VISITORS
(Visitors)
Georgia Perry pretende dar a volta ao mundo num barco à vela, mas, de acordo com o regulamento, não pode ver nenhum ser humano durante o percurso. Durante alguns dias de calmaria, ela recebe estranhas visitas e passa a questionar a própria sanidade...
CRÍTICAS
Em 2004, estreou nos cinemas brasileiros uma das produções mais interessantes e assustadoras dos últimos anos. Trata-se de “Mar Aberto” (Open Water, 2003), um filme independente que custou apenas $130 mil dólares e arrecadou mais de $2 milhões e meio após o sucesso em Sundance. Extremamente malhado pelo público brasileiro, o filme assustou ao mostrar uma ficção baseada em fatos reais sobre dois mergulhadores soltos no mar com centenas de tubarões famintos ao redor. Apesar de que a maioria das críticas negativas vieram de pessoas que foram aos cinemas sem ter a menor noção do que iriam assistir, numa atitude bastante comum e que poderia ser evitada se houvesse uma simples pesquisa a respeito.
Assim, “Mar Aberto” incomodava as pessoas que conseguiam se imaginar na situação dos mergulhadores, enfrentando a fome, a sede, dores no corpo, a sensação de morte iminente, a claustrofobia num sentido inverso, a insegurança, a fragilidade diante da natureza e principalmente a solidão. Estar sozinho no meio do mar deve ser o estado mais assustador de uma experiência como essa, tanto que não dá nem para imaginar como há “heróis” que se arriscam em aventuras desse tipo, travessias ao redor do mundo, pescarias noturnas, viagens isoladas...
Pensando assim, o roteirista Everett De Roche se uniu novamente com o diretor Richard Franklin (Psicose 2) – com que havia trabalhado em “Patrick”, 1986 -, e desenvolveu uma história bastante curiosa e assustadora, mas, cujo resultado poderia ter sido um pouco melhor se houvesse mais ousadia. A essa trama deu o título de “Visitors”, 2003, produção australiana estrelada por Radha Mitchell (Por um Fio e Eclipse Mortal), no papel de uma velejadora em busca de um recorde mundial, Dominic Purcell (da série John Doe, e também é o Drácula em Blade 3) e principalmente pela veterana Susannah York.
Georgia Perry (Radha) pretende entrar para o Guinnes Book através de uma incrível façanha: dar a volta ao mundo em um barco à vela. Uma longa viagem com duração de aproximadamente seis meses, tendo que obedecer algumas regras básicas. Primeiro, durante o percurso, ela não pode “ver” nenhum ser humano – seu contato só pode ser através de rádio, para informações sobre ventanias, barcos próximos, localização, e conversas com familiares. Segundo, em nenhum momento ela pode ligar o motor do barco, ou seja, Georgia deve perseguir ventanias para que seu veículo se movimente.
Para facilitar sua agonia, a jovem leva escondido um gato de estimação, um recurso que permite ao espectador “ouvir” os pensamentos da protagonista como um alter-ego ao estilo Edgar Allan Poe. Aliás, é esse mesmo felino que alerta Georgia do principal perigo que ronda a embarcação: ela mesma em sua necessidade de aceitação e luta pelos objetivos.
Apesar do aviso de seu companheiro de viagem, durante 5 dias de calmaria, Georgia “permite” a entrada de visitantes no barco, alguns amigáveis e outros extremamente perigosos. Certa noite, ela ouve barulhos em seu teto de vidro e vê um estranho andando por ele. Esse é o ponto inicial do pesadelo da jovem, que aumenta gradativamente com a chegadas de outros visitantes que passam realmente a incomodà-la, afetando de forma grave sua sanidade. Em um dos momentos mais assustadores, Georgia vê o fantasma de sua falecida mãe (Susannah York), que teria se suicidado há alguns anos depois de várias tentativas. Com o aspecto de uma morta-viva, com os pulsos sangrando, a mãe avisa a protagonista que ela não conseguirá sair viva da viagem, culpando-a pelo seu cruel ato. Assim, a morte está sempre presente no barco de Georgia, ora metaforicamente simbolizada pela presença de um corvo que aparece preso nas cordas da embarcação, ora pelos fantasmas que a cada noite surgem para visitá-la.
Quando ela tenta salvar a ave das cordas e da fúria do mar, Georgia cai na água e observa, assustada, seu veleiro afastando-se lentamente, num momento tenso que lembra bastante o já citado “Mar Aberto”.
Abalada pelas estranhas visitas, a protagonista recebe a informação pelo rádio da presença de piratas na região, o que irá representar um medo maior e uma dúvida quanto a veracidade dos fatos que ocorrerão em seguida: os tais piratas irão aparecer para atrapalhar os objetivos de Georgia, culminando numa atitude drástica que poderá trazer conseqüências graves para ela.
Se já não bastasse os problemas “sobrenaturais”, Georgia ainda terá que enfrentar a possível inveja de seu namorado, que no passado também tentara realizar a mesma proeza mas não obtivera sucesso, e principalmente a si mesma e sua consciência pesada sobre acontecimentos do seu passado – mostrados em flashbacks, contando desde um acidente com o pai quando ela era criança, até a idéia da louca viagem e a falta de apoio de seus familiares.
Apesar da direção correta do australiano Richard Franklin, um grande admirador do mestre Alfred Hitchcock principalmente tendo a idéia dessa produção baseada no filme Lifeboat (1944), “Visitors” deixa a desejar na trilha incidental, no excesso de flashbacks – recurso que em exagero torna o longa uma bagunça temporal -, na edição que repete as imagens do barco envolto em nevoeiro e principalmente na falta de ousadia, optando em dar um final feliz e romântico para a trama.
Ainda sem lançamento previsto no Brasil, “Visitors” é um curioso passatempo para as o público não muito exigente. Para os que buscam um filme sangrento e violento, esse thriller psicológico os deixará “a ver navios”....
HISTÓRIA: 


GORE:
EFEITOS: 
DIVERSÃO: 
Marcelo Milici