11:11 - A Nova Profecia
(11:11 - The Gate)
O número 11:11 é uma triste memória para Sara. Nodia 11 de janeiro de 1992, seus pai foram assassinados e ela atirou nos homens que cometeram o crime. Ao lado do corpo da mãe estava escrito, com sangue, o número 11:11. Oito anos depois, ela ainda é atormentada por seu fantasma e pela lembrança de tal número, aparentemente sem significado. Tudo muda apartir do dia em que três estranhos assassinatos ocorrem e, por trás deles, uma nova onda de mistérios invade sua vida. Sara é levada a desvendar a maldição que se esconde por trás deste número que a atormenta e terá de enfrentar seus piores pesadelos.
CRÍTICAS
A certa altura do filme 11:11 - A NOVA PROFECIA, que está nas locadoras, os dois personagens principais, Sara e Seth, estão discutindo sobre coisas estranhas que já aconteceram até então, como as aparições da mãe morta de Sara, as mortes misteriosas de seus amigos, os significados do número 11:11 e uma profecia antiquíssima que diz que o fim do mundo será em 2011... Após algum tempo de discussão, Seth arregala os olhos com cara de quem não está entendendo nada e pergunta: "Mas o que o fim do mundo tem a ver com o fantasma da sua mãe?". E Sara, tão perdida quanto ele, responde: "Não sei...".
Pois é exatamente assim, tão perdido quanto os personagens, que eu me senti a esta altura do misterioso 11:11. O maior problema é que Sara e Seth supostamente terminam o filme encaixando as peças do quebra-cabeças e entendendo tudo que se passou, mas o espectador não!
Para quem não sabe, esta produção canadense de 2004, dirigida por Michael Bafaro, ganhou automaticamente fama de "a bomba do ano" por ter sido defenestrada no famoso site Cinema em Cena, pelo crítico Pablo Villaça. Bem, honestamente, acho que Villaça foi um pouco exagerado e injusto na sua crítica, onde pontuou mais seu ódio pelo diretor Bafaro e alguns deslizes técnicos (como a suposta sombra do cinegrafista, que ele diz ter visto, mas escapou completamente ao meu olhar de lince) do que falou sobre o filme em si.
Acho até que Pablo foi um tanto intolerante com o filme. 11:11 não é nem uma obra-prima, nem o grande filme do gênero neste ano, mas está muito longe de ser a porcaria que ele tentou caracterizar na sua crítica.
O grande problema do filme é um só: a indefinição do roteiro de Pat Bermel (o mesmo responsável pelas bombas RIPPER e RIPPER 2, o que explica muita coisa!!!). Ele simplesmente não se decide sobre a história que quer contar. Começa de um jeito, vai acrescentando mais e mais informações e termina sem explicar a metade do que deveria explicar, deixando o espectador mais perdido que bolacha em boca de banguela.
Vejam só: aparentemente, o roteiro lida com uma garota que tem fortes poderes paranormais (Sara), que sofreu o trauma de ver seus pais sendo assassinados quando ela tinha apenas sete anos de idade, e ainda matou os assassinos - dois fugitivos da Justiça. Sara tem uma estranha amiga chamada Raden, que qualquer pessoa vai descobrir logo de cara que é um fantasma. Isso talvez seja um spoiler, pois a revelação de que Raden é um fantasma só vem no final. Entretanto, só mesmo sendo muito cego para não desconfiar que há algo de errado com aquela personagem que aparece e some misteriosamente, nunca é vista por outras pessoas além de Sara, entre outros detalhes que denunciam sua verdadeira "condição". Mas calma lá: o roteiro trata ainda das mortes misteriosas de todas as pessoas que fazem mal a Sara e também dos sinais de uma misteriosa profecia que vai se tornando realidade, e que prevê que o fim do mundo será em 2011. Estarei enganado, ou é coisa demais para um filme de 1h30min?
Para piorar ainda mais, Bermel e o diretor Bafaro vão acrescentando elementos de outros filmes de sucesso ao roteiro, como se estivessem fazendo uma sopa e quisessem colocar mais sal para dar gosto ao prato. Metem no mesmo balaio situações que parecem tiradas de O SEXTO SENTIDO (fantasmas, mortos que não sabem que estão mortos), O CHAMADO (segredos fantasmagóricos, menina demoníaca), CARRIE, A ESTRANHA (a paranormal que tem o poder de matar seus desafetos), etc. etc.
Mas voltando ao filme: Sara, já crescida após o assassinato dos pais, está morando com sua tia Lydia e freqüentando a faculdade. Misteriosamente, ela começa a enxergar o fantasma da sua mãe morta, que vive aparecendo tentando lhe dar sinais a respeito do número 11:11. E, então, ressurge do nada Raden, uma amiga de infância de Sara, que estava com ela no dia em seus pais foram mortos. Quando Raden aparece, as pessoas que fazem mal a Sara começam a morrer em supostos "acidentes". A primeira é Lydia, afogada numa banheira por uma aparição. Depois, outros desafetos vão tendo um triste fim.
Paralelamente às mortes, Sara continua tendo as visões do fantasma de sua mãe e do misterioso número 11:11 – que aparece em seus sonhos, no relógio (sempre que alguma coisa ruim acontece) e até na mesa, quando ela derrama uma taça de vinho. Ao mesmo tempo em que começa a se relacionar com um colega chamado Seth, Sara acompanha acontecimentos misteriosos que chegam pelos noticiários, e que tem relação com uma velha profecia do fim do mundo.
