ANO DE LANÇAMENTO
2005 (Índia/Inglaterra)
DIRETOR

Shripal Morakhia

ELENCO
Urmila Matondkar
Anuj Sawhney
Shweta Konnur
Amardeep Jha
Kamini Khanna
Sulabha Arya
ROTEIRO

Shripal Morakhia
Sagar Pandya
Anjum Rajabali
Oxide Pang Chun
Danny Pang

PRODUÇÃO

Rakesh Mehra

FOTOGRAFIA

C.K. Muralidharan

EDIÇÃO

Amitabh Shukla

LANÇAMENTO NA ÍNDIA:

20 de maio de 2005

DISTRIBUIDORA:

NAINA
(Naina)


Durante um eclipse solar, aos cinco anos de idade, Naina perde a visão e seus pais num acidente de carro em Londres. Vinte anos depois, ela é submetida a uma cirurgia de transplante de córnea e volta a enxergar. O que poderia ser apenas mais um milagre da ciência moderna se transforma em pesadelo quando ela descobre uma assustadora habilidade em ver fantasmas...vinte anos de Escuridão, sete dias de Inferno..

CRÍTICAS

Depois que o médico tira a proteção de seus olhos, Naina tenta com dificuldade enxergar o mundo novamente após vinte anos de escuridão. Com a visão distorcida e sofrendo com a luz ambiente, a jovem nota a presença de sua avó e do médico que a operara, mas não consegue identificar um estranho vulto silencioso no local.

Assim como Naina, o cinema de horror na Índia aos poucos se afasta da escuridão. Graças a diretores como Soni Razdan, Shripal Morakhia e o conhecido mundialmente M.Night Shyamalan, produções dos mais diversos estilos têm chamado a atenção do público pela sua qualidade técnica na direção e na fotografia, ainda que deixem vestígios de um roteiro não tão bem elaborado.

Inspirados por uma notícia referente a um transplante de córnea, os irmãos Oxide e Danny Pang comandaram um dos filmes mais assustadores do atual e criativo cinema de horror oriental: "The Eye" (Gin gwai, 2002). Sabendo da intenção de Hollywood em dar vida a um remake dessa já clássica produção, Bollywood foi mais rápida. A partir de um roteiro de Shripal Morakhia, Sagar Pandya e Anjum Rajabali, em 2005 foi produzida uma refilmagem quase que cena à cena do filme original mais como um execício de técnica do propriamente uma necessidade.Apesar de algumas evidentes limitações, o resultado até que foi positivo. Algumas cenas foram melhoradas, outras foram acrescentadas, muitas ficaram de fora.




Na trama da refilmagem, acompanhamos um passeio de carro de uma família feliz pelas ruas da Inglaterra enquanto na Índia uma mulher dá a luz uma criança. No pano de fundo, um eclipse marca a data, já evidenciando a intenção do autor em passar uma idéia de acontecimento único - e também a de estabelecer uma metáfora com a nova condição da protagonista. O bebê nasce morto, a família sofre um terrível acidente, enquanto o sol é totalmente coberto pela lua.

Ao mesmo tempo em que é mostrado alguns cacos de vidro entrando na retina da criança no banco traseiro do carro, milagrosamente o bebê dado como morto abre os olhos. Tudo funciona de forma mágica. A grávida deu à luz um bebê, enquanto Naina entra definitivamente para a escuridão. A tragédia é marcada por uma belíssima fotografia em tons avermelhados de um vilarejo na Índia durante o exuberante eclipse. Para alguns, a lua cobriu o sol por apenas alguns minutos, para Naina ela resolveu ficar para sempre.

Vinte anos depois, a bela Naina (Urmila Matondkar) está finalmente pronta para uma cirurgia revolucionária, um transplante de córnea. A morte de alguma pessoa permitirá a garota a possibilidade de voltar a ver o mundo. E tudo ocorre de forma tranquila para a jovem. A imagem sem foco de um vulto a mais no quarto de hospital não assusta Naina e sim o espectador que já entende o seu significado.

