TERCEIRA PORTA DO INFERNO, A
(After Death)
Na tentativa de prolongar a vida humana, um grupo de cientistas e pesquisadores realiza uma série de experiências em uma ilha remota, utilizando nativos da região. Mas os nativos e seus líderes se rebelam e libertam forças malignas que transformam os habitantes da ilha em zumbis.
CRÍTICAS
Quando Lucio Fulci lançou o seminal Zombie (Zombi 2) em 1979 aproveitando o sucesso
de Despertar dos Mortos (lançado na Itália como Zombi), não tinha idéia do filão que
havia criado: “os zumbis carcamanos”. Como na Itália não há direitos autorais sobre
títulos de filmes qualquer porcaria passou a levar o nome Zombie só para faturar uns
trocados. Zombie Holocaust, Noites de Terror e outros viraram Zombie 3, este “A 3ª
Porta do Inferno” virou Zombie 4 e teve até outros filmes que viraram Zombie 5 e até
Zombie 6!
Originalmente chamado de “Oltre La Morte” e de “After Death” (seu nome original para
o mercado americano), esse filme com F maiúsculo (de “fracasso”, claro!) foi
dirigido pelo estreante Clyde Anderson, mas é claro que você como leitor bem
informado do Boca do Inferno vai se lembrar que Clyde Anderson é um dos pseudônimos
do insuperável, inigualável, ultra-incompetente Claudio Fragasso, o amigão de Bruno
Mattei! Então você já sabe que o que está por vir é mais um grande exemplo de
idiotices, furos de roteiro e situações ridículas que só poderiam vir da mente do
grande Claudio!
O filme começa em uma espécie de catacumba, onde um sacerdote vodu tenta se vingar
fazendo mortos ressurgir já que um bando de médicos gringos deixou sua esposa
morrer. Perseguido pelos tais cientistas, o tal sacerdote libera o mal que surge na
forma de uma zumbi negra que lembra muito os demônios de “Demons” de Lamberto Bava,
que despacha os cientistas.
O filme corta depois para uma floresta onde um cientista, sua esposa e sua filhinha
escapam dos zumbis maratonistas. Os travellings acompanhando a fuga do doutor e sua
família até que são bem realizados e a bela locação ajuda. A única sobrevivente
acaba sendo a tal menininha de uns 5 anos de idade que de alguma maneira
inexplicável conseguiu fugir sozinha da ilha sabe-se lá como! Um salto no tempo e
temos as vítimas, digo, heróis do filme. Na verdade são um bando de
mercenários/metaleiros que estão andando de lancha pelas bandas da tal ilha e
adivinhem quem está com eles? A tal menininha que agora, crescida e com cara de
boazinha, sabe-se lá o que está fazendo com um bando de caras assim. Eles são: Tommy
(Don Wilson, que já foi confundido com o lutador Don “The Dragon” Wilson, mas não se
trata dele), Dan (Jim Gaines), Louise (Adrianne Joseph), o barbudo Rod (Nick
Nicholson) e o sósia do Fred Mercury, Mad (Jim Moss) além da tal menininha agora
crescida Jenny (Candice Daly,
que morreu em 2004). Claro que a lancha deles pifa por alguma força do destino e
são obrigados a desembarcar na tal ilha.
Enquanto procuram ajuda, Tommy nota que há
um zumbi espionando (???) e sai correndo atrás do infeliz. Claro que o zumbi corre
e tem inicio uma perseguição até bem filmada, vá lá. Ao finalmente alcançar o
zumbi, Tommy resolve ao invés de tirar satisfação e perguntar quem é, simplesmente
começa a bater na criatura sem mais nem menos! E ainda o “mata” dando uma pedrada
nele! Ou seja o zumbi (que aparentemente nem parecia tal) “morreu” só porque
espiava e isso lá é motivo para Tommy matar o sujeito? Mas não dá outra e o zumbi
acaba mordendo Tommy, que socorrido pelos amigos é levado para um hospital
abandonado. Lá, Rod através daquelas coincidências “fragassianas” acaba encontrando
um estoque de armas pesadíssimas e munição à vontade. Jenny por sua vez através
dessas mesmas coincidências encontra uma mesa com velas acesas dispostas em um
semi-círculo. Claro
que o roteiro de Rossela Drudi , esposa de Fragasso (ah tá, é de família!), tem uma
explicação pra isso tudo! As velas são o que mantém os zumbis em um estado de
dormência, ou o que quer que seja, e se as velas forem apagadas os zumbis irão
atacar os vivos! Ou seja as velas ficaram queimando 20 anos sem acabar! E o
engraçado é que Jenny se lembra de tudo isso mesmo tendo uns quatro anos na época!
Como não há nativos, provavelmente quem acendeu as velas foram os próprios zumbis
para colocarem eles mesmos em estado de “dormência”! Toque de gênio!
Claro que na tal ilha tem ainda mais vítimas, ops personagens, os pesquisadores
David interpretado por Alex McBride, na verdade Massimo Vanni primo do diretor Enzo
G. Castellari e ao que parece amigão de Fragasso e Mattei já que apareceu em
Shocking Dark, Robot War e foi até um soldado na tralha Zombie 3; Valerie e ainda
Chuck (o astro pornô gay Jeff Stryker creditado como Chuck Peyton). Eles estão à
procura do “Livro dos Mortos” e o acham facinho, facinho numa caverna adornada por
velas . Lá lêem uma passagem e libertam o mal (hã, mas o mal já não estava
desperto?) Bem, vamos ajudar o Fragasso... parece que a leitura da passagem dá um
upgrade na maldição e faz com que mais zumbis apareçam. Me deve uma, hein `Fraga`!
hehehe
Paralelamente a isso no hospital abandonado, Jenny conta a todos que as velas acesas
é que impedem que os zumbis ataquem. Claro que o inteligentíssimo Rod faz o favor de
apagar as velas deliberadamente. Eita! Não demora e os zumbis circundam o hospital.
O engraçado é que eles não se decidem e ora ficam parados e ora correm sem nenhum
motivo. Sem contar o fato que eles usam a mesma roupa! Devem ter um estilista
próprio!
Quando tudo parecia perdido, Chuck (que não morreu na caverna após ler o
livro) decide compartilhar uma grande descoberta, a de que só se pode matá-los se
atirar em suas cabeças. O terceiro ato do filme é um festival de baboseiras com
direito a zumbis falantes que conseguem até manusear armas, sem contar imbecilidades
dos personagens como a de não aproveitar o fim da noite e fugir de dia. Não, nossos
heróis permanecem no hospital até anoitecer novamente! Tem ainda zumbis que pulam
janelas, quebram paredes e muitas e muitas baboseiras que não dá nem pra
listar! Sem contar que o filme é ótimo para insones porque todas as vezes que eu vi
(foram 3) eu invariavelmente dormi, mesmo não estando cansado! O filme até que é
violento, tem cabeças explodindo, mordidas e mais. Mas nem todo o sangue do mundo
consegue salvar o roteiro da Sra. Fragasso. E ainda pra atrapalhar tem a
música-tema “metal farofa” com o vocalista gritando a todo momento: “living after
deeeeeeath”. Afe!
Como bem disse um crítico americano: “É quase como um conto-de-fadas o fato de
Cláudio Fragasso, um dos piores roteiristas europeus, ter se casado com uma mulher
cujo talento pra escrever seja pior que o dele”. Tem mais o que escrever depois
desse desabafo do colega? Nem uma linha...
HISTÓRIA:
GORE: 
EFEITOS: 

DIVERSÃO: 
Bruno C.Martino