ANO DE LANÇAMENTO
2005 (Coréia)
DIRETOR

Yong-gyun Kim

ELENCO
Kim Hye-su
Kim Seong-su
Park Yeoh-ah
Eol Lee
ROTEIRO

Yong-gyun Kim
Ma Sang-Ryeol
Hans Christian Andersen (conto)

PRODUÇÃO

Shin Changgil
Kwang-su Kim

MÚSICA

Byung-woo Lee

LANÇAMENTO NO BRASIL:

Julho de 2007 (DVD)

DISTRIBUIDORA:

EUROPA FILMES

SAPATOS VERMELHOS
(Bunhongsin)


Produção que tem os elementos certos para causar bons sustos. Conta a história de uma série de personagens que tem a vida completamente modificada, depois que encontram um par de sapatos vermelhos perdido no metrô. Cada um deles tem um destino diferente. Entre os personagens estão: uma mulher que teve o marido atacado por fantasmas depois que encontrou os sapatos, e um decorador que está decidido a descobrir qual o segredo que o objeto esconde.

CRÍTICAS

atenção: o texto contém spoilers, detalhes sobre o filme e o final!

Filme sul-coreano lançado em 30 de junho de 2005. Trata-se de uma adaptação de um conto do escritor alemão Hans Christian Andersen feita pelo diretor Yong-gyun Kim, que dirigiu anteriormente “Wanee and Junha”, em 2001. O que possibilitou a sua chegada ao circuito brasileiro foi à onda de filmes de horror asiático que varre o Ocidente atualmente. Faz parte de um “subgênero” denominado K-Horror (Korean Horror), ou seja, filmes de horror feitos na Coréia. Diferente dos filmes de J-Horror (Japanese Horror – como Ringu e o Grito), que se preocupam mais em trazerem cenas que mostram a fúria dos espíritos e suas diversas manifestações com detalhes, os filmes coreanos mostram mais cenas rotineiras das personagens, suas angústias, sofrimentos - como se as aparições e os tormentos causados pelos espíritos fossem uma complementação do ambiente caótico que já viviam. “Sapatos Vermelhos” não foge a essa “regra”: se tirarmos a parte do sobrenatural, o que sobra é uma série de conflitos entre as personagens que já existiam antes mesmo do surgimento dos sapatos possuídos.



O filme inicia-se com um par de sapatos COR DE ROSA numa estação do metrô... Espera aí um pouco? Como assim rosa? Sim, não estou ficando louca, os sapatos não são vermelhos, mas rosa!! Eu até pensei que tivesse sido erro da parte de tradução, mas uma amiga minha que fala coreano disse que a tradução está certa... Eis que surge um dilema: o diretor é daltônico? Retardado? Ou tinha um orçamento muito pequeno? Comprou os sapatos num brechó e ficou com medo de estragá-los ao pintar de vermelho?

Duas amigas começam a se estapear para ver quem ficaria com aqueles “maravilhosos” sapatos “vermelhos” - a que ganha a briga calça o sapato, que, por mais incrível que pareça, serve perfeitamente em seus pés. Começa a andar na plataforma vazia, desfilando aqueles pares de sapatos, quando começam a ouvir passos atrás. Aqui temos um clichê básico de muitos filmes de terror/suspense: ela olha e não tem ninguém seguindo-a. A estudante resolve continuar andando quando ouve novamente os passos. Ela pára e é atacada, misteriosamente - o expectador não consegue ver o que a ataca, mas vemos o resultado: ela caída no chão com as pernas decepadas do joelho para baixo.

O filme dá um salto (sem trocadilhos) e somos apresentados à família de Sun-jae (Hye-su Kim): uma jovem que é calada, seu marido que diariamente a maltrata e sua filha Tae-su (Yeon-ah Park), que possui o sonho de se tornar bailarina. Sun-jae está voltando para casa de metrô, quando encontra dentro do vagão aquele par de sapatos “vermelhos”. Ela, imbuída de um desejo incontrolável, pega-os, colocando-os em sua bolsa.



Sun-jae em casa calça os sapatos que servem perfeitamente em seus pés. Ai eu me pergunto: esses sapatos são flexíveis? Devem possuir uma tecnologia super avançada que, com exceção da pequena Tae-su, todas as mulheres que usam os sapatos servem perfeitamente. Seria ridículo pensar que todas calçariam o mesmo número, já que são pessoas de idades e portes físicos diferentes, mas mesmo assim eles servem perfeitamente... É como dizem... Tecnologia asiática é realmente de ponta, mesmo que os sapatos tenham surgido no começo do século passado.



A relação entre Sun-jae e Tae-su começa a ficar cada vez mais instável, pois a menina vive perguntando do pai e disputa ainda com a mãe a posse dos sapatos. Até uma amiga da mãe, uma médica oftalmologista entra na disputa. Ela rouba o sapato e sai andando pela rua, claro que vazia e lógico que escura, quando começa a ouvir passos.

Essa cena é ridícula. A médica pára na frente de uma loja e de repente é suspendida no ar... sim, imagine a cena de uma médica de meia idade, gordinha, suspendida no ar e com aqueles sapatos vermelhos se debatendo? De repente arrancam o olho dela. A médica é arremessada contra a vitrine da loja e tem as duas pernas decepadas pelos vidros da loja. Sun-jae é chamada para reconhecer o corpo da amiga, e ao chegar a casa fica assustada ao ver o par de sapatos na mão de sua filha. Eis que surge uma velha meio corcunda, que fica assustada ao ver o par de sapatos na mão de Sun-jae, que estava tentando jogá-los fora. Ao perceber o medo nos olhos da velha começa a interrogá-la para saber a verdade sobre a origem do sapato. Temos um flash back no filme aonde temos alguns segredos desvendados...

Tae-su está cada vez mais obcecada pelos sapatos, pois quando estão em seu poder ela dança melhor nas aulas de ballet... será que não seria melhor dizer possuída? Em decorrência disso as brigas entre mãe e filha estão cada vez pior. Sun-jae bate em Tae-su, que foge até chegar ao metrô, momento em que temos uma grande revelação - que nos deixa com inúmeras questões a serem respondidas: fora a cena em que vemos o arquiteto morto, suspenso com o salto de um sapato azul enfiado no olho, como um salto normal poderia atravessar o crânio de uma pessoa, e ainda prender na parede o cara que deveria pesar pelo menos uns 80 kilos...? Será que o salto tinha uns 50 centímetros? Era feita de Adamantium? Agora vamos à outra questão: como uma navalha poderia cortar os ossos da perna da estudante do inicio do filme de uma maneira tão rápida? Era feita do mesmo material das facas Ginsus? Lembra? Aquela que cortava um cano de metal e um tomate com a mesma facilidade? Essas questões deverão entrar para aquele departamento de “mistérios inexplicáveis do Universo”.

O filme propõe uma temática interessante, pois durante o filme inteiro, não conseguimos entender se o espírito quer possuir para se vingar ou para dançar novamente. Seriam as duas coisas ao mesmo tempo? Mas vale a pena assistir, dá para levar alguns sustos - acompanharmos mais um espírito que anda de quatro - e dar algumas risadas. Pois não devemos esquecer que quando assistimos a esses filmes estamos diante de um horror que é baseado na cultura local, e em muitas lendas que não conhecemos.

Andrea Ribeiro