VÔO NOTURNO
The Night Flier

ANO:   1998
PAÍS:   EUA
DURAÇÃO:    91 minutos
DISTRIBUIDORA:     Transvídeo
DIREÇÃO:   Mark Pavia
ELENCO:     Miguel Ferrer, Dan Monahan, Julie Entwisle, Michael H. Moss, John Bennes
CARACTERÍSTICAS:    Colorido; Legendado/Dublado


SINOPSE:
     Um jornalista de um tablóide sensacionalista sai em busca de uma espécie de vampiro que pilota avião à noite e vai fazendo vítimas pelos aeroportos em que passa. Dees, o repórter, começa a refazer o caminho do macabro piloto e acaba se envolvendo além da conta...


CRÍTICAS:     As adaptações cinematográficas das obras Stephen King são sempre motivos de discussão. Alguns acham que os livros do autor são extremamente complicados de serem transportados para as telas de cinema, o que gera produções ruins, onde a "liberdade de criação" - adaptações com pouca relação com o texto original - e os efeitos especiais deixam evidente o pouco conteúdo. Outros acreditam que o nome "Stephen King" já se tornou uma marca registrada para o comércio do gênero, então muitos cineastas, em parceria com roteiristas fajutos, contratados por produtoras ambiciosas, dedicam-se na realização de filmes baseados, muitas vezes, em contos de apenas duas páginas; ou simplesmente utilizam o nome do conto apenas como pretexto para um enredo nada relacionado com a história original (maior exemplo: Passageiro do Futuro). Com isso, o espectador e fã do autor é bombardeado todos os anos com dezenas de filmes - a maioria continuações - que levam a assinatura de King, mas que não fazem jus ao trabalho do escritor.
Felizmente, não faz parte de nenhuma das regras citadas acima o filme Võo Noturno (The Night Flier, 1997), produção baseada num conto do livro "Pesadelos e Paisagens Noturnas Volume I" chamado "Piloto da Noite". O que difere esse filme dos demais baseados em obras do autor é que ele consegue ser, excepcionalmente, superior ao texto original. Considerada a melhor adaptação de uma obra de King, a qualidade de Võo Noturno está exatamente no que as outras pecam: na criatividade dos roteiristas.
O enredo gira em torno de Richard Dees (Miguel Ferrer), um jornalista de tablóide que um dia foi o mais famoso repórter do jornal Inside View, uma publicação extremamente sensacionalista que faz o extinto "Notícias Populares" parecer coisa de criança. Nesse jornal, o leitor está acostumado a encontrar as mais estranhas e curiosas manchetes: "Mãe Mata o Bebê do Diabo" (notícia comentada no filme, sobre uma jovem que colocou o filho no microondas) ou "Invasão Alienígena no Pólo Norte" (notícia comentada no conto, sobre uma teoria que diz que os pingüins são mais inteligentes que os golfinhos e o homem). O que mais chama a atenção nesse tipo de publicação são as manchetes e principalmente as imagens, sempre exageradas e forjadas.

"Cada foto mostrava longas filas de pingüins olhando silenciosamente para o espectador. Havia alguma coisa inegavelmente horripilante neles. Para Merton Morrison eles pareciam zumbis de George Romero vestidos de smoking."

No início do filme, Richard Dees se sente ameaçado profissionalmente por uma jornalista recém contratada, Katherine Blair (Julie Entwisle), que veio para substituir uma outra repórter que, depois de dois anos de trabalho, foi encontrada morta em sua banheira com um saco plástico sobre a cabeça - deixando pistas sobre um possível suicídio (curiosamente, essa nova repórter não existe no conto, que é centrado apenas em Dees). Para complicar a situação de Dees, seu chefe, Merton Morrison (Dan Monahan - famoso por sua atuação como o "pee wee" da série Porky´s), decide oferecer à nova funcionária a missão de investigar os crimes cometidos por um aviador misterioso, cuja forma de matar envolve uma grande perfuração no pescoço e às vezes cortes sangrentos no rosto e decapitação. Como o assassino só ataca no período noturno, ele é conhecido como o "vampiro aviador", apesar de não haver provas de sua caracterização sobrenatural. Apesar do esforço de Blair em trabalhar no caso, Dees "rouba" a matéria da jornalista, acreditando que ela possa servir para seu retorno ao sucesso na carreira, com a possibilidade até de publicar sua foto na frente do jornal como autor e responsável pelo trabalho. Morrison se diverte com a competição entre seus funcionários e resolve - em segredo - dar a matéria também a nova jornalista, esperando um furo de reportagem garantido, já que ambos estarão trabalhando juntos não oficialmente.
A partir daí, Dees, que também é piloto de avião, sai em busca do assassino seguindo seus passos desde o princípio, quando ocorreram as primeiras vítimas, para entender seu método de trabalho. O jornalista começa a confrontar situações bizarras que, aos poucos, vão deixando evidente a natureza inumana do serial killer. Uma das testemunhas diz ter notado um comportamento estranho das pessoas um dia antes de serem encontradas mortas, como se elas estivessem hipnotizadas, agindo como zumbis. Essa mesma testemunha descreveu o avião do assassino como um Cessna Skymaster 337, todo negro, com vidros escuros, numa espécie de "caixão voador". Ele disse também que o assassino vestia uma longa capa negra que, ao vento, dava ao usuário um aspecto de morcego. Mas o que mais chamou a atenção da testemunha foi a presença de terra, cheia de vermes, embaixo do avião, deixando evidente a presença de algo morto no interior dele.
Com essas novas pistas, Dees foi até o cemitério onde estaria enterrada a primeira vítima e deu ao túmulo um aspecto macabro, inclusive cortando a própria mão e espalhando sangue no local, para que a foto seja bem atrativa para o leitor. Cada passo do jornalista era seguido involuntariamente pela nova repórter e também notado pelo assassino, que sempre deixava algum recado assustador do tipo "Pare agora". Dees ignorava as mensagens e continuava sua perseguição implacável ao piloto da noite, demonstrando uma extrema competência no trabalho. Mas não seria burrice?
Assim, com o decorrer da produção, o espectador ficará com raiva do protagonista e acabará torcendo para um final trágico. Toda a perseguição dos jornalistas culminará num dos finais mais espetaculares já apresentados no gênero. Uma cena surpreendente que remeterá o público ao clássico Hellraiser, com direito a muito sangue e sustos, principalmente envolvendo a aparência da criatura. Aliás, ela poderia até ser um novo ícone do cinema de horror se fosse tratada com respeito.
Apesar da qualidade da produção, Vôo Noturno foi pessimamente distribuído no Brasil, já que é quase impossível encontrá-lo nas locadoras. Os fãs de um bom filme de terror precisarão de muita sorte para ter acesso ao longa, enquanto os azarados terão que se conter com o trabalho literário, que não é ruim, mas está longe de se equiparar com a versão produzida para as telas.

Marcelo Milici

COTAÇÃO:    

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