ANO DE LANÇAMENTO
1987 (EUA)
DIRETOR

Paul Verhoeven

ELENCO
Peter Weller
Nancy Allen
Dan O'Herlihy
Ronny Cox
Kurtwood Smith
Miguel Ferrer
Robert DoQui
ROTEIRO

Edward Neumeier
Michael Miner

PRODUÇÃO

Arne Schmidt

FOTOGRAFIA

Sol Negrin
Jost Vacano

EDIÇÃO

Frank J. Urioste

LANÇAMENTO NOS EUA:

17 de julho de 1987

DISTRIBUIDORA:

CIC Vídeo

ROBOCOP - O POLICIAL DO FUTURO
(Robocop)


Depois de mortalmente ferido durante cerco a marginais, policial é transformado num misto de máquina e homem a serviço da justiça. É quando tem de enfrentar uma gangue disposta a dominar a cidade, sob a custódia legal de poderoso executivo.

CRÍTICAS

Adianto que eu adoro o personagem ROBOCOP e confesso que não estou sendo (até porque não consigo ser) imparcial nessa crítica de Robocop - O Policial do Futuro, pois essa série foi tão importante pra mim que mesmo com suas palhaçadas nas partes 2 e 3, gosto de todos assim mesmo.

Robocop é a história de Alex Murphy (o excelente Peter Weller, meio injustiçado hoje em dia), um policial recém transferido para a parte mais pesada da cidade de Detroit, em um futuro não tão distante. Ele se torna parceiro da policial Anne Lewis (Nancy Allen, outra que sumiu) e no mesmo dia que é transferido sofre uma emboscada que mudará sua vida para sempre. Dirigido pelo excepcional Paul Verhoeven - de filmes como Instinto Selvagem, Tropas Estrelares e O Vingador do Futuro só pra citar alguns - Robocop é o melhor exemplar da série que descamba a partir da parte 2, tudo culpa de um bando de executivos engravatados.

Verhoeven acerta ao nunca dizer em que ano se passa o filme, sempre fazendo questão de mostrar que é um futuro 'não tão distante'. E a semelhança com nossa realidade nos faz ainda ter mais medo (se não já o temos). É nesse mundo caótico controlado por transnacionais como a OCP; onde a polícia não tem verbas, policiais morrem como moscas e bandidos andam à solta (Ei, notaram a semelhança?) que o policial Alex Murphy se torna mais uma vítima. Após o roubo de um carro-forte pela quadrilha de Clarence Boddicker (Kurtwood Smith), Murphy e Lewis decidem encurralá-los em uma fábrica abandonada sem esperar ao menos pelos reforços.

Não dá outra, Lewis é nocauteada por um capanga e Murphy é executado de um dos modos mais frios e violentos já vistos na história do Cinema! Cercado pelos capangas de Boddicker e pelo próprio, Murphy começa levando um tiro de escopeta na mão direita que a explode totalmente! E o diretor Verhoeven faz questão de mostrar tudo isso explicitamente. A partir daí, Murphy é executado com vários tiros de armas de vários calibres, que o fazem até ter o braço direito arrancado. Boddicker, um dos vilões mais fdps da história do Cinema (aquele tipo que faz você ter vontade de invadir a tela e matá-lo com suas próprias mãos), finaliza dando um tiro na cabeça de Murphy! E pior, Lewis que havia se recuperado assiste ao massacre do amigo sem poder fazer nada com perigo de ser encontrada e morta pelos assassinos.

Como disse, Verhoeven faz questão de mostrar tudo tintim por tintim, fazendo que a cena seja uma das mais violentas, angustiantes e revoltantes da história do Cinema. Qualquer espectador por mais frio que seja terá pena de Murphy, mesmo não o conhecendo direito até então. O triste é constatar que no mundo real, coisas assim ou piores acontecem com pessoas no dia-a-dia como se fosse a coisa mais normal do mundo, transformando-as em meras estatísticas nos jornais. E Murphy seria mais uma estatística se não fosse um projeto da organização OCP, a transnacional do filme que controla até a polícia da cidade.

A tal da OCP tem como vice-presidente Dick Jones (Ronny Cox), um cara sem escrúpulos e que mantém ligações com o crime organizado, inclusive Boddicker! O presidente da OCP (Dan O'Herlihy, falecido em fevereiro de 2005), creditado no filme apenas como "The Old Man" (O cara velho) está descontente com os projetos recentes de Dick Jones para o "policial perfeito", um policial totalmente robótico que finalmente poria fim ao caos reinante de Detroit. Dick apresenta a mais nova invenção, o ED-209 um incompetente e burro robô gigante que chega a fuzilar um dos assessores da empresa em plena reunião!

Aproveitando-se da brecha do fracasso da invenção, um puxa-saco em ascensão Bob Morton (o ótimo Miguel Ferrer especializado em papéis de vilão e muito atuante em séries de TV) resolve levar adiante o projeto ROBOCOP que guardava a sete chaves. Com o "sim" do grande chefe e a ira adquirida de Dick Jones, Morton leva seu projeto adiante. A idéia era juntar carne e máquina, mas para isso precisavam de uma cobaia. E que tal Alex Murphy, o presunto mais recente de Detroit?

