vampirismo, junto com seu irmão Arturo Dominici (Javutich). É enterrada com uma máscara amaldiçoada, usada na época da Inquisição.
Duzentos 200 anos depois, dois médicos que participavam de uma convenção na região, Adre Gorobe (John Richardson) e Dr. Thomas Kruvajan (Andrea Checci), descobrem a cripta de Asa em um castelo. Um deles se fere nas pontas da máscara e seu sangue acaba ressuscitando a princesa. Ela traz de volta à vida seu irmão e inicia sua vingança aos descendentes das pessoas que a mataram, inclusive a princesa Katia.
SOBRE O DIRETOR:
O italiano Mario Bava serviu de referência para muitos profissionais e influenciou diretores como Scorcese e Tim Burton. Filho do cenógrafo Eugenio Bava, nasceu em 1914, em San Remo, na Itália, e chamou a atenção nos anos 40 por suas inovadas técnicas de iluminação e efeitos especiais.
Durante um bom tempo Bava trabalhou como diretor de fotografia e na década de 50 se juntou a Riccardo Freda, colaborando com a realização de "I Vampiri", considerado o primeiro filme de horror italiano. A parceria voltaria a acontecer com mais dois filmes: "Agi Murad, il diavolo bianco" (1958) e "Caltiki, il mostro immortale" (1959). Foi o suficiente para a consolidação da carreira de um dos maiores diretores que o mundo já conheceu.
Em 1960, depois da experiência com Freda e do sucesso de "Drácula", de Terence Fisher, Bava fez sua estréia oficial como diretor com "Black Sunday". Em 1963 realiza "La Frusta ed il Corpo", com Christopher Lee e Daliah Lavi, que teve problemas com a censura por mostrar cenas fortes de perversidade sexual e foi condenado a dois meses de prisão (não chegou a ser cumprido). "Black Sabbath" (também lançado pelo selo Dark Side) veio logo depois.
O diretor filmou ainda "Planeta dos Vampiros" (1965), o primeiro filme italiano de ficção científica, "Diabolik" (1967), "Lisa and the Devil Lisa" (1972), "Shock" (1977), entre outros. Também atuou como co-diretor em filmes como "The Adventures of Ulysses" (1968), de Franco Rossi e "Inferno" (1980), de Dario Argento. Bava morreu em abril de 1980, vítima de ataque cardíaco.

CRÍTICAS:     "A Máscara do Demônio" (La Maschera del Demonio), lançado nos Estados Unidos como "The Mask of Satan" e "Revenge of the Vampire" e na Inglaterra como "Black Sunday", e em ambos os países fazendo um sucesso estrondoso, talvez seja o maior clássico do cinema de terror italiano. Dirigida em 1960 pelo cultuado Mario Bava, essa maravilhosa película em preto e branco foi estrelada por ninguém mais, ninguém menos que a famosa diva do terror dos anos 60 Barbara Steele, uma das poucas atrizes a ser identificada pelos fãs do gênero como uma legítima representante da famosa galeria de astros do gênero. Aliás, ela ficou famosa e se tornou uma "scream queen" de fama mundial justamente por causa desse filme, uma clássica história de vampiros baseada no conto "The Vig", de Nicolai Gogol.
O filme começa na Idade Média, quando a princesa Ada (Steele), acusada de bruxaria e práticas de vampirismo, é condenada a uma morte terrível: inquisidores cruéis cravam em sua face uma máscara amaldiçoada repleta de lâminas pontiagudas (a máscara do demônio, naturalmente). Mas antes que eles o façam, a bruxa ameaça a todos e promete voltar para se vingar e dar continuidade a seu legado de sanguee horror. Dito e feito: no século XIX dois incautos viajantes descobrem acidentalmente o velho túmulo da princesa Ada e, quando um deles retira a enorme máscara e se fere num de seus pinos cortantes, deixando pingar sangue sobre o cadáver da falecida, esta retorna à vida, juntamente com seu cúmplice Igor (Ivo Garrani), que também fora condenado pelos inquisidores medievais e pelos mesmos motivos. Pra coisa ficar completa, Ada utiliza-se de sua bisneta Katia (também interpretada por Steele), cumprindo, assim, a promessa feita séculos antes.
A despeito das nítidas influências da "Universal" e da "Hammer Films" - sem dúvida numa tentativa de atingir o mercadão norte-americano - A Máscara do Demônio é um clássico absoluto do terror e um dos mais influentes e cultuados filmes góticos dos anos 1960; com sua atmosfera maravilhosa e sua fotografia exemplar, digna de figurar ao lado de qualquer uma das produções feitas pelos estúdios citados acima, acabou por se transformar num verdadeiro "cult", especialmente adorado por sádicos masoquistas (principalmente por causa da cena de abertura); ainda mais por ter sido feito com orçamento modesto, equipe nova e relativamente inexperiente, e à base das improvisações típicas que, em geral, caracterizam a filmografia "B". Dessa forma, esse clássico de Mario Bava estava, ainda, muito longe do elemento que predominaria no cinema de terror italiano nas duas décadas seguintes, naqueles que passariam a ser chamados de giallos: a violência explícita (e bota explícita nisso!).
Mas foi esse filme que levaria Steele de volta para a Inglaterra (onde ela nasceu, em 1938) e, depois, para os Estados Unidos, e dezenas de produções de horror, sempre no papel de vilã, em sua maioria filmes baratos e raros, além de alguns clássicos mais expressivos como A Mansão do Terror (The Pit and the Pendulum, 1961), de Roger Corman, onde atuaria ao lado de Vincent Price numa história baseada em Edgar Allan Poe, assim como Castle of Blood (1964), no qual interpreta uma morta-viva; e também no divertidíssimo "camp" A Maldição do Altar Escarlate (The Crimson Cult, 1968), onde aparece como uma feiticeira misteriosa numa trama diabólica que também trazia Boris Karloff e Christopher Lee; e, mais recentemente, ela pode ser vista - ainda que rapidamente - no ótimo Calafrios (Shivers, 1975), de David Cronenberg, aqui finalmente fora do arquétipo de vilã, na famosa "seqüência homenagem". Hoje a titia Steele está sossegada, mas participa vez ou outra de convenções de horror, a pedido dos muitos fãs.
Outro nome de destaque e que jamais poderíamos esquecer é o do diretor Mario Bava (1914/1980), igualmente adorado pelos amantes do terror e dono de uma filmografia bem interessante e diversificada, que inclui, entre outros, Hércules no Centro da Terra (Ercole al Centro Della Terra, 1961), As Três Máscaras da Morte (I Tri Volte Della Paura, 1963, lançado nos Estados Unidos como Black Sabbath, numa óbvia tentativa de associá-lo ao sucesso de Black Sunday), O Planeta dos Vampiros (Terrore Nello Spazio, 1965), Diabolik (1968) e Mansão da Morte (Bay of Blood ou Twitch of the Death Nerve, 1971).
Infelizmente, A Máscara do Demônio é inédito em vídeo no Brasil, mas talvez surja nessa nova e fascinante "era DVD", para a alegria dos cinéfilos de plantão.

E.R.Corrêa

COTAÇÃO:    





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