ANO DE LANÇAMENTO
1988 (EUA)
DIRETOR

Terence H. Winkless

ELENCO
Natalie Brown
Robert Lansing
Franc Luz
Terri Treas
Stephen Davies
Diana Bellamy
Jack Collins
Nancy Morgan
Jeff Winkless
Steve Tannen
ROTEIRO

Robert King

PRODUÇÃO

Julie Corman

FOTOGRAFIA

Ricardo Jacques Gale

MÚSICA

Rick Conrad

LANÇAMENTO:

janeiro de 1988

DISTRIBUIDORA:

Vídeo Arte

NINHO DO TERROR, O
(The Nest)


Pequena cidade americana é invadida por baratas que espalham o terror. Os insetos são fruto de uma experiência genética e destroem tudo o que encontram pela frente.

CRÍTICAS

Imagine transformar o episódio final de CREEPSHOW, de George A. Romero - aquele em que E.G. Marshall é aterrorizado por milhões de baratas em seu apartamento de luxo -, em um filme de uma hora e meia. É mais ou menos esta a proposta de O NINHO DO TERROR (no original apenas "The Nest", ou "O Ninho"), uma produção divertida, exagerada, sangrenta e, óbvio, barata, como diversas rodadas nos anos 80 pela Concorde, a produtora do "rei dos filmes B" Roger Corman.



Quem acompanha minhas críticas há algum tempo sabe que tenho um ódio bem fundamentado sobre filmes com insetos assassinos, ainda mais insetos minúsculos, tipo formigas, baratas e lesmas. Nos meus textos sobre FORMIGAS ASSASSINAS (1977) e SLUGS (1987), sempre reclamei que os humanos só morrem vítimas destas pequenas criaturas por serem burros demais, e argumentei que não tem como levar a sério um filme onde o sujeito pode fugir correndo por cima dos bichos, ainda por cima esmagando-os no processo (pô, pense bem: como pode uma formiga ou uma barata realmente matar alguém muito maior, a não ser que este alguém esteja completamente imobilizado?).

O NINHO DO TERROR estava indo mais ou menos por este caminho (insetos minúsculos matando gente com a maior facilidade), e eu me preparava para uma crítica altamente destrutiva, até que, lá pelos 50 minutos, o roteiro de Robert King (um dos responsáveis por escrever o péssimo A ILHA DA GARGANTA CORTADA, de Renny Harlin) surpreendeu-me ao assumir um tom absurdamente trash, partindo para o exagero assumido numa deliciosa reviravolta. Acompanhe:



A trama se passa em North Port, uma ilha turística com apenas 700 habitantes - provavelmente uma maneira de economizar na contratação de figurantes, já que o elenco inteiro da película tem apenas 12 PESSOAS, e nas cenas onde é necessário um mínimo de "multidão", como o café-da-manhã numa lanchonete, TODOS os personagens do filme são escalados para aparecer! hahahaha. North Port está com um problema: a cidade turística anda infestada de baratas, e nem mesmo o "agente exterminador de pragas" Homer (Stephen Davies, caprichando no papel de pateta) consegue dar cabo delas.

Isso acontece porque o maléfico prefeito do vilarejo, Elias Johnson (o veterano Robert Lansing, vilão de 4D MAN e coadjuvante no seriado BONANZA), fechou um acordo com um maléfico laboratório de pesquisas genéticas, chamado Intec, para fazer experimentos na ilha (e a produção é tão paupérrima que nunca vemos o tal laboratório, apenas cercas com placas do tipo "Proibida a entrada").

O objetivo das experiências, como ficamos sabendo no final (mas eu já vou adiantando ao leitor), era criar uma nova raça de baratas, feroz e violenta, que destruísse sua própria espécie - como um inseticida biológico, e isso alguns anos de MUTAÇÃO, de Guillermo del Toro, vir com argumento parecido. O problema é que os bichinhos geneticamente modificados, ágeis, inteligentes e ainda mais famintos, resolveram mudar o cardápio para cães, gatos e, claro, humanos.



O herói da trama é o xerife Richard Tarbell (Franc Luz, que também interpretou um xerife no superior CIDADE FANTASMA, que é do mesmo ano). Não sei qual o índice de criminalidade de uma ilha com 700 habitantes, mas o sujeito passa o filme todo zanzando de lá pra cá em sua viatura, e ainda tem uma telefonista na sua delegacia fazendo plantão 24 horas - bem, pelo menos a moça está lá toda vez que o xerife entra em contato com ela por rádio, seja de dia, de noite ou de madrugada!

Eis que Tarbell tem um romance com Lilian (Nancy Morgan), garçonete da única lanchonete da ilha, mas seu coração entra em conflito quando um antigo amor retorna à cidade, Elizabeth, a filha do prefeito (interpretada pela gracinha Lisa Langlois, de FELIZ ANIVERSÁRIO PARA MIM, que infelizmente não fica pelada). Como já havia acontecido em PIRANHA 2 - ASSASSINAS VOADORAS, as baratas entram em cena para resolver este conflito, eliminando uma das pontas do triângulo amoroso... hehehehe.

