Hell Night
ANO: 1981 PAÍS: EUA DURAÇÃO: 100 minutos DISTRIBUIDORA: Nacional Vídeo DIREÇÃO: Tom De Simone ROTEIRO: Randy Feldman ELENCO: Linda Blair (Marti); Vincent van Patten (Seth); Suki Goodwin (Denise Dunsmore); Peter Barton (Jeff Reed); Jenny Neumann (May); Kevin Brophy (Peter Bennett) CARACTERÍSTICAS: Colorido; Legendado/Dublado SINOPSE: Num ritual de iniciação para a fraternidade Alfa Sigma, três jovens têm que passar a noite numa misteriosa mansão, onde teriam sidos cometidos misteriosos assassinatos. Alguém conseguirá sobreviver? CRÍTICAS:
Se algum dia existir uma Escola de Formação de Diretores de Slasher Movies, tenho certeza que na primeira aula o professor vai entrar na sala e dizer: “Bem classe, sejam bem-vindos e vamos todos assistir ao filme HELL NIGHT”. Sim, porque HELL NIGHT, lançado no Brasil com o título de NOITE INFERNAL (ok, ok...), é uma coletânea dos maiores clichês dos filmes deste subgênero “assassino persegue adolescentes”. Uma verdadeira aula. Feito em 1981 pelo diretor Tom DeSimone (que nos anos 70 era um especialista em filmes pornográficos e de mulheres no presídio), HELL NIGHT até poderia ser um tanto “surpreendente” naquela época, já que filmes como HALLOWEEN (1978) e o primeiro SEXTA-FEIRA 13 (1980) estavam acabando de estrear, e havia poucas imitações, tipo este e o excelente THE BURNING, que também é de 81. Além disso, nem HALLOWEEN nem SEXTA-FEIRA 13 tinham virado ainda extensas franquias, o que serviria para tornar ainda mais conhecidos (e saturados) os clichês do jeito “slasher” de fazer cinema. Naquele distante ano de 1981, mostrar um assassino perseguindo adolescentes ainda era, sim, uma novidade. Quando um personagem entrava num quarto escuro, ninguém imaginava que ele seria morto pelo assassino – aposto que muita gente até pulou da poltrona do cinema! E ninguém, ninguém mesmo, deve ter imaginado que no fim o assassino ainda não estava bem morto, e voltaria à vida para agarrar a mocinha... Imaginem os gritos no cinema!!! Pois é... Mas infelizmente hoje, passados 23 anos, nada disso é novidade. Pior: depois de uma década de 80 repleta de continuações e imitações, e da total pasteurização do gênero nos últimos anos (graças aos intragáveis filmes feitos direto para o mercado de vídeo), assistir HELL NIGHT certamente será um passatempo sem graça para a maior parte da humanidade, pois do começo ao fim você vai saber de imediato TUDO o que vai acontecer. A não ser, claro, que você tenha passado os últimos 30 anos em Júpiter e não viu nem um SEXTA-FEIRA 13, HALLOWEEN, PÂNICO, etc. e tal. Isso significa que HELL NIGHT é um filme ruim? Não, apenas não tem nada de novo. Ou melhor, na época em que foi feito até tinha algo de novo, mas hoje, depois de tantas imitações mais ou menos com a mesma história, não tem mais, entendeu? Está datado, envelhecido, e certamente não vai assustar mais ninguém. Mas vamos aos pormenores: a “Noite Infernal” do título é a noite em que será feita a iniciação de um grupo de jovens que pretende entrar na fraternidade de uma faculdade americana – aqui não tem estas besteiras, mas lá eles costumam fazer um teste, normalmente para ridicularizar os calouros. Quatro nerds que querem entrar para a tal fraternidade deverão passar uma noite na Mansão Garth, um local sinistro que fica na periferia da cidade (clichê nº 1, vá contando). Trata-se de um casarão antigo e cercado por uma longa e alta grade (fundamental para o suspense). O presidente da fraternidade, um irritante loirinho metido a galã chamado Peter (Kevin Brophy), logo explica aos jovens a história tenebrosa da mansão (clichê nº 2). Aparentemente, ali viveu o milionário Sr. Garth, que com sua esposa teve três filhos, todos eles deformados e dementes. Um dia, o milionário cansou da situação e esquartejou toda a família, cometendo suicídio logo depois. Mas apenas três corpos foram encontrados, o que espalhou a lenda de que alguém não teria morrido, e sim se escondido na mansão para matar os invasores (clichê nº 3). É claro que ninguém acredita na história (clichê nº 4), e assim o grupo de nerds se prepara para passar a noite na mansão. Eles