SOMBRA DA MORTE
(Destroyer)
Diretor de cinema escolhe como cenário de seu novo filme um presídio que foi abandonado após a uma rebelião de presos, em que um sádico assassino foi morto. Durante as filmagens, porém, nova onda de crimes volta a ocorrer, aterrorizando a equipe técnica e os atores.
CRÍTICAS
Um ótimo antídoto para esquecer abobrinhas como FREDDY VERSUS JASON é procurar os velhos e bons slasher movies feitos nos anos 80. Apesar do gênero não ter grandes novidades (afinal, a maior atração são as mortes de tempos em tempos), naquela época os filmes se levavam surpreendentemente a sério (e inclusive os da série SEXTA-FEIRA 13), muito ao contrário de hoje em dia, onde slasher é sinônimo de gozação ou piada, e os filmes do sub-gênero acabam descambando para a paródia assumida (vide o já citado FREDDY VERSUS JASON, a série PÂNICO, JASON X, etc etc.). Pois SOMBRA DA MORTE ("Shadow of Death" aka "Destroyer", lançado no Brasil pela extinta Look Vídeo) foi feito em 1988, quando os slasher movies começavam a dar sinais de desgaste. Eram feitos muitos filmes neste estilo por ano, e ao mesmo tempo o próprio gênero terror começava a definhar.
Não espera muitas novidades na história ou na forma de contá-la: basicamente, temos um serial killer completamente alucinado, com sede de sangue, perseguindo suas pobres vítimas pelos corredores de uma penitenciária abandonada. Mas vamos aos detalhes da história: um enorme e selvagem psicopata chamado Ivan Moser, que "violentou e matou" 23 homens, mulheres e crianças (ou 24, como o próprio criminoso corrige ao ser acusado dos crimes), está para ser executado na cadeira elétrica. Mas algo dá errado e ele não morre, iniciando um motim que destrói o presídio e deixa centenas de mortos.
Dezoito meses depois, uma decadente equipe de filmagem consegue alugar a velha cadeia como cenário para as filmagens de "Death House Dolls" (algo como "As Gatinhas da Casa da Morte"), um exploitation movie sobre mulheres na prisão; de fato, muitos filmes deste gênero também eram lançados nos anos 80. A equipe é liderada pelo cineasta Robert Edwards (interpretado pelo veterano Anthony Perkins, o Norman Bates do clássico PSICOSE, aqui em um papel "normal"), tendo como atriz principal uma estrela decadente, Sharon Fox (Lannie Garrett), cheia de frescuras, e que só está fazendo o filme porque precisa de dinheiro. Mais ou menos como muitos astros da vida real, que acabaram fazendo slasher movies apenas por dinheiro, tipo Betsy Palmer, a mãe de Jason no SEXTA-FEIRA 13 original.
Também integram o grupo o roteirista David Harris e a dublê Susan Malone, que são namorados. O casal é interpretado por Clayton Rohner e Deborah Foreman, que dois anos antes, em 1986, participaram juntos de outro famoso slasher, A NOITE DAS BRINCADEIRAS MORTAIS. Há ainda o técnico em efeitos especiais Rewire (Jim Turner) e outros personagens dispensáveis. Depois de várias cenas divertidas mostrando os bastidores das filmagens de uma produção classe B (será uma forma de auto-crítica do próprio diretor, que trabalha com um orçamento reduzido?), a equipe de filmagem descobre que Ivan Moser não só sobreviveu aos 3 mil volts da cadeira elétrica, como ainda circula pelo presídio, matando os atores e a equipe técnica um a um.
A grande sacada de SOMBRA DA MORTE é trocar os adolescentes bobalhões comuns neste tipo de filme por adultos que ainda por cima estão envolvidos na indústria do cinema, e, por isso mesmo, são céticos quanto às coisas estranhas que começam a acontecer dentro da velha prisão. Outro mérito do diretor Robert Kirk (este é seu único filme de maior projeção) é contornar todos os clichês possíveis e imagináveis dentro deste sub-gênero! Por exemplo: em uma cena, dois personagens têm que descer ao escuro porão para checar um problema na instalação elétrica... e eles não morrem, como era de se esperar! Em outra, a equipe de filmagens vai até a cidade, mas o carro de dois "heróis" apresenta problemas. Você logo pensa: "Agora eles vão ficar ali na velha cadeia e serão perseguidos pelo assassino". Que nada: logo aparece alguém e dá carona! E ainda: a mocinha usa um walkie-talkie para se comunicar com um dos companheiros e ele aparece pendurado pelo pescoço. Morto? Que nada! Vivo e testando os efeitos especiais da cena da forca! hehehehe. Pequenas surpresas como estas deixam o espectador mais animado em ver pela milésima vez a mesma e batida história do assassino perseguindo vítimas indefesas.
E que assassino! Onde a maioria dos slasher movies falha, este acerta. Tudo bem que o Ivan Moser de SOMBRA DA MORTE não usa máscara nem tem pacto com o demo. Por outro lado, trata-se de um selvagem demente com 1,90m de altura e 150 quilos, interpretado pelo ex-jogador de futebol americano Lyle Alzado (que morreu em 1992 de câncer cerebral, talvez por ele o usar muito pouco). O cara é um verdadeiro animal, que praticamente despedaça as vítimas com as mãos. A cena em que ele agarra o roteirista Harris e quebra ele a pau é tão realista que fico imaginando se o ator não foi moído na porrada mesmo! Com a presença de tal criatura, é óbvio que há uma boa dose de violência, essencial neste tipo de filme. A melhor cena é aquela em que um policial é demolido com um britador. Como este é um slasher movie, também tem nudez gratuita. Ironicamente, isso acontece num momento onde a equipe está produzindo uma cena de banho do seu "filme" - chega a ser engraçado ver Perkins como diretor de um assassinato no chuveiro, logo ele que, como Norman Bates, foi o precursor de todos os crimes cometidos ali, hehehehe.
E também há, claro, o tradicional "susto final", meio copiado do primeiro SEXTA-FEIRA 13, mas ainda assim bem realizado. Citações ao próprio cinema de horror são freqüentes e ajudam a tornar o filme ainda mais divertido - como quando Rewire diz a Harris: "Já pensou se esse tal de Ivan Moser não morre, como aquele cara do HALLOWEEN?". Existem, logicamente, dezenas de furos de roteiro (por que um serial killer com sede de sangue ficaria 18 meses vivendo dentro de um velho presídio deserto, ao invés de sair pelas redondezas em busca de vítimas? E como ele se alimentava neste período?). Mas não é nada que atrapalhe a diversão. Esqueça as bobagens que fazem hoje em dia e divirta-se com um verdadeiro e típico slasher movie de uma época onde os filmes eram menos ambiciosos e mais divertidos, sem tantos efeitos especiais e pretensão. Bons tempos que não voltam mais...
HISTÓRIA: 

GORE: 

EFEITOS: 

DIVERSÃO: 


Felipe M.Guerra