O espectador acompanha o resgate de Murphy na fábrica até sua suposta morte. Após uma breve "tela escura", passamos a ver tudo em primeira pessoa sem saber o que de fato acontece. Uma grande sacada de Verhoeven que faz crescer o suspense em torno do visual do herói e do que realmente está acontecendo. Não que o visual dele seja uma novidade, já que foi intensamente explorado nos trailers e cartazes da época.

Nem é preciso dizer que o Robocop vira um sucesso e seu "criador", Bob Morton, é alçado à cadeira de vice-presidente da empresa fazendo que Dick Jones seja rebaixado deixando-o possesso. Não demora para Jones armar uma incriminação pra cima de Robocop. Atacado por toda a polícia de Detroit, Robocop junto com sua fiel parceira Lewis fogem para uma fábrica abandonada e armam sua vingança pessoal pra cima da gangue de Boddicker e para o próprio Jones.

Ao longo de tudo isso, Murphy finalmente descobre quem realmente é. Mesmo em seu cérebro 'reprogramado' recebe flashes de sua vida 'passada' como Alex Murphy. Outro fato interessante explorado pelo diretor é o das lembranças serem todas em primeira pessoa (nós vemos através dos olhos de Murphy), pois é assim mesmo que nos lembramos das situações na vida real, bem diferente do que aparece na maioria dos filmes. Além disso, Verhoeven insere durante o filme, cenas de telejornais e comerciais de tevê, assim como Frank Miller fez na mini-série para quadrinhos BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS. Aliás, Verhoeven sempre admitiu que "pegou" esse estilo da HQ de Miller, e curiosamente o próprio Miller foi chamado para roteirizar as aventuras seguintes do policial do futuro nas telonas. Isso rendeu uma grande polêmica, pois Miller reclamava e muito da interferência dos produtores em seus roteiros sempre os amenizando. Miller ficou tão 'p' da vida que nunca mais quis saber de escrever pra Cinema. Fato que só reconsiderou agora junto com Robert Rodriguez em "Sin City" ·

A vingança de Murphy contra seus assassinos e contra o maquiavélico Dick Jones é o momento mais emocionante do longa. É na seqüência final que Verhoeven mostra todo seu lado sádico e honesto com o público ao despachar das maneiras mais violentas os vilões. Até então o público passou a adorar Murphy e sentir pena de toda sua situação e agora nós só queremos ver Murphy dar cabo dos infelizes que o desgraçaram! Duas das seqüências mais violentas são a morte de um capanga num tonel de produtos químicos e outra é a morte do próprio Boddicker. O tal capanga com a intenção de atropelar Robocop entra com um furgão num tonel de produtos químicos fazendo que toda sua pele derreta dando a ele um a aparência monstruosa. Não demora muito até Boddicker por acidente atropelá-lo de um modo violentíssimo praticamente esquartejando o sujeito. Digam-me, quem nunca já gravou Robocop na TV e ficava pausando nessa cena pra ver a cabeça do sujeito voando por cima do pára-brisa..ehhee. Já Boddicker morre da pior forma, Robocop fura seu pescoço com um espeto em sua mão que tem a utilidade de ler dados de computadores. Jatos de sangue espirram por todo lugar!

Engraçado é ver os filmes de ação de hoje em dia e constatar como o cinema hollywoodiano se acovardou. Em busca de lucro optou-se por não mostrar a violência que em alguns casos (como em Robocop) é extremamente necessária à trama e não uma coisa gratuita. E o mais engraçado é que na minha infância eu não parava de ver filmes muito violentos e quando fui rever Robocop em DVD recentemente, quase tomei um susto com a violência, pois parece que eu me acostumei com esses filmecos policiais de hoje em dia...

Outra coisa interessante são os comentários de Paul Verhoeven nos extras e em sites na internet sobre o filme. Ele diz que o filme é sobre a força da alma humana, que no fim de tudo a alma humana supera qualquer coisa, inclusive o corpo físico. Verhoeven diz também que a cena do massacre de Murphy é uma alusão à morte de Jesus Cristo! Sério! Jesus tem suas mãos pregadas, Murphy perde uma mão (e reparem que antes de perdê-la ele está em posição de crucificado no chão) entre outras coisas. E mais, segundo Verhoeven quando Jesus ressuscita, ele fica diferente, assim mesmo como Murphy ao "ressuscitar" como Robocop.

E há mais coisas interessantes como o fato de Verhoeven ter que mudar o final do filme. O que seria inicialmente Murphy patrulhando a cidade em seu carro, se transformou num corte abrupto logo depois que "O cara velho" pergunta: "Qual o seu nome filho?" E o herói dispara com um sorriso: "Murphy". Foi decidido terminar o filme aí, porque antes mesmo do ator Peter Weller dizer sua fala, a platéia da exibição teste do filme gritou em polvorosa: "Murphyyyyyyyyyy!!!" E não prestaram mais atenção depois disso! Sem contar ainda que o filme apresenta a trilha excepcional de Basil Poledouris que fez dentre outras coisas a trilha de Conan- O Bárbaro. O Tema de Robocop é tão marcante que é impossível você não ficar cantarolando ou voltar o DVD só pra ver os créditos novamente.

Recentemente a trilogia Robocop foi lançada em DVD e para os cinéfilos saudosos como eu traz junto a dublagem brasileira, a mesma da tv Globo. O importante é comprar o DVD pra ter pra sempre esse pequeno clássico da ficção-científica e ação. Um exemplo de filme que não se faz mais hoje em dia, infelizmente.

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Bruno C.Martino