ANO DE LANÇAMENTO
1988 (Itália)
DIRETOR

Claudio Fragasso

ELENCO
Jeff Stryker
Candice Daly
Massimo Vanni
Jim Gaines
Don Wilson
Adrianne Joseph
Jim Moss
ROTEIRO

Rossella Drudi

PRODUÇÃO

Franco Gaudenzi

FOTOGRAFIA

Luigi Ciccarese

LANÇAMENTO NOS EUA:

26 de novembro de 2002

DISTRIBUIDORA:

Lloyds Home Video

TERCEIRA PORTA DO INFERNO, A
(After Death)


Na tentativa de prolongar a vida humana, um grupo de cientistas e pesquisadores realiza uma série de experiências em uma ilha remota, utilizando nativos da região. Mas os nativos e seus líderes se rebelam e libertam forças malignas que transformam os habitantes da ilha em zumbis.

CRÍTICAS

Quando Lucio Fulci lançou o seminal Zombie (Zombi 2) em 1979 aproveitando o sucesso de Despertar dos Mortos (lançado na Itália como Zombi), não tinha idéia do filão que havia criado: “os zumbis carcamanos”. Como na Itália não há direitos autorais sobre títulos de filmes qualquer porcaria passou a levar o nome Zombie só para faturar uns trocados. Zombie Holocaust, Noites de Terror e outros viraram Zombie 3, este “A 3ª Porta do Inferno” virou Zombie 4 e teve até outros filmes que viraram Zombie 5 e até Zombie 6!

Originalmente chamado de “Oltre La Morte” e de “After Death” (seu nome original para o mercado americano), esse filme com F maiúsculo (de “fracasso”, claro!) foi dirigido pelo estreante Clyde Anderson, mas é claro que você como leitor bem informado do Boca do Inferno vai se lembrar que Clyde Anderson é um dos pseudônimos do insuperável, inigualável, ultra-incompetente Claudio Fragasso, o amigão de Bruno Mattei! Então você já sabe que o que está por vir é mais um grande exemplo de idiotices, furos de roteiro e situações ridículas que só poderiam vir da mente do grande Claudio!

O filme começa em uma espécie de catacumba, onde um sacerdote vodu tenta se vingar fazendo mortos ressurgir já que um bando de médicos gringos deixou sua esposa morrer. Perseguido pelos tais cientistas, o tal sacerdote libera o mal que surge na forma de uma zumbi negra que lembra muito os demônios de “Demons” de Lamberto Bava, que despacha os cientistas.

O filme corta depois para uma floresta onde um cientista, sua esposa e sua filhinha escapam dos zumbis maratonistas. Os travellings acompanhando a fuga do doutor e sua família até que são bem realizados e a bela locação ajuda. A única sobrevivente acaba sendo a tal menininha de uns 5 anos de idade que de alguma maneira inexplicável conseguiu fugir sozinha da ilha sabe-se lá como! Um salto no tempo e temos as vítimas, digo, heróis do filme. Na verdade são um bando de mercenários/metaleiros que estão andando de lancha pelas bandas da tal ilha e adivinhem quem está com eles? A tal menininha que agora, crescida e com cara de boazinha, sabe-se lá o que está fazendo com um bando de caras assim. Eles são: Tommy (Don Wilson, que já foi confundido com o lutador Don “The Dragon” Wilson, mas não se trata dele), Dan (Jim Gaines), Louise (Adrianne Joseph), o barbudo Rod (Nick Nicholson) e o sósia do Fred Mercury, Mad (Jim Moss) além da tal menininha agora crescida Jenny (Candice Daly, que morreu em 2004). Claro que a lancha deles pifa por alguma força do destino e são obrigados a desembarcar na tal ilha.