Continuar narrando o filme seria repetir o que todo mundo já sabe. A história segue sem grandes novidades em sua linha narrativa, mesmo o diretor Morakhia preferindo carregar o enredo mais no drama do que no terror como fizera os irmãos Pang. Se quiser saber mais detalhes do filme original, clique aqui e confira um artigo de Felipe M.Guerra.




Da minha parte, opto por apresentar as diferenças entre o filme original e essa nova versão. Caso não tenha visto "The Eye - A Herança", não leia os próximos parágrafos onde detalhes sobre a trama e seu final serão analisados:

- Enquanto no filme de Hong Kong, os fantasmas seguiam o padrão oriental, ou seja, pele branca, lábios avermelhados. Nesta nova versão os espíritos são caracterizados pelo fundo dos olhos bem escuros.

- No hospital, Naina também conhece uma criança cancerígena e sua máquina fotográfica. No entanto, é impossível não registrar a péssima maquiagem na cabeça da menina: ao invés de raspar a cabeça da criança, optaram por usar aquelas perucas de pele, típicas dos programas humorísticos. O resultado é catastrófico.

- Quando um paciente morre no hospital, ela também vê um vulto conduzindo o espírito. Enquanto no original, eram homens vestidos de preto, com gola alta, que exerciam a função, neste, são vultos gigantes, envoltos em capuzes negros dando um aspecto da tradicional imagem da morte. Ponto positivo para a nova versão.

- Na cena citada acima, a jovem também decide seguir o espírito. No entanto, o original conseguiu assustar mais ao dar uma fala macabra à entidade: "Estou com frio"...

- A cena em que o fantasma pula sobre a cadeira da garota, acusando-a de estar em sua cadeira, também é mostrada aqui. Mas, neste, a cena é menos assustadora porque acompanhamos o momento pelo lado e não pela frente. O efeito gráfico é o mesmo, mas perdemos aquela sensação de estarmos sendo atacados...

- A cena do elevador é bem parecida, com o espírito de um homem de costas para a porta. Sem dar detalhes sobre a deformidade do rosto do fantasma, o ser também flutua em direção à protagonista que acaba descendo no andar errado.

- Sabe aquele menino que pergunta belo boletim no filme original? Em "Naina", ele apenas pergunta o tempo todo pela mãe. Num momento inspirado em "Ecos do Além", a garota irá descobrir como ele morreu (não foi suicídio) e ajudará a família a encontrar o corpo.

- Naina também foge da luz como no original, preferindo voltar a ser cega. Em nenhum momento, ela tenta entrar em contato com os fantasmas, sempre demonstrando pavor das visões.

- Há menos fantasmas em "Naina": não vemos pessoas de costas no meio da rua, nem o menino atropelado pelo ônibus, muito menos a mulher que entra no açougue flutuando.

- Em compensação, temos duas cenas novas: num dos momentos de descoberta do filme, Naina tenta ajudar uma pedinte até ela mostrar sua condição transparente; em determinada cena, Naina entra no IML do hospital e vê um homem com o corpo todo aberto, com os órgãos à mostra deitado em seu leito cirurgico. De repente, o homem abre os olhos e se levanta, lembrando o clássico "Reanimator"...

- A seqüência final é bem mais detalhista, com o episódio inteiro da menina que fora acusada de bruxa numa vila na Índia. Ela não se mata pulando de uma cadeira com uma corda no pescoço, ela opta por um suicídio no mar...Naina terá que repetir os gestos finais da garota para a mãe dela expressar alguma emoção e evitar que o incidente se repita.

- Assim como no original, a seqüência final mostra um exército de fantasmas negros em busca das vítimas de um futuro acidente. A jovem também tentará avisar as pessoas, sendo ignorada e detida pela polícia até o momento "Premonição" apresentar a tragédia. Diferente do original, o acidente ocorre numa viagem de trem e não no trânsito.

Mesmo com as mudanças, "Naina" deixa evidente a sensação de estar vendo o mesmo filme novamente. È uma refilmagem desnecessária, assim como a versão americana que ainda está em pré-produção. Na hora de escolher o melhor filme, opte pela versão original ou faça como a protagonista fique na escuridão.

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Marcelo Milici