Subterano ANO: 2002 PAÍS: Alemanha DURAÇÃO: 96 minutos DISTRIBUIDORA: Universal DIREÇÃO: Esben Storm ELENCO: Alex Dimitriades, Tasma Walton, Alison Whyte, Kate Sherman CARACTERÍSTICAS: Colorido; Legendado/Dublado SINOPSE: Num futuro muito distante, Conrad, um prisioneiro condenadoa morte, escapa da polícia no caminho de sua execução, sem saber que entrará numa situação ainda mais assustadora do que a própria morte. Com a ajuda de sua ex-namorada Stone, ele foge até de um enorme estacionamento subterrâneo. Alí, porém, o casal e nove outras pessoas envolvem-se involuntariamente num jogo virtual, no qual robôs de brinquedo são controlados a distância por um gênio do mal, que passa a ditar as regras e exige que o grupo permaneça unido caso não queira morrer. CRÍTICAS: Nove pessoas são presas em um estacionamento subterrâneo, onde participam de um jogo de realidade virtual coordenado por um misterioso inimigo. Um único detalhe: quando os "jogadores" morrem no jogo, morrem também na vida real. Assim é SUBTERRÂNEO, produção germanico-australiana de 2002 que engloba elementos de diversos filmes, de CUBO (os personagens presos em um ambiente claustrofóbico por um inimigo desconhecido) a O PASSAGEIRO DO FUTURO. Cita, ainda, um dos episódios do filme PESADELOS DIABÓLICOS, onde um jovem Emilio Estevez enfrentava um jogo em realidade virtual criado por uma máquina diabólica. A história se passa em um futuro não-identificado, onde a humanidade, só para variar, "evoluiu" para a típica sociedade facista, como a do livro 1984, de George Orwell, onde os cidadãos são controlados pelo governo e bombardeados por notícias e informações manipuladas. Neste universo, Conrad (Alex Dimitriades), aparentemente um "perigoso terrorista", consegue escapar do comboio militar que o escolta até sua execução - que será transmitida ao vivo para todo o país. Ele encontra Grace Stone (Tasma Walton), a antiga namorada que o entregou à polícia, e juntos vão parar no estacionamento da indústria de jogos Embo. Outros personagens se encontram no local: um funcionário antigo que acabou de ser demitido pelo seu alcoolismo, uma chefe de segurança paranóica, o irritante guarda do estacionamento e quatro adolescentes convidados por um amigo para conhecer um "novo jogo". Quando todos se reúnem, as saídas do estacionamento são trancadas, o elevador pára de funcionar, as linhas telefônicas são cortadas e o tal jogo começa. O primeiro a ir para o saco é o guarda do estacionamento, encontrado morto com um dos olhos furados - felizmente, porque era o personagem mais irritante, e olha que ele só aparece em cena durante um minuto! Inicialmente, sem saber o que está acontecendo, os outros participantes começam a trocar acusações, culpando-se pelo assassinato. Inicia um clima de paranóia, com as pessoas separando-se em "grupinhos". E então o jogo começa. Alguns começam a desaparecer misteriosamente. Outros são achadas mortos. E estranhos brinquedos eletrônicos aparecem, atacando ou ameaçando os sobreviventes. É quando um dos jovens, viciado em fliperama, começa a ligar os fatos: eles estão dentro de uma versão "live action" de SUBTERRÂNEO, o mais famoso jogo eletrônico da atualidade (coincidentemente criado pela própria indústria Embo), onde existem diferentes níveis subterrâneos que os participantes devem vencer, sempre combatendo os brinquedos mortais do maligno EmboMan (que seria o "último chefe" do jogo). O grupo então resolve se unir para sobreviver aos níveis do "jogo", mas novamente conflitos entre os próprios participantes acabam tornando mais dramática a situação, fazendo com que eles lutem uns contra os outros ao invés de somar forças para combater os inimigos virtuais. SUBTERRÂNEO promete muito, mas acaba cumprindo pouco. O principal mérito é utilizar um único cenário (o escuro estacionamento subterrâneo) e mesmo assim manter a atenção do espectador, como fez anteriormente o genial CUBO. Entretanto, ao contrário do cult movie canadense, SUBTERRÂNEO peca justamente no desenvolvimento das situações de perigo e dos inimigos. Os brinquedos virtuais que exterminam os personagens são bobos, ridículos até, e aparecem apenas de relance - na verdade, é quase inacreditável que aquelas tralhas matem alguém. Algumas cenas são francamente ridículas, como a perseguição de um automóvel, onde os heróis estão, por carrinhos de brinquedo com explosivos! E o tal chefão final, o EmboMan, também deixa a desejar, deslizando sobre patins e com um visual à la Power Rangers - frustrante para quem ouviu a voz sinistra do vilão durante todo o filme só para perceber que era "apenas" aquilo. O filme vale por algumas cenas, tipo a vítima que tem os pés cortados por um dos brinquedinhos (e as pernas vão lentamente "desgrudando" dos pés decepados). Mas as outras mortes são frustrantes. A maioria acontece "off-screen" (e os cadáveres nem aparecem). Outras cenas testam a inteligência do espectador, como dois personagens que sofrem queimaduras de terceiro grau, no rosto e nos braços, e nem ao menos saem gritando de dor, andando e lutando como se nada tivesse acontecido. O roteiro às vezes perde tempo demais com detalhes sobre o mundo futurista em que os personagens vivem, enrolando ao tratar de revoluções, da propaganda mentirosa veiculada pela imprensa e de um suposto refúgio para os rebeldes nas montanhas. Não que estes detalhes realmente tenham importância no contexto da trama - o espectador acaba nem ligando se o filme se passa no futuro, no presente ou no passado. O que todo mundo quer saber é o que, afinal, está fazendo aquele jogo mortal com os personagens (e porque com eles). Mas isso nem fica bem explicado no final - pelo menos não os motivos do "vilão". Tudo bem que o filme consegue manter a atenção até a conclusão, e tem bons efeitos e movimentos de câmera, considerando que é produção de baixo orçamento. O diretor dinamarquês Esben Storm mostra certa técnica, inclusive tirando boas interpretações do ótimo, mas desconhecido elenco. Entretanto, no final fica aquela sensação de perda de tempo e de que não se viu nada de muito fantástico. Uma idéia interessante que poderia ser muito melhor trabalhada. Como sugestão, cito o filme ARCADE, produção classe B de Charles Band, dirigida por Albert Pyun em 1993. Neste filme, os personagens são "sugados" para dentro de um moderno jogo de fliperama, onde os inimigos também são "brinquedinhos" futurísticos de design engraçado. Tudo bem que os efeitos de computação gráfica hoje são jurássicos (tem mais de 10 anos), mas o filme é mais interessante que este SUBTERRÂNEO. COTAÇÃO: Felipe M.Guerra |