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PÂNTANO, O
A Globo criou um modelo interessante de denominarmos os filmes: temos os filmes que passam no TELA QUENTE, que agradam a maioria; os da SESSÃO DA TARDE mais "família" por causa do horário e da faixa etária; e os do SUPERCINE, geralmente dramas ou suspenses. O PÂNTANO se encaixa nesta última modalidade. Isso porque se você não tiver percebido ainda, os filmes que passam no sábado a noite tem uma função incrivelmente sonífera: se você está com sono, pronto é só começar a assistir ao SUPERCINE que é "tiro e queda". E não se preocupe, por mais que você durma, com certeza você vai acordar uma vez lá na metade do filme e outra nos últimos cinco minutos finais, e mesmo assim você vai entender toda a história. Na trama, Claire Holloway, uma jovem, escritora de livros infantis, resolve passar um feriado no campo e acaba por se tornar a principal personagem de um mistério sobrenatural. Um dia Claire vê na televisão uma paisagem rural onde reconhece algo que aparece sistematicamente nos seus pesadelos e decide investigar... Com certeza você já assistiu O PÂNTANO, porque o enredo é a velha história do fantasma que quer descanso. Além de cair no "lugar comum" de casas assombradas tem uma história mal desenvolvida. Os personagens ao mesmo tempo que gritam por causa de uma sombra, parecem encarar tudo normalmente quando enfrentam um fantasma camarada: "tudo bem, tenho certeza que isso não está acontecendo por acaso, então o que devo fazer, Gasparzinho?" E lá vai a personagem principal dar uma de investigadora enquanto algumas pessoas são mortas estranhamente. Mas sua curiosidade está acima disso, já que sua sanidade, estranhamente, depende da resolução do mistério. Pistas falsas, personagens estranhos (mas não tão estranhos quanto seu vizinho) e lá se vão mais de 45 minutos de filme pra acontecer alguma coisa de interessante. Ainda temos que agüentar aquela mania americana de querer nos assustar com uma trilha sonora altíssima, em vez de criar um clima. Gabrielle Anwar (Invasores de Corpos), quase irreconhecível por causa das plásticas, continua péssima atriz, o que faz com que ela, sendo a protagonista do filme, não ajude muito a convencer o espectador de seu drama. Só para você ter uma idéia, a mulher faz a mesma expressão o filme inteiro com cara de "acho que não sei onde estou"; e até os fantasmas têm mais diálogos e presença do que ela. Forest Whitaker (O Ultimo Rei da Escócia) devia estar fazendo algum favor para um amigo, só assim para explicar sua medíocre interpretação. Sua participação consiste em botar a história nos eixos, ou seja, explicar o que está acontecendo pra todo mundo: para o telespectador, para os personagens e para o diretor também, que parece ter esquecido que estava fazendo um filme de terror. O PANTANO não assusta, não emociona (estamos falando de um filme de espíritos típico de um SUPERCINE) e muito menos arrepia. E se você não tiver prestando muita atenção e perder algumas cenas devido ao sono, não se preocupe que no final tudo é explicado. Agora, se tiver a sorte de dormir durante o filme inteiro, talvez, misturado ao seu sonho, você ache o filme bom. Azar daqueles que sofrem de insônia... José Erson Douglas
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