Na tal cena que eu citei no começo do texto, Sara e Seth estão lendo um livro chamado O PORTAL - 11:11, que supostamente deveria esclarecer todas as dúvidas do filme. Ali, descobrem que em 2011 acontecerá um grande evento apocalíptico. Antes disso, o homem passará por 11 portões, durante vinte anos, até o fatídico 2011 (sou só eu que acho, ou isso não faz lá muito sentido?). Continua a profecia dizendo que neste período de 20 anos antes do fim do mundo, os portões do céu e do inferno se abrirão. O primeiro, em 11/1/1992 (o dia em que os pais de Sara morreram). Depois, à medida que os portões vão se abrindo, outros fenômenos comprovarão a profecia, como anjos surgindo no Sul, Marte ficando visível a olho nu, uma peste matando animais, golfinhos atacando seres humanos (!!!) e até uma cidade litorânea afundando no oceano, que coincidirá com o derradeiro fim dos tempos. E todos estes sinais vão mesmo surgindo, sendo relatados através de notícias no rádio ou na TV.
A bem da verdade, essa baboseira do fim do mundo e da profecia acaba não se encaixando de forma decente na trama. O que isso tem a ver com Sara, Raden, o fantasma da mãe de Sara, os mortos? Sabe-se lá! A maior parte do filme acompanha Raden matando os desafetos de Sara, e parece que a história do 2011 e do fim do mundo foi enxertada pelo roteirista apenas para justificar o título sem pé nem cabeça (pelo menos a mim não convenceu essa história de apocalipse). E tem muita coisa que não precisava estar ali - incluindo um rolo de filme feito nos anos 60, que deveria esclarecer alguma coisa, mas, pior, ajuda a confundir!!! O que realmente parece é que alguma coisa foi deixada de fora, sem explicação, talvez pela produção barata do filme (ou perderam páginas do roteiro). Confesso que não vi muita lógica no final.
Esquecendo a subtrama da profecia, entretanto, é possível se divertir com um filme de horror bem feito e com algumas cenas arrepiantes, assustadoras até. O diretor Bafaro usa bons artifícios para assustar o espectador sem apelar para a violência explícita, como cortes rápidos, música sinistra e vultos passando na frente da câmera nas cenas de maior suspense. Uma cena que considerei genial é aquela em que o namorado de uma suposta vítima entra na sala onde ela estava pela última vez. A câmera acompanha o desfecho posicionada na janela do local, sem mostrar o cadáver encontrado lá dentro, e subitamente o rapaz aparece na janela, com uma expressão de pavor e um grito mudo, abafado pela música tétrica! Muito bem feito.
Outro detalhe que o crítico Villaça apontou na sua crítica é o fato de que todas as pessoas que morrem em 11:11 acabam "voltando" à vida por um curto espaço de tempo, para então verem seus próprios cadáveres e perceberem que estão mortas. A primeira vez que isso acontece é literalmente chocante e o ponto alto da fita (tanto que a foto desta cena está na capinha): Lydia, a tia de Sara, depois de se afogar na banheira, levanta toda molhada achando que sobreviveu. Ela então vai até o espelho e percebe, horrorizada, que seu corpo está afundado, sem vida, na água. Começa, então, a se engasgar e cuspir água pela boca (ela está morta, fora do corpo, captaram???).
O crítico Villaça condenou essa idéia, dizendo que não tem nenhum propósito mostrar os "espíritos" das pessoas que ainda não sabiam que estavam mortas. Talvez tenha esquecido que o mesmo foi usado em GHOST e até em O SEXTO SENTIDO. Além do mais, este negócio do espírito olhando seu próprio corpo morto remete a uma idéia horripilante de que, talvez, não exista um "outro lado", e aquelas almas atormentadas ficarão para sempre vagando após a morte, como "fantasmas", em nossa dimensão. Terá coisa mais chocante e assustadora do que você ver o próprio corpo e descobrir que está morto, e que não existe nem Céu nem Inferno, como diziam nas nossas aulas de catequese???
A produção é boa e eficiente, sem abusar dos efeitos especiais ou da sangreira. O que mata mesmo são as péssimas interpretações (nessa vou ter que concordar com o Pablo). Laura Mennell, que interpreta Sara, é uma das piores atrizes que vi nos últimos tempos. Além de feia, a cara que ela faz quando supostamente deveria estar assustada é algo que só vendo para acreditar. Ao mesmo tempo, seu companheiro Seth (Paul Dzenkiw) não consegue fazer duas expressões diferentes, para caracterizar alegria e medo (parece tudo a mesma coisa). A única que se salva é Christie Will, que interpreta a maléfica Raden.
No fim, 11:11 realmente cansa pelo excesso de perguntas sem respostas. Toda a história parece muito simples, mas roteirista e diretor fazem questão de enrolar o espectador. Pelo menos conseguem criar bons sustos e cenas de pesadelos - as aparições de fantasmas também são arrepiantes. Se nem tudo faz sentido, também é bom lembrar que os filmes de Lucio Fulci e a maioria das produções japonesas raramente têm lógica.
Como eu disse antes, 11:11 está longe de ser um bom filme. Mas também não é essa porcaria que andam falando. Com um pouco de paciência, pode até agradar os fãs de filmes de terror diferentes, que estão cansados do marasmo que acometeu o gênero nos últimos anos. Logo, se você procura por um filme que prenda a atenção e lhe dê uns bons sustos, e só encontrar esse 11:11 na locadora, meu conselho é: pode arriscar. Mas esteja avisado: é esquisito e confuso demais.
Talvez, até, 11:11 tenha que ser assistido mais de uma vez para fazer sentido. Quem sabe, os realizadores queriam explicar melhor em 11:11 2 (ou será 11:12?).
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Felipe M.Guerra