Virus ANO: 1999 PAÍS: EUA DURAÇÃO: 099 minutos DISTRIBUIDORA: PlayArte DIREÇÃO: John Bruno ELENCO: Jamie Lee Curtis; William Baldwin; Donald Sutherland; Joanna Pacula; Marshall Bell; Julio Oscar Mechoso; Sherman Augustus; Cliff Curtis CARACTERÍSTICAS: Colorido; Legendado/Dublado SINOPSE: Navio americano encontra navio russo à deriva, em alto mar. Dentro da nave russa, eles enfrentam uma estranha força alienígena, que foi transmitida para a Terra por ondas de rádio, e que tem apenas um objetivo: dizimar a raça humana. CRÍTICAS: Em se tratando de cinema fantástico, a idéia demisturar horror com ficção científica não chega a sernovidade, pois já foi até moda, e teve o seu auge nalongínqua década de 50, onde foram produzidas pérolascomo “Vampiros de Almas”, “A Bolha”, ‘O Monstro doÁrtico”, e até o hilário “Plan 9 from OuterSpace”(considerado por muitos como o “avô” dos filmestrash). Nas décadas seguintes, essa inusitada misturaoriginou vários fiascos, isso não há como negar, mastambém rendeu bons frutos como “A Mosca”, O IncrívelHomem que Derreteu”, e a franquia “Alien”, somente paracitar alguns. Nessa mesma linha, encontra-se o filme “Vírus”, de1998, dirigido por John Bruno, e tendo no elenco nomesde peso como Jamie Lee Curtis, Donald Sutherland eWilliam Baldwin . O enredo dessa obra é bastante interessante, ecomeça mostrando a estação espacial MIR sendo atingidasubitamente por uma misteriosa nuvem de energia. Depoisde destruir o complexo da estação, essa estranha energiaé enviada pelo sistema de transmissão via-satélite paraum navio de pesquisas russo, que se encontra nasdesoladas águas do Pacífico Sul. Alguns dias depois, ao sair de rota para fugir deum terrível furacão, a tripulação de um rebocadoramericano acaba encontrando o navio russo, que seencontra semidestruído e aparentemente abandonado.Intrigados, os marinheiros sobem a bordo da embarcaçãorussa, e imediatamente uma sucessão de acontecimentosestranhos tem início. Primeiro, o rebocador afunda aoser atingido pela âncora do navio. Em seguida, um membrodo grupo desaparece repentinamente, e por fim, surge umamulher se dizendo ser a única sobrevivente de ummassacre cometido por uma força alienígena, que culminoupor dizimar toda a tripulação do navio. Obcecado pela idéia de poder lucrar com aembarcação encontrada, o capitão do rebocador acusa amulher de ser louca, e passa a fazer de tudo para selivrar dela. Inicialmente, os demais membros do grupoficam desconfiados em relação a insólita história dasobrevivente, mas aos poucos, passam a ter motivos cadavez maiores para crer que tudo é terrivelmente real. Com esse ponto de partida bem bolado, o filmeconsegue se manter desde o início, e melhora a partir dasegunda metade, onde ficamos sabendo que a tal forçaalienígena transformou o interior do navio em umverdadeiro inferno, repleto de zumbis biomecânicos,monstros metálicos e máquinas assassinas. Paralelamente,o descontrole vai tomando conta dos marinheirossobreviventes, fazendo com que alguns literalmenteenlouqueçam, o que torna situação a bordo do navio aindamais crítica. Sinceramente, é difícil escolher algumas cenas dedestaque para comentar, pois o filme consegue manter umaótima linearidade do inicio ao fim. De qualquer forma,chama a atenção a parte onde o capitão entra em umlaboratório no porão do navio, e se depara com uma sériede cadáveres sendo transformados em zumbis. Essa cena étão grotesca que chega até a lembrar o bom e velho “Re-animator”, de Stuart Gordon. O momento em que um desseszumbis aparece pela primeira vez também causa um certoimpacto, e é bem violenta. Aliás, o filme inteiro émuito violento, repleto de cabeças decepadas, vísceras àmostra e mortes sangrentas, o que faz com essa produçãopossa se encaixar perfeitamente com o gosto da maioriados fãs de filmes de horror tradicionais. Também é impossível deixar de elogiar os ótimosefeitos especiais dessa produção, que ficaram a cargo damesma equipe que trabalhou em “O Exterminador do Futuro2”. A fotografia também é um show à parte, obscura eclaustrofóbica, que realça perfeitamente o clima dedesespero que toma conta do filme. Por tudo isso que já foi dito, esse filme poderiaser um forte candidato a clássico, se os responsáveispor ele não tivessem cometido o imperdoável erro deencher o roteiro de clichês. É importante lembrar que emse tratando de cinema fantástico, já foram feitas tantascoisas, que acaba sendo realmente difícil não cair naarmadilha da repetição e da previsibilidade. Porém, aquiocorreram certos exageros. Senão, vejamos: a situaçãoonde algumas pessoas somem e algum tempo depoisreaparecem transformadas em zumbis biomecânicos já ébastante batida, pois foi usada de forma bem semelhanteem todos os filmes da trilogia dos mortos-vivos deRomero. A idéia do vilão que tenta fazer um pacto com asforças do mal, e depois acaba se tornando vítima delas,também é velha, e pode ser vista em muitos filmes doestilo. Além disso, o simples fato de colocar um grupode personagens para enfrentar uma ameaça em um lugarisolado e sem chance de fuga, já faz o espectadorlembrar de imediato de pelo menos meia dúzia deproduções com o mesmo contexto. Até mesmo a cena dosusto final (apesar de possuir certa eficiência) lhedeixa com a impressão de já ter visto isso antes emalgum outro lugar. Outro aspecto negativo é a decepcionante atuação dascream-queen Jamie Lee Curtis, que tem uma atuaçãodiscreta e deslocada, bem aquém do esperado. Quem jáassistiu “Halloween” e “Halloween II” sabe que ela podefazer muito mais do que fez nesse filme. Talento paraisso ela tem de sobra. Para concluir, é importante salientar que apesardos aspectos negativos, esse é um filme acima da média,com enredo interessante, efeitos de primeira e bastantesangue, requisitos mais do que suficientes para agradaraos fãs que não forem muito rigorosos. Se você tiver oportunidade, opte por assistir aversão em DVD, pois existem mais de trinta minutos deextras, com trailers de cinema, making-of, biografias,filmografias e entrevistas com o diretor, produtores eatores. André Bozzetto Junior COTAÇÃO: |