ANO DE LANÇAMENTO
2007 (EUA/Austrália)
DIRETOR

Scott Thomas

ELENCO
David Chisum
Kristen Kerr
Sarah Laine
Richard Tyson
Erick Avari
Mieko Hillman
ROTEIRO

Scott Thomas
Sidney Iwanter
Mark Onspaugh

PRODUÇÃO

David Shoshan

FOTOGRAFIA

Mark Eberle

EDIÇÃO

Wilton Cruz

LANÇAMENTO NO BRASIL:

2007 (DVD)

DISTRIBUIDORA:

Nova

VÔO DA MORTE
(Plane Dead / Flight of the Living Dead: Outbreak on a Plane)


Claustrofóbica e desesperadora história de um vôo que carrega a morte entre seus passageiros na forma de um vírus fatal. Tudo porque um cientista desequilibrado decide embarcar com um cadáver que está infectado e carrega o poderoso e desconhecido vírus. Já no ar, muitos passageiros e parte da tripulação acaba sendo contaminada e agora entram em uma luta desesperada e caótica para tentar sobreviver e vencer o pequeno, mas fatal inimigo.

CRÍTICAS

Para alguns uma cópia oportunista do hiper-trash SERPENTES A BORDO e suas cobras dentro de um avião, O VÔO DA MORTE parte de uma idéia que qualquer fã de horror já deve ter sonhado em algum momento da sua vida: se já é complicado escapar e combater mortos-vivos numa área aberta, imagine enfrentá-los num espaço fechado e de onde fugir é impossível, como um avião em pleno vôo! Bem que poderia se chamar ZUMBIS A BORDO, mas a verdade é que esta produção barata e assumidamente trash começou a ser desenvolvida antes de SERPENTES A BORDO (e logo não é uma cópia oportunista). Além disso, a idéia de mortos-vivos dentro de um avião já havia sido levemente aproveitada no desenho animado para adultos HEAVY METAL, de 1981.



Bem, quando eu fiquei sabendo da existência do filme e do seu conceito, esperava por um grande espetáculo de suspense, tensão e horror - quer coisa mais claustrofóbica que um avião, ainda mais para quem morre de medo de voar, como eu? Fiquei um pouco decepcionado quando percebi que O VÔO DA MORTE partia para a bobagem assumida e para o exagero, flertando muito timidamente com o horror (não há uma única cena realmente assustadora). Mas, na média, acho que ficou legalzinho. Embora bem menos divertido que SERPENTES A BORDO (que foi muito mais criativo nas mortes e nos ataques das cobras), O VÔO DA MORTE passa tranqüilamente como uma divertida e engraçada Sessão da Tarde sangrenta para quem curte filmes de zumbis - e não deve, nem por um minuto, ser levado a sério.

Diferente de SERPENTES A BORDO, o roteiro assinado pelo diretor Scott Thomas (com a colaboração de Sidney Iwanter e Mark Onspaugh) não perde tempo construindo os personagens e já começa a bordo do avião em pleno vôo de Los Angeles a Paris, sem cenas xaropes em terra ou no aeroporto. Vale ressaltar logo de início que o cenário do avião é de uma pobreza de dar dó, principalmente a cabine dos pilotos, onde a aparelhagem do avião só aparece em closes (aparentemente filmados em algum outro lugar, ou dentro de um avião de verdade!). Entre os passageiros, temos o policial Truman Burrows (David Chisum), que está escoltando o prisioneiro Frank (Kevin J. O’Connor, repetindo o papel de engraçadinho que fez em A MÚMIA e TENTÁCULOS); temos também o astro do golf Long Shot (Derek Webster) e sua esposa xarope; temos ainda Paul Judd (Richard Tyson, o valentão do clássico TE PEGO LÁ FORA), que é um paranóico agente do controle de tráfego aéreo, e outros personagens secundários que só servem como comida para zumbis, incluindo adolescentes idiotas que vão a Paris para surfar (embora não exista mar na capital francesa!) e uma freira.