E é quando os ataques das baratas carnívoras saem do controle que o prefeito Johnson chama à ilha a dra. Morgan Hubbard (Terri Treas, de HOUSE 4, copiando Barbara Steele em PIRANHA), uma cientista masoquista que tem verdadeira paixão pelas pequenas assassinas que ajudou a criar, e descobre que elas são imunes a qualquer tipo de pesticida. Como acabar com a terrível ameaça que se abate sobre a ilha, antes que as únicas 12 pessoas do elenco sejam devoradas pelos insetos mutantes? hahahaha.

Como escrevi no começo, O NINHO DO TERROR parecia se encaminhar para aqueles ridículos filmes onde um take mostra meia dúzia de baratas no chão e o outro take alguém se contorcendo e se esvaindo em sangue, como se fosse tão simples para um pequeno inseto matar e devorar uma pessoa. Se até dá para engolir a cena em que uma idosa obesa imobilizada na cama, com as pernas engessadas, é devorada viva pelas baratas sem poder oferecer reação, por outro lado é impossível não ficar furioso com o sujeito que, "perseguido" pelos insetos, simplesmente se esconde debaixo dos cobertores da sua cama, onde é facilmente morto e comido pelos bichinhos.

Enfim, se a coisa continuasse assim, provavelmente O NINHO DO TERROR seria uma bobagem tão sem graça quanto FORMIGAS ASSASSINAS. Mas eis que o roteiro de Robert King dá um salto no começo do terceiro ato, esquece qualquer pretensão com a seriedade e mostra as baratas sofrendo uma nova mutação, desta vez transformando-se "nas criaturas que comeram", como explica a dra. Hubbard. É isso mesmo, amiguinhos: preparem-se para ficar com a barriga doendo de tanto rir quando um incrível GATO-BARATA (híbrido nascido da carcaça de um felino devorado pelos insetos) aparece para atacar os heróis. Ou, ainda, quando o vilanesco prefeito também se transforma em híbrido, neste caso um baratão gigante, numa versão podreira da transformação de Jeff Goldblum no final de A MOSCA, de David Cronenberg - e como eu adoro ver estes veteranos em fim de carreira, como Robert Lansing, pagando mico numa cena ridícula como esta!!!

Enfim: a partir dos 50 minutos, a trasheira toma conta e O NINHO DO TERROR finalmente assume a veia de exagero e violência gratuita, com muito sangue, gosma e efeitos toscos, incluindo ainda a bizarra participação da "barata-rainha": um monstrão de três metros que parece saído de alguma versão classe Z de O ENIGMA DO OUTRO MUNDO, metade barata e metade todos os humanos devorados até então, algo que provoca um verdadeiro turbilhão de risadas involuntárias.

Claro que é injusto avaliar os efeitos especiais de uma produção classe B da Concorde Pictures, mas, surpreendentemente, o trabalho de James M. Navarra é bom dentro das suas limitações, e a transformação de Lansing em baratão super-desenvolvido é toscamente realizada, mas eficiente. E, pelo menos, não é CGI de quinta categoria, como nos filmes recentes, e ainda há alguns efeitos realmente repelentes, incluindo carcaças ensangüentadas de cães e gatos..

Deve-se destacar, ainda, a eficiente direção de Terence H. Winkless (um dos roteiristas de GRITO DE HORROR, de Joe Dante, aqui em sua estréia como diretor). Ele sabe exatamente o tipo de material que tem nas mãos, e, embora tente levar a coisa a sério no primeiro e no segundo atos (incluindo um ridículo drama familiar envolvendo a morte da esposa do prefeito Johnson), no terceiro assume o exagero do roteiro e parte para o vale-tudo, quando o filme realmente começa a ficar divertido - ao estilo daquelas bobagens dos anos 50, tipo TARANTULA.

É neste terceiro ato que Winkless brinda o espectador com cenas como a do ataque das baratas à lanchonete, quando as bichinhas são combatidas bravamente por Lilian, sendo explodidas no microondas ou batidas no liquidificador - tudo ao som mais do que óbvio da canção "La Cucaracha"!!! hahahahahaha.

Enfim, é claro que algo como O NINHO DO TERROR jamais vai virar clássico, e é mais fácil esquecê-lo meia hora depois de assistir (embora a cena do baratão à la A MOSCA seja antológica). Mas é uma hora e meia de diversão garantida e exagerada como se fazia na década de 80, e quem consegue curtir esse tipo de tralha não pode perder - nem que seja só pelos 30 minutos finais e por bobagens como o gato-barata.

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Felipe M. Guerra