The Watcher
ANO: 2000 PAÍS: EUA DURAÇÃO: 95 minutos DISTRIBUIDORA: DIREÇÃO: Joe Charbanic e Jeff Jensen ELENCO: James Spader (Joel Campbell); Marisa Tomei (Polly); Keanu Reeves (David Allen Griffin); Ernie Hudson (Ibby); Chris Ellis (I)(Hollis); Robert Cicchini (Mitch) CARACTERÍSTICAS: Colorido; Legendado/Dublado SINOPSE: Um detetive (James Spader) tenta pegar um assassino em série (Keanu Reeves) que tem costume de enviar uma foto de sua vítima à polícia antes de executá-la.
CRÍTICAS:
Sabe aqueles filmes feitos para a TV que normalmente são apresentados nas noites de sábado no Supercine? Produções banais com todos os velhos clichês e absolutamente nada de novo? Pois tirando a presença de um trio de astros de Hollywood (Keanu Reeves, Marisa Tomei e James Spader), dois deles em decadência (Spader e Marisa), O OBSERVADOR, de Joe Charbanic, é um destes "filmes de Supercine": superficial, sem graça, daqueles que você sabe desde o começo como vai terminar, quem morre e quem vive. A bem da verdade, você já viu O OBSERVADOR pelo menos umas cem vezes, só que o filme não tinha exatamente esse título. Trata-se de uma história exatamente igual a muitas outras produzidas nos últimos anos, sobre serial killers que perseguem policiais, desafiando os homens da lei antes de cometer novos crimes. Agora, fale sério: depois de O SILÊNCIO DOS INOCENTES, SEVEN, COPYCAT, BEIJOS QUE MATAM, RESSURREIÇÃO: RETALHOS DE UM CRIME e outros, você ainda agüenta ver mais um filme sobre serial killers? Pior: um filme totalmente previsível como este, que não tem absolutamente nada de novo? Se duvida e acha que eu estou sendo malvado, vamos acompanhar: Keanu Reeves é David Allen Griffin, um assassino psicopata - como se Reeves tivesse cara de psicopata. Na verdade, o espectador pode até dar gargalhadas, porque o ator nunca esteve tão forçado, dando risadas maléficas e fazendo cara feia na tentativa de assustar alguém. Ele persegue mocinhas, as observa (daí o originalíssimo título, dãããã!) e as mata depois de conhecer sua rotina. E o faz com uma corda de piano (outro detalhe originalíssimo) . Já James Spader é Joel Campbell, o pobre coitado homem da lei que sofre com a obsessão do psicopata, pois ele lhe manda fotos das vítimas, desafiando-o a chegar antes e salvar sua vida. Óbvio que Spader nunca consegue: descobre-se que, no passado, a namorada do policial morreu vítima do psicopata, e aí torna-se uma questão de honra agarrá-lo (clichê infalível). O filme vai então amontoando corpos até o mesmo final de sempre, onde o assassino resolve pegar pesado e atacar alguém querido do seu arquiinimigo, no caso, sua psiquiatra, a dra. Polly Beilman (Marisa Tomei). O melhor é esquecer este desperdício de tempo e dinheiro. De cara você já adivinha tudo que vai acontecer, que o policial Spader vai correr muito mas chegar sempre atrasado nas cenas de crime, etc etc. E como já se sabe a identidade do assassino desde o começo, não há nem o suspense de saber quem está por trás dos crimes, como em SEVEN ou BEIJOS QUE MATAM. Aí o diretor Joe Charbanic achou que seria legal, e moderninho, começar o filme pelo final, com Griffin apontando uma arma para Joel e ameaçando matar Polly. Não que isso faça qualquer diferença, pois o espectador já tem certeza absoluta de como tudo vai acabar. E Charbanic ainda enche o saco do espectador com todos os vícios de linguagem do cinema "moderninho", tipo câmera lenta, câmera acelerada, câmera sacudindo, tudo chupado de outros filmes, sem o menor talento. Diz um velho ditado que tudo aquilo que começa errado, termina errado. E este O OBSERVADOR é realmente isso: um gigantesco erro. Para começar, Keanu Reeves odeia e renega o filme. Ele e o diretor Charbanic eram velhos amigos e Reeves aceitou participar do primeiro projeto cinematográfico do colega, muitos anos antes da produção receber luz verde. Naquela época, o roteiro original previa meia dúzia de cenas para o ator, em flashback, como uma espécie de participação especial, motivo pelo qual Reeves ficou entusiasmado e ofereceu-se para colaborar com Charbanic. Enfim, era para ser uma produção independente, de baixo orçamento. O que aconteceu então? O ator assinou contrato para fazer o filme em 2000, quando já curtia o inesperado sucesso de MATRIX, feito no ano anterior (1999). Nem os produtores de O OBSERVADOR esperavam este sucesso, e de repente Keanu Reeves voltava a ser um astro cobiçado. Por isso, Charbanic resolveu reescrever o roteiro, colocando mais cenas com o astro. O que começou apenas uma pequena participação de 10 minutos transformou-se no elemento central do filme! E um grande estúdio, a Universal, comprou a idéia, contratando James Spader e Marisa Tomei por um salário maior que o de Reeves (afinal, ele tinha combinado um valor irrisório na época que o projeto ainda era independente). Ao saber das mudanças e do salário pequeno que ia receber, o astro ficou puto dos cornos e queria negar-se a participar, mas já havia assinado o contrato. E há aquela velha lenda em Hollywood da atriz Kim Basinger, que desistiu de estrelar o mórbido ENCAIXOTANDO HELENA, em 1993, e pagou milhões de indenização por quebra de contrato.
Some a todos estes problemas o total amadorismo do diretor (felizmente, este é seu primeiro e único filme), e temos o quadro do fiasco que é este filme. Tal qual um Ed Wood da vida, o cineasta não dá qualquer atenção para a continuidade: os personagens saem dirigindo um carro e estacionam com outro veículo diferente, o herói fala no celular de uma marca em um momento e no minuto seguinte tem o telefone de outra marca na mão, e por aí vai. É um festival de erros de continuidade que deixaria o velho Wood envergonhado. Por essas e por outras, O OBSERVADOR é um filme absolutamente dispensável, que merece o mofo das prateleiras. Felipe M.Guerra COTAÇÃO: "Horrível, Keanu Reeves está péssimo, o roteiro está péssimo. Fracasso!!! " Danilo Gonçalves NOTA: Envie sua crítica ou opinião sobre este filme e ela será publicada aqui! ![]() ![]() ![]() |