PÂNICO
Panic

ANO:  1976
PAÍS:   Inglaterra/Itália
DURAÇÃO:    090 minutos
DISTRIBUIDORA:    Pole Vídeo
DIREÇÃO:  John Lee Sheppard
ELENCO:    David Warbeck; Janet Agren; Frank Ressel
CARACTERÍSTICAS:    Colorido; Legendado/Dublado


SINOPSE:
    Cientistas trabalham numa série de experiências genéticas e um acidente acaba infectando um dos pesquisadores com um vírus degenerativo. A moléstia o transforma em uma criatura sedenta de sangue.


CRÍTICAS:

Um cientista contaminado por um vírus transforma-se em um monstro assassino que sai matando pelas ruas de uma pequena cidade. Quantas vezes você já viu este argumento antes, com pequenas variações (na profissão do contaminado, no tipo de contaminação e no tamanho da cidade, por exemplo)??? Mas esqueça os outros filmes que você já viu com este mesmo enredo: se você quiser ver um trash italiano classe Z daqueles de rir do início ao fim, PÂNICO é a escolha ideal.
Não, mané, não estamos falando daquele filmeco feito nos anos 90 pelo Wes Craven, com as carinhas mais populares da MTV americana. Estamos falando do PÂNICO feito em 1976 por Tonino Ricci (mas nos créditos iniciais você não vai encontrar seu nome, e sim o pseudônimo Anthony Richmond), numa produção conjunta entre Espanha e Itália. Apesar de ter sido iniciado em 76, o filme só foi concluído e lançado em 1982. Além de Ricci/Richmond, o cinegrafista do filme, Giovanni Bergamini, dirigiu ele mesmo algumas cenas. Por aí já dá para ter uma idéia do tamanho do orçamento que os caras tinham.
Difícil vai ser encontrar esta pérola nas locadoras. PÂNICO foi lançado no Brasil nos primórdios do videocassete em terras tupiniquins, pela velha e boa Poletel, que lançou uns 99% das tralhas italianas em terra brasilis (amém!). A maioria das locadoras ditas "normais" já vendeu esta porcaria para os sebos há séculos, então dê aquela voltinha nas revendas de usados da sua cidade que com certeza encontrará uma preciosidade do trash made in Italy a uns justos R$ 1,99!
PÂNICO se chama PÂNICO no Brasil, mas foi lançado com diferentes títulos no mundo inteiro, como as produtoras italianas adoravam fazer, para confundir os espectadores e vender o mesmo filme ruim várias vezes. Na Itália, por exemplo, tem um título mais pomposo: I VIVI INVIDIERANNO I MORTI. Na Europa, foi batizado BAKTERION. Nos EUA é PANIC. E por aí vai. Mas a tralha é a mesma.
Quando eu vi PÂNICO pela primeira vez, tinha lá meus 11 anos de idade. Foi, provavelmente, um dos primeiros filmes de horror que vi. E como vi! Só na infância, umas 10 vezes - adorava pegar para rever com os amigos, porque tinha um montão de mulher pelada. Acabou virando uma daquelas besteiras que você pode ver com qualquer idade e vai achar divertido. Mas talvez nem todos pensem assim.
Como não gostar de um filme onde um cara de rosto deformado sai matando italianas peladas numa história que supostamente se passa na Inglaterra? Como não gostar de um filme onde Lucas encontra Betty, os dois conversam por três segundos e na cena seguinte já estão transando no banco de trás do carro (isso aos três minutos de projeção!!!)? Como não gostar de um filme estrelado por David Warbeck, o melhor dos heróis do cinema italiano (THE BEYOND, OS CAÇADORES DA SERPENTE DOURADA, TIGER JOE, THE LAST HUNTER e uma cacetada de outros), interpretando um cara chamado Capitão Kirk Dude? Pois é, uma brincadeira infame com "Capitão Kirk" pelo menos 20 anos antes do pavoroso HOUSE OF THE DEAD tentar fazer a mesma coisa! Como não gostar de um filme onde a gostosa Janet Agren (OS VIVOS SERÃO DEVORADOS, PAVOR NA CIDADE DOS ZUMBIS, KERUAK - O EXTERMINADOR DE AÇO) é uma cientista disposta a salvar o colega transformado em monstro, mesmo depois de ele matar umas 10 pessoas inocentes? Se você continua não gostando da idéia mesmo depois de tudo isso, então, meu amigo, jamais assista PÂNICO. Seu negócio é rever O SEXTO SENTIDO pela 20ª vez.
PÂNICO começa com um mal-editado acidente em uma companhia química chamada simplesmente Chemical (sacou a furada? traduzindo, fica "companhia química Química"!!!), que supostamente produz vacinas e antibióticos em uma cidadezinha inglesa chamada Newton. Os cortes são tantos e tão ligeiros que lembram um filme de Michael Bay (mas parece que foi feito assim para não mostrar escancaradamente as limitações do orçamento). Logo, tudo que vemos do nosso "monstro" no início é um cara berrando enquanto esconde o rosto com as mãos esverdeadas e esfumaçantes.
Através da personagem de Janet Agren, a dra. Jane, ficamos sabendo do que aconteceu: um vírus que estava em desenvolvimento "vazou", através de uma cobaia (um rato) que escapou. A única pessoa que pode falar sobre o tipo de vírus e o risco de contaminação é o professor Adams (Roberto Ricci, irmão do diretor), que, adivinhe, está desaparecido. O proprietário da Chemical, o dr. Milton (Franco Ressel), sugere que todos abafem a história, especialmente a parte do "risco de contaminação", até que o prof. Adams seja localizado.
