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ANO DE LANÇAMENTO |
| 1977 (Itália) |
| DIRETOR |
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Lucio Fulci
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| ELENCO |
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Virginie Ladoyen
Lou Doillon
Dorina Lazar
Virginie Darmon
Marie Henry
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| ROTEIRO |
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Lucio Fulci Roberto Gianviti Dardano Sacchetti
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| FOTOGRAFIA |
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Sergio Salvati
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| PRODUÇÃO |
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Lucio Fulci
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| MÚSICA |
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Franco Bixio Fabio Frizzi Vince Tempera
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| EDIÇÃO |
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Ornela Micheli
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LANÇAMENTO NA ITÁLIA:
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10 de agosto de 1977
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DISTRIBUIDORA:
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PSYCHIC, THE (Sette Note in Nero)
Inspirada por uma visão, uma vidente quebra a parede da casa do marido e encontra um esqueleto encondido. Com a ajuda de um psiquiatra, ela busca a verdade sobre de quem poderia ser aquele esqueleto e como fora colocado lá. Logo, ele começará a desconfiar que ela mesma possa ser a vítima do destino...
CRÍTICAS
A longa e influente filmografia de Lucio Fulci reserva até hoje gratas surpresas para os aficionados pelo Horror Cinematográfico Italiano; Mais conhecido como o Maestro do Gore e Pai dos Zombies Carcamanos, Fulci se aventurou por vários gêneros e subgêneros que vão dos westerns: OS QUATRO DO APOCALIPSE, até um genial grupo de filmes Gialli onde se destacam os polêmicos: NON SE SEVIZIA UM PEPERINO aka DON’T TORTURE A DUCKLING e LA LUCERTOLA COM LA PELE DI DONNA aka LIZARD IN WOMAN’S SKIN, feitos no início da década de 70 e protagonizados pela atriz brasileira FLORINDA BOLKAN, sem esquecer do maldito e transgressor THE NEW YORK RIPPER.
Antes de se consagrar mundialmente com o clássico ZOMBIE de 1979, Fulci dirigiu um de seus mais importantes filmes: THE PSYCHIC aka LE SETTE NOTE IN NERO, 1977. Pouco reconhecido pela maioria dos fãs esse Giallo fantástico tem apreciadores famosos como o Diretor norte-americano Quentin Tarantino, que tem no trabalho de Fulci uma de suas maiores influências confessas. A trama mistura uma espiral de mistério e suspense com elementos sobrenaturais, antecipando temas que o diretor iria trabalhar futuramente. A história inicia mostrando duas ações simultâneas se desenvolvendo em locais distintos. Em uma delas uma mulher se aproxima de um penhasco diante do mar na Inglaterra, em outra uma menina faz uma visita em uma colina de onde se pode observar a bela cidade de Florença na Itália. A mulher diante do penhasco se joga para a morte enquanto que a menina tem uma visão desse suicídio chamando pela mãe, A queda da mulher é mostrada com detalhes de seu rosto se chocando nas rochas fazendo o sangue jorrar. Essa cena é uma referência ao final de seu Giallo NON SE SEVIZIA UM PEPERINO. A ação avança no tempo e agora vemos a menina adulta interpretada pela atriz Jennifer O’Neill. Ao se encaminhar para sua nova casa passa por túneis na estrada.
A montagem precisa, aliada a excelente trilha-sonora, começa a criar a sensação de um transe onde a mulher tem visões fragmentadas de uma senhora morta e de cenários decorados com refinamento, mescladas a sons e fragmentos de um quebra-cabeça que começa a lentamente ser esclarecido pelo roteiro cheio de revelações e reviravoltas. O horror prossegue quando a mulher tem a incômoda sensação de que numa das paredes da sala da nova casa existe algo oculto. As visões continuam a guia-la até ela não agüentar mais e abrir a parede com uma picareta até descobrir um esqueleto oculto por uma parede de tijolos. A descoberta macabra só piora as coisas pois exames de laboratório mostram que o esqueleto era de uma mulher jovem. E a visão da velha senhora morta? O que significa? Essa tortura faz a protagonista buscar com o auxílio de um detetive, a solução para o mistério, pois seu marido acaba preso, acusado de ter matado e emparedado a mulher cujo esqueleto foi encontrado.
O roteiro prossegue criando uma constante e inteligente atmosfera de medo, suspense e horror, acentuando-se no momento em que o detetive suspeita que ela na verdade não teve uma visão do passado, mas sim, uma visão do futuro, uma premonição. Fulci nos brinda a partir desse momento com grandes sequências dirigidas com maestria sem os exageros gore de costume. Esse talvez seja o filme menos extremo de Fulci e o mais bem escrito de todos. A cena da casa da velha senhora, os diálogos entre cinema e pintura italiana e holandesa, o confronto na igreja e a seqüência final demonstram toda a força de Fulci como autor, como excelente manipulador do espectador através de um suspense refinado e adulto para cinéfilos de primeira grandeza.
A música que toca na cena da igreja foi utilizada por Quentin Tarantino em Kill Bill Vol 1, na seqüência do hospital onde a Personagem de Uma Thurman ataca o enfermeiro cafetão. Poucas vezes pude perceber uma fusão tão perfeita entre musica e imagem em um filme como nesse de Fulci. O espectador pode até ser manipulado através do suspense, mas nunca tem sua inteligência subestimada. Um filme que merece ser descoberto e ter sua importância e genialidade reconhecidas. Para muitos críticos esse é o melhor filme de Fulci. Exagero ou não ouso em afirmar que esse é o melhor roteiro que o grande Mestre do Horror Cinematográfico Italiano teve nas mãos e conseguiu aproveita-lo de maneira satisfatória. Em um TOP FIVE de Fulci colocaria THE PSYCHIC ao lado dos já citados NON SE SEVIZTA UN PEPERINO, LA LUCERTOLA COM LA PELE DI DONNA, ZOMBIE e THE BEYOND. Entre suas incursões nos filmes Gialli eu o coloco ao lado, em grandeza e ousadia, de um de seus últimos trabalhos de qualidade: THE NEW YORK RIPPER.
Marcelo Carrard
mondopaura.zip.net
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