ANO DE LANÇAMENTO
1978 (Indonésia)
DIRETOR

Sisworo Gautama Putra

ELENCO
Enny Haryono
Rukman Herman
Michael Kelly
Johann Mardjono
Barry Prima
ROTEIRO

Rukman Lukito
Iman Tantoni

Fotografia

Leo Ficole

Música

Sodarto

ESTRÉIA Na França:

4 de agosto de 1982

DISTRIBUIDORA:

inédito no Brasil

PRIMITIVES
(Primitives/Primitif)


Moça escapa de uma ilha da América do Sul, onde uma empresa de extração de pedras preciosas mantém mulheres sob regime de trabalho escravo. Ela vinga-se do dono da companhia, aprisionando-o e liderando uma rebelião das exploradas.

CRÍTICAS

Alguns estudantes se embrenham numa floresta para estudos de uma cultura primitiva mas, desejosos de se aventurar ainda mais, resolvem descer um rio para explorar locais ainda mais remotos e esquecidos. Acabam se acidentando, perdendo seu líder e se separando, sendo que dois deles vão parar numa tribo de canibais carniceiros. Lá, vivem o diabo por alguns dias, até que são resgatados pelos outros sobreviventes.

Raríssimo e obscuro filme indonésio dirigido por Sismoro Gautama Putra, surgido no mesmo ano em que Ruggero Deodato lançou seu sensacional O Último Mundo Canibal, idéia inicial para o famoso ciclo de canibalismo gore produzido na Itália na virada da década de 70 para 80, destacando-se o clássico maior do gênero Canibal Holocausto (1980), do próprio Deodato. Primitives tem o mesmo clima doentio e a mesma despreocupação narrativa dos italianos, só que mais centrada nos momentos gore e de extrema violência contra humanos e animais, que, definitivamente, não têm sorte neste gênero de filmes.

Por outro lado, pega muito mais leve e é muito mais ingênuo que os filmes do Deodato. Há, por exemplo, muito mais atenção aos costumes rituais escrotos da tribo do que na carnificina dos capturados (que sequer se dão mal); como as seqüências de estripação animal (um jacaré e um macaco, que são esfolados vivos) e as batalhas entre animais (cobra contra lagarto & crocodilo contra tigre). O que não significa que não haja seqüências memoráveis: uma garota índia que dá à luz no meio da floresta para em seguida lamber o bebê recém nascido cheio de sangue e comer as podreiras que vieram com ele, como a placenta e restos do cordão umbilical. Costume algo nojento, aliás compartilhado pelos demais habitantes da tribo, o tempo todo mastigando tripas de animais e outras iguarias peculiares. Também a comovente seqüência em que um canibal desobedece às ordens da tribo e tem os bagos amassados por uma marreta de pedra: embora não seja explícito, é ver e se contorcer. E no meio dessa salada gore bastante indigesta, ainda há espaço para o riso: um dos canibais atira uma machadinha em direção a um dos invasores mas este se abaixa e a machadinha, num efeito bumerangue, retorna e lhe acerta bem no meio da testa.

Apenas uma mostra, porém, do vastíssimo terror hardcore produzido lá do outro lado do mundo e que, infelizmente, conhecemos muito pouco.



COTAÇÃO:    

E.R.Corrêa