ANO DE LANÇAMENTO
2005 (Espanha/Inglaterra/Itália)
DIRETOR

Antonio Hernández

ELENCO
Laia Marull (Beatriz)
Leonardo Sbaraglia (Alex)
Angie Cepeda (Natalia)
Gerardo Malla (Prof. Wissman)
Joaquín Climent (Roberto)
Geraldine Chaplin (Adele)
Emma Cohen (Leonor)
William Miller (Javier)
Marta Aledo (Inés)
Marta Belenguer
ROTEIRO

Antonio Hernández
Enrique Brasó

PRODUÇÃO

Albert Martinez Martin
José Nolla
Antonio Saura

EDIÇÃO

Javier Laffaille

FOTOGRAFIA

Unax Mendía

DIREÇÃO DE ARTE

Gabriel Carrascal

LANÇAMENTO:

2008

DISTRIBUIDORA:

OCULTO
(Oculto)


Beatriz, Álex e Natalia se conhecem em uma conferência sobre o poder dos sonhos. Desde então, laços misteriosos parecem atá-los cada vez mais: uma estranha tatuagem, um certo pesadelo compartilhado e, sobretudo, uma paixão sexual obsessiva. Apaixonados e desorientados, recordações atormentadas vindas de seus sonhos ameaçam suas vidas.Quem dos três esconde algo em seu passado que poderia levá-los à morte?Quem oculta algo?OCULTO é um suspense cujos protagonistas vivem um sonho de amor destrutivo do qual lutam para acordar.

CRÍTICAS

Laços misteriosos unem os destinos de três estranhos: a linda Natalia, o conquistador Alex e a enigmática Beatriz. Eles se conhecem numa conferência sobre sonhos realizada pelo Professor Wissman. Após o término da palestra, Natalia questiona o especialista se uma sequência de pesadelos que vêm lhe atormentando poderia de algum modo revelar os acontecimentos que estão por vir. A jovem conta que nestes sonhos há sempre um monólito negro com símbolos gravados, que se alteram a cada pesadelo: um olho, dois números três simétricos, uma flor com quatro pétalas. Ao ouvir a história de Natalia, Beatriz passa mal e desmaia. Tem início neste momento uma relação de ódio, paixão e loucura.



Não se espante se encontrar na contra-capa do DVD, recém lançado pela até então desconhecida Prime Pictures, uma chamada instigante (e enganosa) do tipo: “Um suspense inteligente que revela alguns dos mistérios que há por trás de nossos sonhos." Não que “Oculto” seja um filme ruim. É apenas exagerado e quase tão apelativo quanto o subtítulo apresentado na capa frontal: “O mistério do sobrenatural pode levá-los a loucura”.

Ou seja, o marketing da distribuidora tenta vender o filme como um suspense sobrenatural, o que não é o caso. E afirmar que não há nada de sobrenatural em “Oculto” nem chega a ser spoiler, pois fica claro após alguns minutos de exibição que o longa está muito mais para um drama com pitadas de suspense.

Ressaltando novamente, isto não significa que “Oculto” seja um filme ruim. Se não alcança o nível dos bons filmes da recente safra de produções espanholas (“O Labirinto do Fauno”, “REC” ou “O Orfanato”), também não chega a manchar a reputação castelhana. É uma “película” muito bem elaborada, que apresenta uma edição competente e uma bela fotografia.

“Oculto” é a sétima investida na direção do cineasta espanhol Antonio Hernández (que é também ator e produtor e dirigiu em 2002 o premiado “Cidade Sem Limites”). O filme é estrelado pelo casal de atores latinos formado por Angie Cepeda (famosa por protagonizar novelas colombianas) e o argentino Leonardo Sbaragllia.

No entanto, o roteiro, escrito por Hernández e Enrique Brasó, mostra-se frágil quando apresenta as explicações para as coincidências e revela o que realmente está oculto (revelação esta que o espectador mais esperto mata antes da metade do filme).

Já a canção que compõe a trilha sonora principal é repetida tantas vezes durante as quase duas horas de filme que acaba se tornando enjoativa, apesar de esteticamente harmônica.

Mas para os marmanjos apreciadores da beleza feminina, existe um motivo fortíssimo para assistir à “Oculto”: a presença da “estupenda” atriz colombiana Angie Cepeda, em algumas cenas bem calientes que fazem valer a locação e os 125 minutos em frente a TV.

E embora “Oculto” não apresente nada de sobrenatural ou fantástico, o mesmo foi exibido na mostra principal do Fantasporto em 2007, prestigiado festival de cinema fantástico que acontece todos os anos na cidade de Porto.

Poderíamos destacar a narração apresentada ainda antes dos créditos iniciais, ignorando que a mesma pareça deslocada do resultado final de “Oculto”:

Sonhos.
Imagens caprichosas que mesclam nossas lembranças...
Que revolvem nossas memórias...
Por noites e noites, horas e horas.
Os sonhos estão presentes dentro da sua cabeça.
Ninguém pode vê-los, exceto você.
Porque eles são seus.
Mas você não pode controlá-los.
Eles se defendem sozinhos, apesar de se alimentarem de você.
Mas são simplesmente sonhos.
Nos sonhos, tudo é possível.
Voar, amar o que odeia... Viver o que nunca viveu...
Morrer... e voltar a nascer.
Pode aprender com os sonhos ou pode esquecê-los.
A única coisa que jamais pode fazer é depender deles.
Pois os sonhos não respeitam nem a razão e nem o sentido.
Por isso, ninguém pode entrar no sonho do outro.
Ninguém vivo.

Enfim, o maior problema de “Oculto” foi criado pelos próprios produtores: a expectativa. Quem vê o trailer (presente no final do artigo) e espera um filme de horror ou suspense acaba decepcionado. E aqueles que preferem dramas ou os chamados filmes estrangeiros deixam de assistir achando que o filme é de terror.





João Pires Neto
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