Mas, perto dali, Betty e Lucas (lembra?) estão transando no banco de trás do carro. O professor Adams não é mais o professor Adams, agora ele é um monstro assassino, cujo rosto não aparece até os 40 minutos finais (então, o que você vê inicialmente é a manjada câmera em primeira pessoa, a tal "visão do monstro"). Ele esquarteja o casal de namorados, chamando a atenção da polícia local, liderada pelo Sargento O´Brien (José Lifante), e também do Serviço de Segurança Inglês, que envia o Capitão Kirk (hahahahaha) para Newton, investigar o que está acontecendo.
É óbvio que Kirk e Jane trabalharão em conjunto - mas não vão se apaixonar nem trocar beijinhos, contrariando o clichê máximo.Eles descobrem que Henry Miles, o guarda-costas (!!!) do professor Adams também está morto, e que uma outra moça peladona foi morta enquanto tomava banho (nudez frontal e tudo mais, em outra pobre menina seduzida pelo mundo do cinema, que não conseguiu nada mais do que mostrar a "perseguida" em cena e falar meia dúzia de frases). Somando A + B, percebem que há uma estranha substância verde nos corpos das vítimas, e que o assassino supostamente bebeu seu sangue.
Então as coisas começam a ficar claras! O professor Adams não está desaparecido! Ele se transformou num monstro mutante que precisa beber o sangue de suas vítimas (como se isso tivesse alguma lógica), mas também pode contaminá-las com o mesmo vírus que o transformou no que ele é. Só que a Defesa Civil já sabe de tudo isso. Em Londres, eles estão se reunindo com o primeiro-ministro e avaliando as chances da contaminação se espalhar para fora de Newton. Eles (os políticos) sabem que Adams não estava trabalhando em vacina coisa nenhuma, mas sim num vírus perigoso e indestrutível para usar em guerra bacteriológica (claro!). Decidem iniciar a quarentena, isolando todas as entradas e saídas da cidade com forças militares, cortando transportes e comunicação, e já planejando largar uma bomba sobre a cidade em 12 horas, varrendo qualquer evidência do tal vírus, a não ser que o monstro mutante seja encontrado e destruído a tempo.
Como a polícia é burra, o professor Adams continua agindo, entrando nas casas das pessoas pelo esgoto, atacando até em um cinema - onde o diretor Ricci contorna o orçamento irrisório filmando com a luz apagada, ou seja, no meio da escuridão, só escutamos os urros do monstro e os gritos apavorados das pessoas. Coisa que se o Spielberg faz, é gênio, mas se o Tonino Ricci faz, é um sem-vergonha!
E o filme avança com a dose de violência diminuindo, mas a dose de bobagens aumentando. O povo de Newton começa a ficar apavorado e quer fugir da cidade, entrando em conflito com os militares que sitiaram o local. E a dra. Jane, tentando salvar seu pobre prof. Adams, sintentiza em meia hora um antídoto para, supostamente, transformar o monstro assassino novamente em um bom cientista. Mas o Capitão Kirk (hahahaha) prefere armar-se com uma pistola de gás venenoso (sério!) e caçar o bicho feio no esgoto.
Bem, bem, bem... Abobrinhas, vejamos... Numa cena, a polícia ouve grunhidos atrás de um carro e vai averiguar, aquele suspense barato de filme classe Z, e é um bêbado que está, acreditem ou não, grunhindo como o monstro, sabe-se lá porquê! Em outra cena, Kirk e O´Brien abrem uma tampa de esgoto e encontram a tal cobaia desaparecida (eu citei no começo do resumo, lembram? pois é, vendo o filme vocês também esquecerão dela). O que aparece é um enorme rato deformado, tão grande quanto um cachorro, em uma colagem absurda (só vendo para crer). Então, O´Brien fala "oh, my God" e o monstrinho é novamente esquecido, não se fala mais nele até o final (eles o mataram? o aprisionaram?). E o que dizer do "caça-bombardeiro" que decola em Londres com a bomba para destruir Newton? Trata-se de um velho teco-teco maquiado para parecer um super-caça. hahaha. Eles só filmam closes do cockpit para disfarçar! E nas cenas do avião voando, colocaram um caça de brinquedo e pensaram que ninguém ia perceber! E outra: o filme exibido no cinema, antes do monstro atacar, mostra apenas um mané dirigindo um carro, com uma musiquinha xarope no fundo... e a galera toda no cinema fingindo que está vendo aquilo com todo o interesse!!!! hahahaha
PÂNICO é pobre em tudo, inclusive no ritmo arrastado, mas em compensação tem um razoável número de abobrinhas, de ataques do monstro e de mulheres peladas, algumas boas cenas sangrentas e uma ótima trilha sonora de Marcello Giombini (colaborador habitual de Joe D´Amato, com quem trabalhou em ANTROPOPHAGOUS e LE NOTTI EROTICHE DEI MORTI VIVENTI). Também contorna a pobreza da produção com bons efeitos especiais (dentro do possível, claro). O rosto do monstro é escondido até o final, mas então mostrado em close grotesco, ressaltando as feridas purulentas pulsando - a maquiagem foi feita por Rino Carboni e os efeitos especiais por Galliano Cataldo (que trabalhou com Dario Argento em 4 MOSCHE DI VELLUTO GRIGIO, de 1971).
O filme é bobo, trash e muito engraçado. Mas é para públicos específicos, ou seja, só para os iniciados em tralhas italianas como essa. Só estes irão dar risada do aviso no final dos créditos, que alerta: "O que você viu pode aconter realmente... TALVEZ JÁ ESTEJA ACONTECENDO!". hahahahaha. Outros não vão rir, pior, vão odiar. Mas como odiar um filme desses?

Felipe M.Guerra

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