são Marti (Linda Blair, de O EXORCISTA, então com 22 anos), Seth (Vincent Van Patten), Denise (Suki Goodwin) e Jeff (Peter Barton, que teve a cara esmagada por Jason posteriormente, em SEXTA-FEIRA 13 PARTE 4). Seth e Denise são o casalzinho que só pensa em transar (clichê nº 5), Jeff é um riquinho (clichê nº 6) e Marti uma garota pobre, mas com princípios, como não transar com o primeiro que aparece (clichê nº 7). Os quatro são deixados na mansão, escura e sem eletricidade (clichê nº 8), iluminada somente por luz de velas. Devem ficar lá até o amanhecer, ou não entram na tal fraternidade. Parece que todo mundo foi embora, mas três dos veteranos, inclusive o presidente Peter, ficam para trás e armam diversas sacanagens para assustar os quatro calouros (clichê nº 9). Os garotos não caem nas armações, mas quando a coisa começa a ficar real eles continuam pensando que é tudo brincadeira (clichê nº10). Só que a lenda da Mansão Garth é real, óbvio, e realmente há um hóspede oculto nas sombras que começa a matar os jovens um a um (O CLICHÊ MÁXIMO!). Se você perdoar todos os clichês, como eu fiz, vai ver um filme bem razoável. Os ataques do assassino são repentinos e realmente dão susto: ele surge quando o espectador menos espera, saído da escuridão, tipo um Michael Myers – e a câmera prefere nem mostrá-lo muito. A favor do filme está o fato de que, embora a lista de vítimas seja previsível, até alguns personagens simpáticos, que achamos que não vão morrer, acabam levando o deles. Outros, que a gente pensa que vão morrer por primeiro, agüentam firmes até o fim – mas infelizmente também vão para a faca! Mais pontos positivos: o cenário, uma mansão escura e iluminada só por velas. Se por um lado isso deixa o filme escuro pra caramba (em algumas cenas é impossível enxergar o que está acontecendo, ainda mais devido à péssima cópia em VHS nacional), por outro dá um ar gótico ao filme. E também um trabalhão ao diretor, que já que as cenas não eram filmadas na ordem, então milhares de velas tiveram que ser utilizadas (nas cenas mais para o fim, as velas eram cortadas para parecer que já estavam bem derretidas, um detalhe realista, porque velas não duram para sempre, como na maioria dos filmes). Outra curiosidade é que todos os personagens do filme estavam participando de uma festa à fantasia, e por isso estão fantasiados com roupas de época. Isso parece uma homenagem aos velhos filmes da Hammer, e também contribui para que HELL NIGHT não pareça tão datado – melhor que ver os atores vestindo aquela moda fantástica dos anos 80! A quantidade de sangue é reduzida e a única cena de sexo deixa a desejar (ainda mais considerando que o diretor DeSimone era do ramo). Mas o filme consegue um bom clima de suspense, graças à enorme cerca que circunda a mansão e não deixa os personagens fugirem. Infelizmente, no final o filme cai na vala comum dos exageros. A pior cena é aquela onde um dos heróis consegue pular a cerca e corre para uma delegacia; quando a polícia não acredita na história dele (clichê nº 1.582), ele simplesmente entra escondido na sala de armamentos da delegacia (que estava completamente desprotegida) e rouba uma espingarda, voltando até a mansão para tentar dar cabo do assassino! Outro erro imperdoável é nunca explicar quem diabos é o matador! Tudo bem que o espectador até fique com uma ligeira idéia, mas ninguém diz como fulano de tal viveu tanto tempo na mansão sozinho, sem comida, bebida ou eletricidade. Descontando essas e outras, e fechando um olho para a quantidade absurda de clichês, HELL NIGHT é um filme perfeitamente assistível, que deveria ser muito legal lá em 1981. Hoje, infelizmente, não tem como ver sem aquela sensação de dèja vu – e sem saber como tudo vai terminar. A não ser, como eu disse antes, que você tenha passado umas longas férias em Júpiter... E para a lista de curiosidades: Frank Darabont, o conceituado diretor dos recentes À ESPERA DE UM MILAGRE e UM SONHO DE LIBERDADE, era assistente de produção deste pequeno slasher movie oitentista. Isso que é começar por baixo, não é verdade? HISTÓRIA: GORE: EFEITOS: DIVERSÃO: Felipe M.Guerra |