Enquanto procuram ajuda, Tommy nota que há um zumbi espionando (???) e sai correndo atrás do infeliz. Claro que o zumbi corre e tem inicio uma perseguição até bem filmada, vá lá. Ao finalmente alcançar o zumbi, Tommy resolve ao invés de tirar satisfação e perguntar quem é, simplesmente começa a bater na criatura sem mais nem menos! E ainda o “mata” dando uma pedrada nele! Ou seja o zumbi (que aparentemente nem parecia tal) “morreu” só porque espiava e isso lá é motivo para Tommy matar o sujeito? Mas não dá outra e o zumbi acaba mordendo Tommy, que socorrido pelos amigos é levado para um hospital abandonado. Lá, Rod através daquelas coincidências “fragassianas” acaba encontrando um estoque de armas pesadíssimas e munição à vontade. Jenny por sua vez através dessas mesmas coincidências encontra uma mesa com velas acesas dispostas em um semi-círculo. Claro que o roteiro de Rossela Drudi , esposa de Fragasso (ah tá, é de família!), tem uma explicação pra isso tudo! As velas são o que mantém os zumbis em um estado de dormência, ou o que quer que seja, e se as velas forem apagadas os zumbis irão atacar os vivos! Ou seja as velas ficaram queimando 20 anos sem acabar! E o engraçado é que Jenny se lembra de tudo isso mesmo tendo uns quatro anos na época! Como não há nativos, provavelmente quem acendeu as velas foram os próprios zumbis para colocarem eles mesmos em estado de “dormência”! Toque de gênio!

Claro que na tal ilha tem ainda mais vítimas, ops personagens, os pesquisadores David interpretado por Alex McBride, na verdade Massimo Vanni primo do diretor Enzo G. Castellari e ao que parece amigão de Fragasso e Mattei já que apareceu em Shocking Dark, Robot War e foi até um soldado na tralha Zombie 3; Valerie e ainda Chuck (o astro pornô gay Jeff Stryker creditado como Chuck Peyton). Eles estão à procura do “Livro dos Mortos” e o acham facinho, facinho numa caverna adornada por velas . Lá lêem uma passagem e libertam o mal (hã, mas o mal já não estava desperto?) Bem, vamos ajudar o Fragasso... parece que a leitura da passagem dá um upgrade na maldição e faz com que mais zumbis apareçam. Me deve uma, hein `Fraga`! hehehe

Paralelamente a isso no hospital abandonado, Jenny conta a todos que as velas acesas é que impedem que os zumbis ataquem. Claro que o inteligentíssimo Rod faz o favor de apagar as velas deliberadamente. Eita! Não demora e os zumbis circundam o hospital. O engraçado é que eles não se decidem e ora ficam parados e ora correm sem nenhum motivo. Sem contar o fato que eles usam a mesma roupa! Devem ter um estilista próprio!

Quando tudo parecia perdido, Chuck (que não morreu na caverna após ler o livro) decide compartilhar uma grande descoberta, a de que só se pode matá-los se atirar em suas cabeças. O terceiro ato do filme é um festival de baboseiras com direito a zumbis falantes que conseguem até manusear armas, sem contar imbecilidades dos personagens como a de não aproveitar o fim da noite e fugir de dia. Não, nossos heróis permanecem no hospital até anoitecer novamente! Tem ainda zumbis que pulam janelas, quebram paredes e muitas e muitas baboseiras que não dá nem pra listar! Sem contar que o filme é ótimo para insones porque todas as vezes que eu vi (foram 3) eu invariavelmente dormi, mesmo não estando cansado! O filme até que é violento, tem cabeças explodindo, mordidas e mais. Mas nem todo o sangue do mundo consegue salvar o roteiro da Sra. Fragasso. E ainda pra atrapalhar tem a música-tema “metal farofa” com o vocalista gritando a todo momento: “living after deeeeeeath”. Afe!

Como bem disse um crítico americano: “É quase como um conto-de-fadas o fato de Cláudio Fragasso, um dos piores roteiristas europeus, ter se casado com uma mulher cujo talento pra escrever seja pior que o dele”. Tem mais o que escrever depois desse desabafo do colega? Nem uma linha...

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Bruno C.Martino