ANO DE LANÇAMENTO
2006 (Hungria/Áustria/França)
DIRETOR

György Pálfi

ELENCO
Csaba Czene
Gergely Trócsányi
Piroska Molnár
Adél Stanczel
Marc Bischoff
Gábor Máté
Zoltán Koppány
Géza D. Hegedüs
ROTEIRO

György Páfil
Lajos Parti Nagy
Zsófia Ruttkay

MÚSICA

Amon Tobin

PRODUÇÃO

Alexander Dunreicher-Ivanceanu
Emilie Georges
Alexandre Mallet-Guy
Gabriele Kranzelbinder

PRODUÇÃO EXECUTIVA

Péter Miskolczi
Gábor Váradi

EDIÇÃO

Réka Lemhényi

LANÇAMENTO NA HUNGRIA:

3 de Fevereiro de 2006

DISTRIBUIDORA:

TAXIDERMIA
(Taxidermia)


A história da Hungria e da Europa Central é apresentada como um conto de terror por meio da vida de três gerações (avô, pai e filho), da Primeira Guerra Mundial, passando pela implantação do regime comunista, até os dias atuais. O avô é um assistente hospitalar sonhador, em busca do amor; o pai, um homem que vive das glórias do passado e almeja desesperadamente o sucesso; o filho, um taxidermista na trilha da imortalidade. O roteiro parte de contos escritos por Lajos Parti Nagy, e a trilha sonora é assinada por Amon Tobin, que nasceu no Rio de Janeiro e pratica o trip-hop.

CRÍTICAS

Quase no final de 2006 um surpreendente filme vindo da Hungria causou escândalo e perplexidade na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo: TAXIDERMIA, dirigido pelo jovem e talentoso György Pálfi. Ao final de sua projeção inicial na Mostra SP, uma garota agrediu o namorado aos gritos dizendo: “Como você me traz ao cinema para ver um filme desses, você é doente, mais doente do que esse diretor...” Se no ano passado o filme que causou o surto de uma espectadora foi Dumplings aka Escravas da Vaidade, esse ano foi o tal TAXIDERMIA. Afinal que filme é esse?



O diretor divide sua obra em três partes distintas contando a vida bizarra de três homens húngaros em três épocas distintas. O primeiro a surgir em cena é o soldado Vendel, interpretado por Csaba Czene. Ele se encontra em um lugar inóspito no interior da Hungria no final da 2ª Guerra Mundial. Em seu tedioso cotidiano ele experimenta formas bizarras de se masturbar e de manipular o fogo sobre seu corpo. Já na seqüência de abertura vemos Vendel despido passando uma vela acesa sobre os lábios e a pele construindo um estranho mecanismo que faz com que chamas altas saltem de seu pênis, sim, isso mesmo que acabaram de ler. Imagens grotescas e extremas se acumulam em seu dia a dia onde cheira a água onde mulheres acabaram de se banhar, atos de masturbação que acabam muito mal, seqüências em que graças a um truque de edição o cenário circula mostrando diferentes e elaboradas imagens que acentuam a excelente trilha-sonora do Dj de Trip Hop AMON TOBIN.

Após uma absurda e grotesca relação sexual, filmada de maneira barroca e quase explícita, ele acaba por gerar um filho, que em uma cena perturbadora sofre uma rápida e inesperada circuncisão. Ao crescer, esse bebê recebe o nome de Kálman, e se torna um Campeão de Consumo de Alimentos, um esporte grotesco e que proporciona momentos de escatologia extrema nessa segunda parte do filme que é ambientada durante o Regime Comunista na Hungria. Essa criatura rotunda fica decepcionada quando seu “Esporte” não é incluído nos Jogos Olímpicos. Para aplacar sua tristeza ele casa com a também rotunda Gizella, ex-campeã feminina do mesmo esporte de consumo de comida.



Com tanta bizarrice acumulada eles acabam gerando Lajos, uma figura estranha e de rosto demoníaco interpretado pelo ótimo Marc Bishoff, que é o único recém nascido de seu berçário que não chora nunca. Lajos cresce na Hungria Pós-Comunista que tenta se inserir na Comunidade Européia e está se abrindo para o capitalismo. Sua atividade profissional é a confecção de seres empalhados de várias espécies, ele é um Taxidermista. Suas criações e aberrações que esconde em casa são uma composição de todos os resultados de seu histórico familiar onde gatos enormes e criaturas horrendas habitam esse mundo, sendo sua grande companhia.

O roteiro do filme embarca totalmente no horror extremo a partir desse terceiro momento do filme. Vemos um retrato doentio do mundo de Lajos e seu rosto extremamente expressivo e assustador tentando algumas vezes um contato com o mundo exterior e a possibilidade de conhecer o amor, mas sua herança macabra é pesada demais e ele parte para uma confecção de obras de arte híbridas onde a matéria-prima são seres vivos. Vemos cenas de autópsia, remoção de órgãos, obsessão, insanidade e tecnologia em um festival de momentos aterradores e sangrentos onde máquinas macabras criam uma definitiva Obra de Arte.



Perturbador ao extremo, TAXIDERMIA tem muitas influências de pesadelos tecnológicos da manipulação do corpo que vimos muitas vezes em filme como VIDEODROME, THE BROOD e GÊMEOS-MÓRBIDA SEMELHANÇA, grandes obras de David Cronemberg. Existem fortes influências de David Lynch também, mas as sequências de autópsias e remoções de órgão tem paralelos com BUIO OMEGA de Joe D’Amato. As cenas Gore de TAXIDERMIA são de um realismo assustador em sua finalização. Muito se comentou entre os espectadores do filme se os tais órgãos eram realmente humanos ou não, muitos dizem que são órgãos de porcos, um recurso muito usado em filmes de horror extremo como Cannibal Holocaust, por exemplo. Uma surpresa gratificante essa descoberta de um novo e talentoso autor dentro do Horror Cinematográfico Atual. Um filme que ainda vai dar muito o que falar. Guardem o nome desse diretor húngaro György Pálfi, vamos ouvir falar muito dele ainda, com certeza.

Marcelo Carrard
mondopaura.zip.net