Já na primeira classe viajam três suspeitos cientistas: o dr. Leo Bennett (Erick Avari, que fez o pai da Elektra em DEMOLIDOR), o dr. Conroy (David Spielberg) e o dr. Lucas Thorp (Dale Midkiff, astro de O CEMITÉRIO MALDITO). Como logo descobrimos, o trio está envolvido no desenvolvimento de um vírus que regenera tecido morto para uso na indústria armamentista (óbvio). E, no compartimento de carga do avião, estão transportando a esposa de Thorp, devidamente transformada em zumbi e aprisionada dentro de um contêiner vigiado por um soldado armado (Brian Thompson, o caçador alienígena do seriado ARQUIVO X).

Obviamente, durante uma tempestade, a aeronave enfrenta turbulência e o contêiner se abre, libertando a morta-viva e espalhando uma contaminação que logo chega às aeromoças, pilotos e passageiros, transformando o vôo num verdadeiro caos. Os poucos sobreviventes começam a fazer barricadas para tentar resistir ao ataque dos zumbis, e pousar o avião se transforma no principal problema - já que o Pentágono está pensando em bombardear a aeronave para que a contaminação não se espalhe em terra...



Pelo resumo, o leitor já pode perceber que, tirando a ambientação no interior de um avião, não há nada de muito novo ou criativo em O VÔO DA MORTE. E embora o diretor Thomas tenha partido para o lado do humor negro, nem sempre o filme é tão engraçado ou exagerado quanto poderia ser. A violência contra humanos é limitadíssima e pouco explorada: os zumbis se limitam a morder o pescoço das suas vítimas (serão vampiros disfarçados?) para espalhar a contaminação, já que aparentemente não parecem interessados em devorar carne humana - apenas dão uma mordidinha superficial para se reproduzir, e pronto! Já a violência dos ataques dos humanos contra os zumbis é um pouco mais exagerada e engraçada, incluindo uma criativa cena onde um guarda-chuva é atravessado na cabeça de uma morta-viva e depois aberto para espalhar os miolos da criatura! Mas não é nenhum FOME ANIMAL, e no fim a película deixa um pouco a desejar também no quesito sangue. Uma recauchutagem no roteiro, com mais ênfase nas mortes criativas, teria beneficiado o resultado final.

No fim, O VÔO DA MORTE torna-se mais divertido pela quantidade de furos de roteiro e absurdos em geral. Num erro grosseiro visto também em ZOMBIE 3 e HOUSE OF THE DEAD, os zumbis não se decidem: alguns morrem com tiros no peito ou no coração, outros com tiro na cabeça, e alguns tomam tiro na cabeça e não morrem! Vale ressaltar que nenhum dos personagens parece muito preocupado em despressurizar a aeronave, já que eles passam o filme inteiro dando tiros de pistola e metralhadora dentro do avião, mas nenhuma bala erra o alvo e atinge a fuselagem ou uma das janelinhas do avião - e prepare-se para rolar de rir quando os sobreviventes chegam a EXPLODIR UMA BOMBA no interior do avião sem provocar maiores avarias!!! É de se ressaltar, ainda, o fato do jogador de golfe estar levando um taco ao lado da poltrona para poder combater os zumbis (como se isso fosse permitido na hora do embarque...).



Embora tenha seus méritos pelo lado trash, o filme certamente perde alguns pontos pelo fato do diretor ter desperdiçado uma boa idéia (ainda espero por um filme “sério” com zumbis num avião) e também um bom elenco, já que atores conhecidos, como MIdkiff e Thompson, não têm nem cinco minutos em cena - o pior caso é o do pobre Brian Thompson, que, usando uma máscara contra gás, nem mesmo mostra o rosto, apenas os olhos!!! Enfim, O VÔO DA MORTE vale para um sábado à noite ou domingo de tarde, ou ainda para um churrasco com os amigos. Mas prepare-se para esquecer a maior parte do filme em uma semana.

PS: Originalmente intitulado FLIGHT OF THE LIVING DEAD - OUTBREAK ON A PLANE (depois resumiram para PLANE DEAD), o filme ainda nem foi lançado nos EUA, embora já tenha sido exibido em alguns festivais especializados em horror. Felizes (?) de nós, brasileiros, que podemos ver estas tralhas antes que os gringos!

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Felipe M.Guerra