The Gate ANO: 1987 PAÍS: Canadá DURAÇÃO: 86 minutos DISTRIBUIDORA: Look Video DIREÇÃO: Tibor Takacs ELENCO: Christa Denton, Louis Tripp, Stephen Dorff CARACTERÍSTICAS: colorido; Legendado/Dublado SINOPSE: Garotos descobrem, no quintal de casa, um buraco (de onde foi retirada uma árvore) que pode ser uma passagem ao inferno. CRÍTICAS: A casa estava vazia quando Glenn chegou. Seus pais, sua irmã e até mesmo o seu cachorro tinham desaparecido. A mesa estava posta, mas ninguém tocara nos pratos. O dia rapidamente se transformou em noite e os ventos anunciavam a chegada de uma tempestade. Num estrondo, um raio atinge a velha árvore do quintal, derrubando - a, enquanto o garoto nada podia fazer além de assistir a tudo apavorado. Acordando subitamente no quarto escuro, veio o alívio. Era apenas um pesadelo. Na manhã seguinte, a árvore caída denunciava que não tinha sido um sonho; e um misterioso buraco negro que surgira no lugar era o início de problemas muito mais sérios do que se poderia prever. A passagem da infância para a adolescência é justamente um dos períodos mais traumáticos da vida, com todas as incertezas, dúvidas e transformações que experimentamos. È nesta época que passamos a destruir mitos e fantasias, enfrentando os elementos constitutivos dos medos infantis para tentarmos entrar num mundo que ainda não nos pertence. E é justamente sobre isto que fala "O Portão". Tendo como elemento narrativo a descoberta de um portão que serviria de passagem para o universo dos "Velhos Deuses" ( talvez uma citação velada ao mito de Chutulhu, do escritor H. P. Lovecraft), a história é justamente sobre a perda da inocência e a necessidade de enfrentar os medos que todos já tivemos um dia, desde os sobrenaturais (medo do escuro, de descer ao porão, o monstro debaixo da cama ou dentro do armário, as histórias que nos contavam) até os mais reais (medo de ser abandonado, de perder os pais, da morte do bichinho de estimação). Com um sacrifício o portão se abriria. E, inadvertidamente, foi o que aconteceu. Um ritual de magia negra disfarçado numa festa de adolescentes, sangue e um corpo foram necessários para abrir a porta para o inferno. No entanto, para que o portão permitisse a passagem do mais antigo dos Deuses - Demônios, ainda era necessário dois sacrifícios humanos. No começo ainda sutil, a influência maligna do portão começa a se espalhar. As mariposas nunca foram tão numerosas (não é a primeira vez que mariposas servem de mediadores do sobrenatural, como vemos em "Amytiville" e "Do Além", ) e estranhos barulhos são ouvidos atrás das paredes. Em pouco tempo a noite cai, e com ela os pesadelos ganham vida. Uma garra sai debaixo da cama para puxar o pé da irmã de Glenn, o fantasma de um emparedado ameaça o seu amigo, arrastando - o para o inferno e conseguindo o primeiro dos sacrifícios necessários. Dirigido pelo competente Tibor Takacs, "O Portão" é um filme de horror de qualidade superior não só dentro do gênero, mas no cinema como um todo. Infelizmente Takacs não conseguiu repetir o êxito inicial, mesmo havendo outras investidas no território do horror fantástico. "Prefácio Da Morte" é o seu segundo melhor trabalho, ainda com a veia inspirada para uma história muito mais violenta que brinca nos limites da realidade e da imaginação. De qualidade muito inferior, reduzido a mero "filme de efeitos especiais" Takacs dirigiu também "O Portão II" e "Rats". O portão é um rito de passagem. Ao enfrentar os demônios que de lá saíram, Glenn está enfrentando seus próprios demônios inclusive a sua mão esquerda possuída, num duelo já antes mostrado em "Doutor Fantástico", "Evil Dead II" e por que não dizer o Um Anel de Frodo ao fim de "O Retorno do Rei"? E é diante do portão que Glenn deve se agarrar à sua única arma para enfrentar o Demônio em páreo de igualdade - a única arma que a sua inocência realmente acreditava que funcionaria. No fim, vemos que "O Portão" é um conto - de - fadas às avessas, pois todo o horror subliminar dos contos de Perrault e dos irmãos Grimm está em franca evidência, camuflando o processo de amadurecimento dos personagens e a poesia que é esta transição. HISTÓRIA: GORE: EFEITOS: DIVERSÃO: Eduardo Moniz Vianna |